Secretário de Saúde não cumpre repasses e provoca crise na Funsaud

Malagueta – 11/12

Funsaud incomoda Délia Razuk

Comunicado Interno datado de 7 de dezembro, portanto na véspera do feriado da semana passada, assinado pelo diretor-presidente da Fundação de Serviços de Saúde de Dourados (Funsaud), Américo Monteiro Salgado Júnior, gerou a maior crise com a prefeita Délia Razuk (PR). A chefe do Executivo Municipal não gostou nada quando leu o teor do comunicado interno que dizia “A Fundação de Serviços de Saúde vem por meio deste informar a todos os funcionários que devido ao valor repassado pela Secretaria (Municipal), somente serão efetuados na presente data (quinto dia útil) os pagamentos dos funcionários que recebem até o valor líquido de R$ 3.300,00 (três mil e trezentos reais) referentes ao mês de novembro. Os demais funcionários efetuados até a data máxima do dia 20/12/2017. Cumpre esclarecer que tal medida trata-se de situação emergencial e provisória, até que ocorra a normalização dos repasses”. Tão logo leu o documento oficial da Funsaud, a prefeita convocou Américo Salgado Júnior para uma reunião e, por pouco, ele não virou ex-presidente da Fundação de Serviços da Saúde.

Explicando o Comunicado

Diante da prefeita Délia Razuk (PR), o presidente da Funsaud explicou que não tinha outro caminho a não ser tratar a questão com transparência em respeito aos servidores da Fundação, que esperavam receber os salários no quinto dia útil. O fato é que o comunicado gerou o protesto realizado hoje pela manhã, quando funcionários do Hospital da Vida foram trabalhar vestidos de preto e com nariz de palhaço.

Culpa da Secretaria

A coluna apurou que toda essa situação foi gerada por culpa exclusiva do secretário municipal de Saúde, Renato Vidigal, que deveria repassar mensalmente R$ 4,2 milhões para a Fundação de Serviços de Saúde fazer frente às despesas com manutenção, insumos e salários do Hospital da Vida e da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não cumpre com sua obrigação.

Repasse Picado

O secretário de Saúde tem feito repasses em conta gota para a Fundação de Serviços de Saúde e, mais grave, desde o início da gestão Délia Razuk não repassa os R$ 4,4 milhões necessários para a manutenção dos serviços. A coluna apurou que o déficit mensal é de R$ 1,2 milhão, com dívida acumulada de mais de R$ 12 milhões, o que motivou a decretação da situação de emergência.

Serviços Oncológicos

Além de não repassar em dia os R$ 4,2 milhões mensais, o secretário Renato Vidigal, que tirou os serviços de Oncologia do Hospital Evangélico para entregá-lo aos seus amigos do Hospital da Cassems, também jogou no colo da Funsaud o atendimento aos pacientes com câncer de Dourados e região.

Aumentando Serviços.

Como o Hospital da Cassems não consegue se habilitar perante o Ministério da Saúde, os pacientes oncológicos estão sendo atendidos na UPA e no Hospital da Vida, ou seja, a Prefeitura de Dourados usa tabela defasada com a Funsaud, não paga o combinado, e ainda repassa mais obrigações para a Fundação. Assim não dá!

Solução Complicada

Para acabar com a crise e evitar uma greve geral no Hospital da Vida e na UPA, a prefeitura precisa, primeiro, regularizar o repasse mensal de R$ 4,2 milhões e, depois, apresentar um cronograma de pagamento dos atrasados. Se não fizer isso a crise se agravará nas próximas semanas e Dourados poderá chegar ao final do ano sem atendimento nas duas unidades de saúde.

Empenho de Américo

A situação na Fundação de Serviços de Saúde de Dourados só não está mais crítica porque o diretor-presidente Américo Salgado Júnior tem trabalhado muito na solução dos problemas. Ao contrário do secretário municipal de Saúde, Renato Vidigal, que virou às costas para a Funsaud, Américo tem buscado apoio institucional para impedir que pacientes de 33 municípios da região fiquem sem atendimento médico-hospitalar. Para agravar tudo, Vidigal que não ajuda em nada ainda se esforça para atrapalhar.

Esperando a Câmara

A esperança da Fundação de Serviços de Saúde de Dourados é que a presidente da Câmara de Vereadores, Daniela Hall, antecipe a devolução do excedente do duodécimo do Poder Legislativo. O dinheiro seria usado para pagar o décimo-terceiro salário dos servidores da Funsaud e evitaria a greve geral na UPA e no Hospital da Vida. Espia só!

