PSL em baixa: candidato de Soraya nem aparece em pesquisa

Coluna Malagueta – 2/10/2019 – Jornalista Marcos Santos –

Candidato de Soraya nem aparece em pesquisa para Prefeitura de Dourados

A cúpula nacional do Partido Social Liberal (PSL) precisa voltar os olhos para a legenda em Mato Grosso do Sul se quiser eleger ao menos um prefeito nas eleições municipais de 2020. Sob o comando da senadora Soraya Thronicke, o partido do presidente Jair Bolsonaro está definhando em todo o Estado e a situação só não é mais grave em razão da liderança exercida pelo deputado estadual Coronel David (PSL) e do deputado federal Luiz Ovando (PSL), que seguem na missão de oxigenar a legenda com vistas às eleições municipais que se avizinham. A prática política de ciscar pra fora, levada a efeito por Soraya, está afastando não apenas potenciais lideranças, mas também o eleitor que apostou no partido do presidente da República, Jair Bolsonaro, como uma expectativa para mudanças. Cercada de incompetentes por todos os lados, a senadora não conseguiu viabilizar uma única candidatura nos 78 municípios de Mato Grosso do Sul e em Dourados, segundo maior colégio eleitoral do Estado, o nome lançado por ela continua sendo um anônimo perante o eleitor. O fazendeiro-desmatador Aristeu Carbonaro, que chegou a cair nas graças dos milicos da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, não foi citado na pesquisa de intenção de voto para prefeito que o Instituto Ranking realizou em Dourados entre os dias 27 e 30 de setembro de 2019, ouvindo 900 eleitores. Na pesquisa espontânea – que é quando o eleitor recebe a pergunta: em quem você votaria para prefeito se as eleições fossem hoje? – o deputado estadual Marçal Filho (PSDB) aparece com 12,11%, seguido pelo fazendeiro Rodolfo Nogueira (PSL) com 4,77%, pelo deputado estadual Renato Câmara (MDB) com 4,22% e pela prefeita Délia Razuk (PTB) com 3,44%. O ex-deputado federal Geraldo Resende (PSDB) surge com 3,11%, enquanto o deputado estadual José Carlos Barbosinha (DEM) aparece com 2,66% e o vice-governador Murilo Zauith (DEM) com 2%. Outros nomes foram citados por 1,77% dos 900 entrevistados, enquanto 65,92% afirmaram que não saberiam em quem votar se as eleições fossem hoje.

Preferência Estimulada

Na pesquisa estimulada, que é quando o pesquisador apresenta os nomes dos pré-candidatos a prefeito de Dourados, Marçal passa para 24,77%, seguido por Rodolfo com 9,33%, Renato com 8,22%, Délia com 6,11%, Geraldo com 4,66%, Barbosinha com 4,11%, Alan Guedes (DEM) com 3,55% e Murilo com 3,22%. Neste cenário, exatos 36,03% não afirmaram que votariam em branco, nulo ou estavam indecisos.

Pesquisa Analisada

Tão estranho quanto o fato do candidato da senadora Soraya não aparecer na pesquisa Ranking é o fato do adversário dela, o fazendeiro Rodolfo Nogueira, aparecer em segundo lugar tanto na espontânea quanto na estimulada. Praticamente um anônimo entre os eleitores douradenses, onde nem se lançou como pré-candidato a prefeito, Rodolfo Nogueira pode até ter potencial para entrar na disputa, mas não tem qualquer capilaridade eleitoral para aparecer em 2º lugar em nenhuma pesquisa.

Resultados Futuros

Somente uma nova rodada de pesquisas de intenção de voto, realizada por outros institutos, poderá apontar se a posição de Rodolfo Nogueira no levantamento do Instituto Ranking é real ou se foi sob encomenda. De qualquer forma, o tabuleiro político começa a se movimentar em Dourados e tudo indica que muitos nomes estarão fora da disputa antes mesmo de 2020 chegar.

Rodovia Bloqueada

O bloqueio da MS-156, no trecho que liga Dourados a Itaporã, repercutiu hoje na Assembleia Legislativa. O deputado estadual Neno Razuk (PTB) ocupou a tribuna da Casa para denunciar que os vereadores Madson Valente (DEM) e Olavo Sul (Patriota) estariam por trás do movimento que envolve estudantes do Ensino Superior em protesto contra a falta de transporte gratuito pela Prefeitura de Dourados. Detalhe: transporte de universitários não é obrigação municipal, nem estadual, nem federal. E agora?

