Santiago e outras cidades terão novo toque de recolher; manifestações continuam pelo país

Metrô de Santiago voltou a funcionar parcialmente, mas algumas das estações do centro da capital chilena continuam fechadas. Mais de 5 mil escolas pelo país estão sem aulas.

 

Por G1

O governo do Chile decretou novo toque de recolher na região metropolitana de Santiago a partir das 20h (horário local) desta segunda-feira (21). A capital chilena e outras cidades do país tiveram novo dia de protestos, mesmo após as autoridades locais cancelarem o aumento no preço das passagens de metrô – o que gerou as primeiras manifestações.

Além de Santiago, outras regiões estão sob toque de recolher: Valparaíso, Concepción, Antofagasta Rancagua. Na capital, será a terceira noite consecutiva em que a medida valerá – das 20h às 6h (horário local).

Na tarde desta segunda-feira, milhares de manifestantes se concentraram na Praça Itália, também conhecida como Praça Baquedano, que fica na região central de Santiago. Segundo a imprensa chilena, os protestos começaram pacíficos e com diversas frentes – não há apenas um grupo organizando os atos.

Porém, mais tarde, agências internacionais e jornais e emissoras chilenos registraram imagens de forças de segurança lançando bombas de efeito moral e atirando jatos de água contra os grupos. Alguns manifestantes também fizeram barricadas na capital em em outras cidades.

Brasileiros

O Consulado-Geral do Brasil em Santiago informou que não há registro de brasileiros feridos, detidos ou envolvidos nos protestos. O Consulado tem recebido muitos questionamentos sobre o cancelamento de voos e os procedimentos em decorrência do toque de recolher. O Itamaraty indica aos brasileiros com dificuldade de embarcar em seus voos no Chile que verifiquem o estado das decolagens antes de se dirigirem ao aeroporto e, em caso de cancelamentos, que reagendem os bilhetes diretamente com as companhias aéreas.

Em caso de voos noturnos não cancelados, informa o Itamaraty, na hipótese de decretação de toque de recolher, passageiro deve deslocar-se ao aeroporto antes do início da restrição de movimentação.

Algumas estações da linha 1 do metrô de Santiago, que cruza a cidade de leste a oeste, voltaram a funcionar nesta segunda. Ainda assim, há pontos fechados na região central da capital chilena. Nesta segunda, segundo o jornal “El Mercurio”, outra estação precisou ser fechada.

A ministra da Educação chilena, Marcela Cubillos, anunciou que 5.684 escolas estão com as aulas suspensas em quatro regiões do Chile, inclusive a Grande Santiago.

A onda de protestos no Chile se intensificou na sexta-feira (18), quando manifestantes incendiaram estações de metrô e outros estabelecimentos em atos contra o aumento no preço das passagens. Onze pessoas morreram e mais de 1,4 mil foram detidas, segundo o balanço oficial mais recente divulgado até a última atualização desta reportagem.

Entenda em cinco pontos os protestos no Chile:

  1. Governo anunciou um aumento de 30 pesos na tarifa do metrô, equivalente a R$ 0,17;
  2. Violência aumentou nos protestos a partir de sexta-feira (18), após confrontos com a polícia;
  3. Chile decretou, no sábado (19), estado de emergência por 15 dias, e o Exército foi às ruas pela 1ª vez desde a ditadura, que durou de 1973 a 1990;
  4. Ainda no sábado, presidente chileno suspendeu o aumento na tarifa do metrô, mas os protestos continuaram;
  5. Metrô de Santiago fechou e o aeroporto da capital chilena teve voos suspensos.
A alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, em Genebra, em setembro. (Foto: Fabrice Coffrini/AFP)

Bachelet condena uso excessivo da força

Ex-presidente do Chile e atual alta-comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para Direitos Humanos, Michelle Bachelet pediu o fim da violência nos protestos e abertura para um diálogo entre os lados envolvidos na crise chilena.

“Há alegações perturbadoras de uso excessivo da força pelas forças de segurança e exército, e também estou alarmada com relatos de que alguns detidos tiveram acesso negado a advogados, o que é seu direito, e que outros foram maltratados enquanto estavam detidos”, disse.

“Além disso, dezenas de membros das próprias forças de segurança teriam ficado feridos”, acrescentou Bachelet.

A representante da ONU – que fazia oposição ao partido do presidente Sebastián Piñera – também pediu que o governo encontre soluções para os pedidos dos manifestantes.

“É preciso haver um diálogo aberto e sincero entre todos os atores envolvidos para ajudar a resolver essa situação, incluindo um exame profundo da ampla gama de questões socioeconômicas subjacentes à crise atual.”