Berenice Protestando

Chamou atenção no protesto hoje diante do Hospital da Vida de Dourados a presença da presidente do Conselho Municipal de Saúde, Berenice de Oliveira Machado Souza, que usou até nariz de palhaço para reclamar da Prefeitura de Dourados. Mudança radical para quem no último dia 18 de agosto concedeu entrevista ao jornal Folha de Dourados resgando elogios à gestão da saúde pública pela prefeitura.

Elogios a Vidigal

Na entrevista, ao ser questionada sobre o desempenho do secretário municipal de Saúde, Renato Vidigal, a mesma Berenice que hoje ataca a gestão da saúde foi enfática: “Ele é muito bom, tem tudo para fazer uma boa gestão, é resolutivo, está atuando em parceria com o Controle Social”. O que será que mudou de agosto para cá? Até lembra o nome daquela franquia de cosmético “Quem disse Berenice?”

Explicando o Protesto

Hoje pela manhã, o presidente da Comissão de Funcionários da Funsaud, Robson Dauzacker, apresentou as justificativas da categoria para o protesto em frente ao Hospital da Vida: “A manifestação pacífica é em protesto pelo não pagamento total dos funcionários da Funsaud e pela não previsão de pagamento do 13º salário”. Vai vendo.

Observação Pertinente

Pelo jeito a Malagueta não foi a única voz a se levantar contra o discurso fajuto que o deputado-palhaço Tiririca fez semana passada para anunciar que estava deixando a vida pública por estar envergonhado com os políticos e a política. O vigilante senador Cristovam Buarque postou o seguinte texto no Facebook: “A permanência de Tiririca 8 anos na Câmara dos Deputados custou ao público o equivalente a R$ 3.620.000,00 em salários, verba indenizatória e ajuda moradia, sem contar as despesas com saúde. Pode-se dizer que foi um discurso ao custo de R$ 452.500,00 por minute”.

Ardidas

• Levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que, no momento em que a reforma da Previdência é um dos maiores debates do governo e do Congresso Nacional, que planeja aprovar o texto na Câmara ainda neste ano, a participação de aposentados e pensionistas na população total cresceu 72,1% em 23 anos. De acordo com dados da Pesquisa por Amostragem de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1992 a 2015, a fatia de inativos passou de 8,2% para 14,2% e seguirá crescendo no mesmo ritmo que o aumento da expectativa de vida dos brasileiros.

• O estudo mostra que em 1992 havia um beneficiário para cada 12 brasileiros. Já em 2015, essa proporção passou para um aposentado ou pensionista para cada sete brasileiros. De acordo com os dados, os idosos com mais de 80 anos passaram de 10,5% para 13%, entre 1992 e 2015. No período, no caso da idade média dos aposentados, o salto foi de 65,6 anos para 67,9 anos. Na comparação entre estados, o Rio Grande do Sul foi a região onde houve um maior aumento na parcela de aposentados e pensionista na população. Saltou de 10,3% em 1992, para 20,4% em 2015. Santa Catarina aparece em segundo com salto de 8% para 18,4% e Rio de Janeiro em terceiro lugar, passando de 11,6% para 16,1% no mesmo período.

• O Pesquisa Econômica Aplicada aponta ainda que 79% da renda das aposentadorias precoces são apropriadas pelos 30% mais ricos da população brasileira. O percentual cai para 63,2% quando se considera os aposentados acima dos 70 anos. As aposentadorias precoces, atualmente, são concedidas para mulheres entre 46 anos e 54 anos e homens entre os 51 e 59 anos. Pelas regras atuais, não há idade mínima para aposentadoria no regime geral (INSS). Para conseguir o benefício é preciso ter 35 anos de contribuição no caso de homens e 30 anos no caso de mulheres. Neste caso, os trabalhadores que ingressaram no mercado de trabalho mais cedo acabam sendo privilegiados.

• E ainda tem setores da sociedade organizada que se levantam contra a proposta de reforma da Previdência Social. Esses mesmos setores, sobretudo aqueles liderados por pelegos que sempre defendem a tese da “farinha pouca, meu pirão primeiro”, serão os primeiros a realizar protestos daqui 15 ou 20 anos quando o governo não tiver dinheiro para pagar seus aposentados em virtude do déficit crescente da Previdência Social.