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Presidente da Funsaud demite servidor que operava em fraude da lavanderia

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Malagueta – 19/02/2019

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Presidente da Funsaud exonera, somente agora, servidor que operava em fraude da lavanderia

Depois que a Malagueta informou, na semana passada, que a Controladoria-Geral da União (CGU) havia flagrado irregularidades no contrato com a Bataline e Gomes LTDA – ME, que tem atual nome fantasia de Global Serv Prestadora de Serviços, e que venceu o contrato milionário para prestar serviços de lavanderia ao Hospital da Vida e à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), o diretor-presidente da Fundação de Serviços de Saúde (Funsaud), Daniel Fernandes Rosa, decidiu agir. Com meses de atraso, o diretor-presidente editou a Portaria 016/2019 revogando a Portaria 068/2017 e demitiu o servidor Vaguiner Meirelles da Silva do cargo de Supervisor de Higienização e Hotelaria da Funsaud. A coluna denunciou que a CGU encontrou fraude na execução do contrato, no qual um funcionário da Funsaud turbinava o peso de lençóis, fronhas, cobertores e aventais usados no Hospital da Vida e na UPA 24 Horas, ou seja, saiam 100 quilos por dia e eram computados 150 quilos.  Ao ser informado sobre as irregularidades no contrato fixado em R$ 1.200.600,00 (um milhão, duzentos mil e seiscentos reais), já que a investigação encontrou uma agenda com as anotações sobre o peso real dos lençóis, fronhas, cobertores e o peso inventado pelos larápios do dinheiro público, o diretor-presidente da Funsaud, Daniel Fernandes Rosa, havia se limitado apenas a paralisar os pagamentos à Global Serv Prestadora de Serviços. Tão logo abocanhou o contrato de R$ 1,2 milhão, a Bataline e Gomes conseguiu firmar convênio com a Agência do Sistema Penitenciário (Agepen) para montar a tal lavanderia na Penitenciária Estadual de Dourados (PED) e com isso usar mão de obra barata dos detentos para lavar lençóis, fronhas, cobertores e aventais usados no Hospital da Vida e na UPA 24 Horas. De quebra, a empresa contratou Thiago Caetano Alves, então chefe de Gabinete do vereador Júnior Rodrigues (PR), que era líder da prefeita Délia Razuk (PR) na Câmara Municipal, para exercer o cargo de gerente da lavanderia.

Outras Demissões

O diretor-presidente da Fundação de Serviços de Saúde, Daniel Fernandes Rosa, também demitiu a servidora Sandra Regina Soares Mazarim, que respondia pela Diretoria-Administrativa da Funsaud desde 27 de fevereiro de 2018 por força do Decreto 827/2018, assinado pela então procuradora-geral do município, Lourdes Peres Benaduce. Diz a lenda que a dona Sandra Regina embolsava salário mensal de R$ 12 mil na Funsaud. Quem procurar, vai encontrar caroço nesse angu. Quer ver?

Relação Suspeita

A agora ex-diretora-administrativa da Funsaud, Sandra Regina Soares Mazarim, que respondia pela Diretoria-Administrativa foi empregadora do ex-segurança Ronaldo Gonçalves Menezes, que posava de legítimo proprietário do Restaurante e Marmitaria Sabor Gourmet/Marmiquente, e que foi preso semana passada na Operação Purificação, da Polícia Federal, que apurou fraude no contrato com a Funsaud. Ronaldo trabalhava como segurança para Sandra Regina, mas virou o próspero empresário do ramo de alimentação tão logo o “casal 20” ganhou cargos de destaque na Prefeitura de Dourados.

Marmita para Patrão

Enquanto Sandra Regina Soares Mazarim respondia pela Diretoria-Administrativa da Funsaud, o maridão Raphael Pardal ocupava cargo de diretoria na Secretaria Municipal de Saúde e ambos assistiam de longe o sucesso empresarial do ex-funcionário Ronaldo Gonçalves Menezes que, sem nenhuma panela ou fogão, abriu a Marmiquente para abocanhar um contrato de R$ 1,8 milhão para fornecer alimentação aos pacientes, acompanhantes e servidores de plantão no Hospital da Vida e na UPA. Espia só!

Promotoria na Câmara

Os promotores de Justiça João Linhares Júnior e Ricardo Rotunno vão se reunir com os vereadores de Dourados hoje, a partir das 14h30, na Câmara Municipal, para entregar os documentos referentes às investigações das Operações Cifra Negra, que desvendou um esquema de corrupção na Câmara de Vereadores, e Pregão, que desmascarou esquema de corrupção na Secretaria Municipal de Fazenda da Prefeitura de Dourados.

