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Rota da cocaína boliviana passa por MS e turbina narcotráfico marítimo

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HELIO DE FREITAS

Especial para o Diário MS

 

Divulgação

A rota marítima, que fez aumentar em nove vezes a quantidade de cocaína apreendida nos portos brasileiros, é o “fato novo” no narcotráfico sul-americano e envolve diretamente Mato Grosso do Sul. Policiais e procuradores paulistas afirmam que a droga produzida na Bolívia chega ao Paraguai de avião, entra no Brasil por Foz do Iguaçu (PR) e Ponta Porã (MS) e chega aos portos via terrestre, onde é colocada em containers e despachada para a Europa e países africanos, onde o quilo da cocaína chega a custar R$ 80 mil dólares.

 

No ano passado, a quantidade de cocaína apreendida nos portos brasileiros foi nove vezes maior que o volume interceptado em todos os aeroportos do país – 15 toneladas nos postos contra 1,9 tonelada nos aeroportos. O maior aumento ocorreu no porto de Santos (SP), de onde sai boa parte das cargas destinada ao exterior.

O negócio é bilionário e envolve funcionários de portos e até servidores públicos, pagos para ajudar a esconder a droga em containers e para “fazer vistas grossas”. Na República Democrática do Congo, um dos países mais pobres do mundo, o quilo da cocaína sul-americana custa em média R$ R$ 252 mil na cotação de ontem.

“O tráfico marítimo de cocaína tende a crescer fortemente. Esse novo canal que se estabeleceu entre a Bolívia, o Paraguai e o Brasil, que não existia, agora fornece uma rota segura para que a droga saia de sua origem e chegue a seu destino”, afirmou em entrevista ao Uol o procurador de Justiça de São Paulo Márcio Sérgio Christino, um dos principais investigadores da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

“A grande rota vem da Bolívia em direção ao Paraguai, depois entra na fronteira brasileira e é distribuída para os portos. Esse caminho Bolívia-Paraguai-Brasil e daí para os portos e depois para o mundo inteiro, é a grande novidade, o grande acontecimento criminoso dos últimos anos”, afirma o procurador.

Segundo Christino, o PCC tem participação fundamental nessa logística. “O papel do PCC é garantir todas as condições para que a cocaína saia com segurança da Bolívia e chegue a seu destino no porto, sem que haja disputa com outros traficantes”.

 

JARVIS PAVÃO

A rota da cocaína boliviana, encarada como novidade pelas autoridades paulistas, tem um único patrão, segundo policiais sul-mato-grossenses que atuam na repressão ao narcotráfico – o brasileiro Jarvis Gimenes Pavão, 49, que está preso no Paraguai.

Sócio do PCC, Pavão assumiu o controle do narcotráfico no lado paraguaio, que antes tinha como patrão outro brasileiro, Jorge Rafaat Toumani, assassinado em junho do ano passado em Pedro Juan Caballero. A polícia do Paraguai acusa Pavão e o PCC pela morte, mas o narcotraficante nega e diz que ele e Rafaat eram “amigos”.

Policiais com experiência no combate ao tráfico na fronteira Brasil-Paraguai confirmam que a rota marítima é o fato novo no submundo das drogas na América do Sul. Mas afirmam que as grandes quantidades de cocaína que chegam aos portos não passam pelas estradas em caminhões e carretas, como acontece com as drogas destinadas ao mercado interno.

“O grosso da cocaína produzida na Bolívia sai do Paraguai em containers fechados, embarcados no porto de Concepción e que seguem pelo Rio Paraguai e depois por via marítima até chegar aos portos de Santos e Paranaguá. A maior parte da droga encontrada nas estradas é para abastecer os grandes centros consumidores internos”, contou uma fonte da polícia.

Além da cocaína boliviana, a maconha produzida no Paraguai também vem sendo destinada aos portos brasileiros. Neste ano, dois carregamentos aprendidos na região de Dourados estavam sendo levados para o porto de Paranaguá (PR).

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