Postos Desativados

A proposta da secretária municipal de Saúde, Berenice Machado de Oliveira, de fechar postos de saúde para ampliar a mão-de-obra em outras unidades que passariam a atender até mais tarde lembra o velho ditado popular que diz que não adianta descobrir um santo para cobrir outro. Mais grave: quando foi presidente do Conselho Municipal de Saúde, Berenice sempre se posicionou radicalmente contra fechamento de Unidades de Saúde e agora que está no outro lado do poder quer fazer o que sempre vetou.

Prejuízos Eleitorais

A iniciativa da secretária é de uma bisonhice sem tamanho e poderá causar prejuízos políticos-eleitorais de grande monta à prefeita Délia Razuk. Os moradores da região do Piratininga, por exemplo, que correm o risco de ficar sem a Unidade de Saúde, já saberiam em quem não votar em 2020. A secretária Berenice poderia colocar em prática o velho discurso da “democratização da saúde” e ouvir os moradores dos bairros afetados.

Agentes de Endemias

Olha essa: no município de Dourados vigora a Lei Municipal onde o proprietário de imóvel não pode impedir a entrada de agentes de endemia durante os trabalhos de combate aos focos do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, zica e chikungunya. Quem não permite a entrada dos agentes é multado e aí está o pulo do gato: o pessoal do Centro de Controle de Zoonoses encontrou na lei uma forma de ativar a indústria da multa, multando indiscriminadamente os proprietários de imóveis antes de oferecer a oportunidade para que os mesmos abram os portões para o trabalho.

Vítimas da Gamp

Ex-empregados contratados pela Gamp, organização social que administrava o Hospital Regional de Cirurgias de Dourados por meio de um contrato milionário firmado com o governo do Estado, entraram em contato com a coluna para compartilhar mensagem de WhatsApp trocadas com o secretário de Estado de Saúde. Nas mensagens, Geraldo Resende manda o interlocutor ingressar na Justiça do Trabalho contra a Gamp se quiser receber os direitos trabalhistas que deixaram de ser pagos quando a OS zarpou do Estado.

 Ajustamento Violado

A orientação do secretário de Saúde, sob o argumento que acionar a Justiça é o caminho mais curto para receber, contraria o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a Secretaria de Estado de Saúde e o Ministério Público do Trabalho para o pagamento de encargos sociais atrasados, como recolhimentos ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e contribuições previdenciárias. Resultado: os trabalhadores vão continuar sem receber.

Secretário Calado

Os demitidos lamentam o silêncio do secretário de Estado da Saúde, Geraldo Resende, diante do calote que eles amargam. A reclamação é que o secretário, que figura como o principal defensor da terceirização da saúde pública para as chamadas Organizações Sociais (OS), não estaria se empenhando para fazer cumprir o Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público do Trabalho.

Evangélico X CTCD

A pergunta que não quer calar: até onde o Hospital Evangélico Dr. e Sra. Goldsby King de Dourados, que desfruta das benesses de entidade filantrópica, vai levar a briga com o Centro de Tratamento ao Câncer de Dourados (CTCD) e que pode impedir o acesso de pacientes com câncer aos serviços de radioterapia? Outra questão: será que a nova direção do Hospital Evangélico decidiu apagar da história da unidade o slogan “Porque a Vida não Pode Parar”, numa referência que o HE sempre esteve ao lado da vida em detrimento de questões mercantilistas?

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Ardidas

 