Provas Emprestadas

As provas serão usadas para validar os processos de cassação dos mandatos dos vereadores-afastados Pedro Pepa (DEM), Cirilo Ramão (MDB), Idenor Machado (PSDB) e do suplente Dirceu Longhi (PT), todos acusados de formar o Bando do Pepa, que fraudava licitações na Câmara de Dourados, bem como da vereadora-afastada Denize Portolann (PR), acusada de fraudes enquanto comandava a Secretaria Municipal de Educação.

Autorização Judicial

O compartilhamento das provas apuradas pelo Ministério Público Estadual e pela Polícia Civil foi autorizado pelo Poder Judiciário e visa contribuir com os trabalhos das comissões processantes responsáveis pela investigação por quebra de decoro parlamentar dos acusados. O problema é que todas as comissões são presididas e tem como relatores os vereadores que deram suporte ao Bando do Pepa durante o processo de eleição da Mesa Diretora.

Pizzaria Legislativa

Apesar do apoio de dezenas de entidades de classe de Dourados ao movimento que pede a cassação dos mandatos dos vereadores-afastados, sendo que três deles estão atrás das grades atualmente (Cirilo, Idenor e Denize), a versão mais forte é que no âmbito das Comissões Processantes tudo vai acabar em pizza. Isso porque, com exceção do suplente Dirceu Longhi, os demais faziam parte da base de sustentação do Executivo Municipal na Câmara e gozam de amplo prestígio com os colegas das Comissões Processantes.

Farra do Sistema S

A Operação Fantoche, desencadeada pela Polícia Federal em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU) para desarticular Organização Criminosa voltada a prática de crimes contra a administração pública, fraudes licitatórias, associação criminosa e lavagem de ativos, chegou ao Mato Grosso do Sul e se instalou no núcleo da Federação das Indústrias de MS, a poderosa Fiems, que opera parte do chamado Sistema S no Estado.

Fraudando o Sistema

A investigação apontou que a roubalheira consistia na utilização de entidades de direito privado sem fins lucrativos para justificar celebração de contratos e convênios diretos com o Ministério do Turino e Unidades do Sistema S, contratos estes, em sua maioria, voltados à execução de eventos culturais e de publicidade superfaturados e/ou com inexecução parcial, sendo os recursos posteriormente desviados em favor do núcleo empresarial por intermédio de empresas de fachada.  Foram cumpridos mandatos nos Estados de Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo, Paraíba, Distrito Federal, Alagoas e Mato Grosso do Sul.

Silêncio na Fiems

Sempre tão afeito à mídia, o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul, Sérgio Longen, ainda não se manifestou sobre as investigações da Polícia Federal nos braços do Sistema S mantidos pela Fiems. Quem sabe agora comece a aparecer os motivos da forte atuação política-partidária do senhor Sérgio Longen, que era uma espécie de mecenas para deputados estaduais, prefeitos e até vereadores de Mato Grosso do Sul. Vai vendo!

Leia também…

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2- Lavanderia que venceu licitação milionária em Dourados é próximo alvo das autoridades 

 

Ardidas

  • O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, é um dos dez presos na Operação Fantoche, desencadeada hoje pela Polícia Federal para investigar esquema de corrupção envolvendo contratos entre empresas ligadas a uma mesma família, o Ministério do Turismo e o Sistema S no valor total de R$ 400 milhões. Segundo a Polícia Federal, a maior parte dos contratos tratava da execução de eventos culturais e de publicidade superfaturados ou que não foram concluídos, com recursos desviados por meio de empresas de fachada. “A atuação do grupo consistia na utilização de entidades de direito privado, sem fins lucrativos, para justificar celebração de contratos e convênios diretos com o ministério e unidades do Sistema S. Tais contratos, em sua maioria, voltados à execução de eventos culturais e de publicidade superfaturados e/ou com inexecução parcial, sendo os recursos posteriormente desviados em favor do núcleo empresarial por intermédio de empresas de fachada”, afirma a Polícia Federal em nota. Robson Andrade foi preso no início da manhã em São Paulo. Ele assumiu a presidência da CNI em 2010 e foi reeleito em 2014 e 2018. Seu atual mandato vai até 2022. Além dele, também foram presos: Luiz Otávio Gomes Vieira da Silva; Júlio Ricardo Rodrigues; Lina Vieira da Silva; Luiz Antônio Gomes Vieira; Pedro Costa Cruz; José Carlos Lima de Andrade; Francisco de Assis Benevides Gadelha; Ricardo Essinguer e Jorge Tavares.

