São Bento 03

Pente-fino descobre mordomia de presos do PCC em presídio paraguaio

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Presos da facção brasileira PCC (Primeiro Comando da Capital) viviam com mordomia numa cela da Penitenciária de Pedro Juan Caballero, cidade vizinha de Ponta Porã. Durante pente-fino na sexta-feira, policiais paraguaios encontraram uma cela transformada em quarto de luxo com cama box, TV de led, geladeira, cremes hidratantes, videogame e caixa de som da JBL.

A vistoria, feita exclusivamente no pavilhão onde ficam presos ligados à facção brasileira, começou por volta de 5h30 e acabou à tarde. Nas celas do pavilhão do PCC os agentes encontraram porções de crack, pelo menos dez celulares com carregadores e uma centena de facas, algumas artesanais, mas muitas facas de cozinha e de caça. Também foram encontradas garrafas de bebida.

Também foi apreendido um caderno com anotações de movimentações de droga dentro e fora do presídio. Para a polícia, o controle demonstra que os presos continuavam chefiando o tráfico mesmo atrás das grades.

PAVÃO

Presos vivendo com mordomia em cadeias paraguaias não chega a ser novidade. Há dois anos, o governo daquele país descobriu um espaço de luxo ocupado pelo narcotraficante brasileiro Jarvis Gimenes Pavão no Presídio de Tacumbú, em Assunción.

Com cama, ar condicionado, frigobar, cozinha própria e até sala para reuniões, a cela de luxo tinha sido construída pelo próprio traficante durante a reforma do pavilhão, paga por ele. Até um espaço para cultos adventistas foi pago por Pavão no presídio. Toda a estrutura foi demolida dias depois e desde dezembro de 2017 o narcotraficante, natural de Ponta Porã, está no Presídio Federal de Mossoró (RN).

O grupo criminoso de Pavão quase foi extinto em Pedro Juan Caballero e Ponta Porã por ataques supostamente ordenados pelo PCC. Funcionários do narcotraficante, homens de confiança que continuavam tocando o negócio das drogas mesmo com ele na cadeia foram executados a tiros.

Até o tio de Pavão, Francisco Gimenez, ex-vereador e candidato a prefeito de Ponta Porã em 2016 foi morto na guerra do tráfico. Chico, como era conhecido na fronteira, foi morto a tiros de fuzil na casa dele em Ponta Porã, em dezembro do ano passado.

Autoridades paraguaias já estimam haver 400 membros da facção brasileira em presídios do país vizinho. Cerca de 90% das cadeias do país teriam detentos ligados ao grupo criminoso. No Paraguai desde 2010, o PCC ganhou força nos últimos três anos, após a morte de Jorge Rafaat, executado a tiros de metralhadora em Pedro Juan, há três anos.

A guerra entre PCC e Comando Vermelho já produziu mais de uma centena de mortes na região de fronteira. Além da disputa das rotas de tráfico, os grupos passaram a arregimentar mão-de-obra nas prisões. Para manter seu poder sobre os seguidores, os criminosos cooptam agentes e dirigentes do sistema prisional.

Em resposta à ofensiva das facções, o governo paraguaio passou a expulsar os bandidos. Em 2018, foram extraditados 97 presos brasileiros, 60% mais que no ano anterior.

Foto: ABC Color

 

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