  • Treze senadores que apoiaram a reforma da Previdência, em primeiro turno, votaram contra a mudança proposta pelo governo no pagamento do abono salarial. Outros dois parlamentares que se manifestaram a favor do texto-base faltaram à votação do destaque da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA): Telmário Mota (PTB-RR) e Marcos Rogério (DEM-RO). No início da madrugada, o plenário aprovou um pedido da oposição para manter as regras atuais do abono salarial. Ao todo, 42 senadores votaram pela manutenção do texto da Câmara (era necessário o apoio de 49), e outros 30 se manifestaram contrariamente Com isso, o benefício continuará a ser pago para quem ganha até dois salários mínimos, o que reduzirá o impacto fiscal da reforma da Previdência em R$ 76,4 bilhões nos próximos dez anos, segundo cálculos da equipe econômica. O texto-base da reforma foi aprovado por 56 votos a 19 (folga de sete votos em relação aos 49 exigidos). A votação dos destaques continuará nesta terça-feira (2).  Votaram a favor da reforma e contra a mudança proposta pelo governo no abono salarial os senadores: Alessandro Vieira (Cidadania-SE); Alvaro Dias (Podemos-PR); Dario Berger (MDB-SC); Eduardo Braga (MDB-AM); Eduardo Girão (Podemos-CE); Espiridião Amin (PP-SC); Flávio Arns (Rede-PR); Jorge Kajuru (Patriota-GO); Kátia Abreu (PDT-TO); Mara Gabrilli (PSDB-SP); Reguffe (Podemos-DF); Rodrigo Cunha (PSDB-AL) e Styvenson Valentim (Podemos-RN). O senador Otto Alencar (PSD-BA) teve posição diferente: votou contra a reforma, mas a favor da mudança proposta pelo governo. Cid Gomes (PDT-CE), que também votou contra a reforma, faltou à segunda votação. Faltaram à sessão e não participaram de nenhuma das votações os senadores Marcos do Val (Cidadania-ES), que passou mal durante o dia foi internado, Jader Barbalho (MDB-PA), Maria do Carmo (DEM-SE), Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) e Rose de Freitas (Podemos-ES).
  • A Polícia Federal e o Ministério Público Federal cumprem hoje 14 mandados de prisão contra auditores e analistas da Receita Federal, em desdobramento da Lava Jato. O principal alvo é o auditor Marco Aurelio Canal, supervisor de programação da Receita na própria Lava Jato do Rio. Além dos cinco mandados de prisão temporária e nove preventivos, são cumpridos outros 39 de busca e apreensão. Segundo a PF, a investigação começou depois que um colaborador da Operação Lava Jato foi instado a pagar suborno a fiscais da Receita para não ser autuado. Os investigadores afirmam que identificaram patrimônios dissimulados e o uso de informações privilegiadas para beneficiar terceiros. De acordo com os policiais federais, o grupo usava peças de inquéritos e de processos, principalmente as que tratavam de acúmulo de patrimônio ou de movimentação financeira do envolvido, para cobrar propina da vítima em troca do cancelamento de multas milionárias por sonegação fiscal. O empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, investigado na Operação Lava Jato, contou ao Ministério Público que foi procurado pelo grupo de auditores fiscais. Ricardo disse que os servidores, liderados por Marco Aurelio, exigiram propina para arquivar as ações fiscais abertas contra ele. Alvo da Operação Rizoma, de abril do ano passado, o empresário é apontado pelos investigadores como o maior operador de fundos de pensão no país.
  • Marco Aurelio foi acusado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante uma entrevista à GloboNews, como o auditor responsável pelo vazamento de dados fiscais sobre ele e sua mulher, Guiomar Feitosa. A Receita negou que o casal estivesse sendo investigado. “Eu sei que houve abuso por parte da Receita, e a Receita sabe que houve abuso nesse caso. Mas, tenho curiosidade de saber quem mandou a Receita fazer (a investigação). O que se sabe é que quem coordenou essa operação é um sujeito de nome Marco Aurélio da Silva Canal, que é chefe de programação da Lava Jato do Rio de Janeiro. Portanto, isso explica um pouco esse tipo de operação e o baixo nível. Às vezes, querem atingir fazendo esse tipo de coisa. Estão incomodados com o quê? Com algum habeas corpus que eu tenha concedido na Lava Jato?”, reclamou o ministro.
  • A Câmara aprovou nesta madrugada a proposta que prevê o teto de gastos  para  as campanhas eleitorais municipais de 2020.  Como aprovada na redação final, ficou estabelecido o teto de gastos igual ao de 2016, corrigido pela inflação. Cada candidato pode doar até  10%  do teto de gastos  do seu município para sua própria campanha. Em 2016,  Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu por limitar como teto 70% do valor investido em 2012. Sendo assim, ficou aprovado que o valor a ser gasto em 2020 nas campanhas municipais, equivale a 70% dos valores gastos em 2012, corrigida a inflação. A sessão foi tumultuada devido a um destaque apresentado pelo novo, que previa que os candidatos pudessem doar para suas próprias campanhas valores indeterminados, desde que não ultrapassasse o teto de gastos. O deputado Marcel Van Hattem (NOVO-RS) encontrou muita resistência enquanto apresentava a proposta, recebendo por duas vezes vaias do parlamento. O texto aprovado não foi o mesmo que chegou no plenário no fim da tarde de terça-feira (1). Foi apresentado, de última hora, um substitutivo, ou seja, uma proposta alternativa, que é a que foi aprovada.