  • A Fantoche mira, ainda, o Instituto Origami, Aliança Comunicação e Cultura, Idea Locação de Estruturas e Iluminação, Somar Intermediação e Negócios e Ateliê Produções Artísticas. A CNI controla a parte do Sistema S ligado à indústria, que inclui o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Social da Indústria (Sesi). O presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), Ricardo Essinger, também é alvo de mandado de prisão. Em nota, a CNI confirma a prisão de seu presidente, mas diz não ter conhecimento do teor das investigações: “A Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem conhecimento de que o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade, está na Polícia Federal, em Brasília, prestando esclarecimentos sobre a operação deflagrada na manhã desta terça-feira (19/02). A CNI não teve acesso à investigação e acredita que tudo será devidamente esclarecido. Como sempre fez, a entidade está à disposição para oferecer todas as informações que forem solicitadas pelas autoridades”. A suspeita é de que tenham sido cometidos crimes contra a administração pública, fraudes licitatórias, associação criminosa e lavagem de dinheiro. São feitas buscas em endereços localizados em Brasília, Pernambuco, São Paulo, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Alagoas e Minas Gerais.

  • A operação foi deflagrada por ordem da 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de Pernambuco, que também autorizou o sequestro e bloqueio de bens e valores dos investigados. O Ministério do Turismo diz que nenhum contrato foi assinado pela atual gestão e que a pasta já havia cancelado convênio no valor de R$ 1 milhão antes de tomar conhecimento das investigações da PF. A ação tem o apoio do Tribunal de Contas da União (TCU) e envolve 213 policiais federais e oito auditores da corte. Veja a íntegra da nota do ministério: “Todos os convênios investigados pela Polícia Federal são das gestões dos presidentes petistas Lula e Dilma Rousseff. Desde 2012, o Ministério do Turismo não celebra nenhum convênio com a iniciativa privada, apenas com órgãos públicos. A atual gestão do Ministério do Turismo não assinou nenhum convênio até o momento. Além disso, a Pasta já havia determinado uma auditoria completa em todos os instrumentos de repasse antes mesmo de tomar conhecimento da investigação da Polícia Federal, ação que resultou no cancelamento de um contrato no valor de R$ 1 milhão. O Ministério do Turismo não é alvo das buscas e apreensões da Operação Fantoche e está totalmente à disposição para colaborar com a investigação.”

  • A Polícia Federal prendeu hoje o engenheiro Paulo Vieira de Souza, apontado como operador financeiro do PSDB. Também são cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-senador tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP), que foi ministro das Relações Exteriores no governo Michel Temer. Paulo Vieira foi diretor da Dersa, empresa paulista de infraestrutura rodoviária, em governos do PSDB. As ações fazem parte da 60ª fase da Operação Lava Jato e têm como ponto de partida depoimentos de doleiros e funcionários da Odebrecht. O ex-diretor da Dersa deverá ser transferido de São Paulo para a Superintendência da PF no Paraná. Foi determinado ainda o bloqueio de recursos financeiros dos investigados.  Sem foro privilegiado desde o término de seu mandato de senador, em 31 de janeiro, Aloysio é investigado por ter recebido, no Natal de 2007, em um hotel em Barcelona, na Espanha, um cartão corporativo vinculado a uma conta mantida por Paulo Vieira na Suíça. De acordo com o Ministério Público Federal, o cartão foi emitido um mês após a Odebrecht ter repassado para essa conta cerca de 275 mil euros.  Apontado como operador do PSDB, o ex-diretor da Dersa é acusado de manter R$ 100 milhões em espécie que, segundo o MPF, foram utilizados pela Odebrecht para pagar propina a políticos e abastecer campanhas eleitorais entre 2007 e 2017. Conforme os investigadores, a empreiteira devolvia o dinheiro para o operador por meio de empresas e contas bancárias registradas no exterior. Esta é a terceira prisão de Paulo Vieira em menos de um ano. Nas duas vezes anteriores ele foi solto por determinação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou a medida “patente o constrangimento ilegal”. Na ocasião, ele era acusado de ameaçar uma outra investigada, que o comprometeu em sua delação premiada. Ele também é investigado por desvios nas obras do Rodoanel, entre 2009 e 2011, e por movimentar cerca de R$ 113 milhões em contas na Suíça.
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