Semeando poesia e colhendo amizades

Professora Cláudia Sabbag Ozawa Galindo estreia com o livro “Sementeira”; lançamento será amanhã, às 16h, no Soneto Café
Luciano Serafim
Diário MS
A professora Cláudia Sabbag Ozawa Galindo resignifica sua vida com o lançamento de “Sementeira”: “Sinto como se o meu coração se estendesse por afetuosos braços que me permitem enlaçar o outro – Foto: Divulgação

Residente em Presidente Epitácio, interior de São Paulo, Cláudia Sabbag Ozawa Galindo pegou a estrada rumo a Dourados durante os últimos sete anos para lecionar nos cursos de Letras da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), período em que conquistou a amizade de alunos e professores. Neste sábado (25), ela retorna à cidade por outro motivo: o lançamento de “Sementeira”, seu primeiro livro de poesias, de uma intensidade pulsante, que ora nos provocam, ora nos emocionam. Não tem como passar imune ao seu fazer poético. O evento acontecerá no Soneto Café, a partir das 16h.

Não por acaso são quarenta poemas ao todo, frutos de uma reflexão espontânea de quatro décadas de vida que, de repente, chegaram e instigaram um novo reconstruir. Da matéria-prima da vida, surgem reflexões poéticas profundas, mas também breves e leves de quem sabe transformar “o quinhão miúdo da vida” que lhe é dado em comunhão com o melhor e ousado que carrega em si. Há também em sua poesia uma musicalidade intrínseca, que talvez seja uma aprazível influência de tantos anos dedicando-se à inter-relação entre música e poesia.
Claudia afirma que começou a escrever poesia ainda adolescência, mas passou por uma longa jornada até a publicação. “Lembro dos meus primeiros versos por volta dos 12 anos, muito encantada por Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes, encorajada pelos professores do colégio, envolvida pelos concursos locais de poemas e contos. Imaginava docemente criar uma espécie de ‘sentimento do mundo’, pelas palavras. Alguma força muito poderosa, capaz de se sobrepor a todo sofrimento humano e a todo desamor. Depois, vieram os anos da faculdade, trabalho, família, novos apelos, toda uma maturidade acelerada que se insurgia latente e que me afastou dos versos por muitos anos. Somente no ano passado, atingida incisivamente pelo ambiente pulsante da Flip (Festa Literária Internacional de Parati) é que a poesia se impôs imperativamente em minha vida de novo, me escorreu pelas veias e me tomou totalmente, naturalmente, todos os dias, desde então, todas as madrugadas…”
Escrever, para ela, tem um sentido muito especial: “A poesia reorganiza o universo todo em mim. Resolve impasses, desarticula angústias, cura mágoas, sacraliza belezas, exorciza tragédias interiores, intensifica desejos, materializa sonhos, alimenta ousadias, encoraja comunhões, comunga a humanidade esclarecida em mim… Me liberta e me une a tudo que me envolve e me encanta”, afirma.
Professora e estudiosa de Literatura, Claudia demonstra confiança com a publicação do seu primeiro livro de poesia. “Eu sinto como se o meu coração se estendesse por afetuosos braços que me permitem enlaçar o outro, como uma expansão amorosa, uma semeadura, um processo de semear a sensibilidade, renovar o toque, ou, como ouvi certa vez de Arnaldo Antunes, alterar de alguma forma a sensibilidade das pessoas”.
Cláudia Galindo tem estudos nas áreas de literatura, poesia, identidade feminina, poesia e música, estudos culturais e ensino de poesia. Faz parte do grupo de estudo InterArtes, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Autora do livro “Mulher, poesia e música no tempo dos trovadores e dos cantadores modernos” (Eduel, 2014). É pós-doutora em Letras com pesquisa na área de Estudos Culturais e Literatura, pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Possui doutorado em Letras e mestrado em Literatura pela UEL. Já lecionou na UFGD, UEMS, UNESP e UNIDERP. (Com a colaboração de Evelin Gomes)
SERVIÇO
Lançamento de “Sementeira”, de Cláudia Sabbag Ozawa Galindo, sábado (25/11), às 16h, no Soneto Café, Rua Dr. Camilo Hermelindo da Silva nº 850 – Jardim Caramuru, Dourados.
Publicado pela Editora Patuá, o livro tem 100 páginas e também pode ser adquirido pelo site http://bit.ly/2jOZR61, por R$ 38,00.
SEMENTEIRA
É aqui que me extasio do que
me abandona
agiganto pulsões do que
me fenece
crio eternidades a tudo
que me consome…
Por esta razão sem sentido
é que me encontro forçosamente
a meio ser do que
me falta…
E se, de onde me vês,
é tudo opacidade
é porque de onde venho
inunda-me a luz…