O que “Friends” e “Chaves” têm em comum? Descubra aqui!

Seriado mexicano criado nos anos 70 e série americana, que completa 25 anos neste domingo, têm características parecidas. Ao G1, autor de livro sobre ‘Friends’ explica fascinação.

 

Por Braulio Lorentz, G1

Uma personagem feminina descolada e que às vezes gosta de tirar vantagem dos outros faz uma proposta a um personagem masculino com fama de ingênuo (para não dizer burro).

“Cara eu ganho, coroa você perde”, diz ela, segurando uma moeda. O rapaz olha com jeitinho de bobo e, obviamente, perde. Ou deixa de ganhar.

A piada está em “Friends”, estrelada por Rachel e Joey. E está em “Chaves”, com Chiquinha e Quico.

Mas você assiste mesmo assim. Neste e em outros casos, fãs de “Chaves” e “Friends” dão risada antes do desfecho da piada.

O seriado mexicano criado nos anos 70 e a série americana, que completa 25 anos neste domingo, também têm em comum:

  • O núcleo central formado por vizinhos e suas relações simples de entender
  • Os personagens principais, no geral, caricatos, exagerados e infantilizados
  • Repetição de bordões e de situações com as quais você já está familiarizado
  • Se você estiver distraído, os dois seriados te ajudam com risadas falsas marcando cada momento engraçado do roteiro

“É essa sensação de estar em um espaço confortável e familiar que é uma das principais fontes de fascinação da série”, diz o jornalista Saul Austerlitz ao G1.

O repórter que já colaborou com a revista “Rolling Stone” e o jornal “New York Times” acaba de lançar o livro “Generation Friends: An Inside Look at the Show That Defined a Television”.

“A familiaridade se torna parte da fascinação. A série serve como uma espécie de comida reconfortante, para animar as pessoas quando estão deprimidas ou distraí-las quando estão tristes, solitárias ou com medo.”

‘HOW YOU DOIN, GENTALHA?’

Os protagonistas de “Chaves” e os de “Friends” formam um grupo de amigos que parece quase uma família. E os papéis de cada um na hora de escolher quem fica com qual piada são muito bem definidos.

Há muitos bordões, recursos usados para reforçar as características do personagem. Joey já disse seu famoso “How you doin’?” menos vezes do que Quico disse “Gentalha! Gentalha!”, mas o efeito em quem ouve essas expressões é parecido.

A quase ausência de nuances faz as séries serem a melhor escolha para “desligar” o cérebro. Goste ou odeie, você tem que assumir o quão reconfortantes elas são para quem assiste.

O MELHOR CASAL DE ‘FRIENDS’?

O livro “Generation Friends” tem várias páginas defendendo a relação entre Chandler (Matthew Perry) e Monica (Courteney Cox) como pilar da série.

O affair quase rolou na segunda temporada, mas acabou se concretizando apenas na quarta. O adiamento se deu porque havia um medo de que os fãs sentissem que a relação era quase incestuosa. Por isso, o caso dos dois foi sendo testado aos poucos, com idas e vindas.

A ideia de um romance mais leve, sem os desencontros de Ross e Rachel, ajudou a consolidar a série como sucesso de audiência.

A segunda metade da história de “Friends” tem bem menos conflitos do que a primeira e assumiu de vez o rótulo de “uma série que te abraça’.

UMA VIDA SEM BOLETOS

A equipe de roteiristas por trás de “Friends” sabia que a força da série estava na “irmandade” dos seis amigos. A dinâmica funcionava muito pela solteirice dos seis. Eles eram jovens adultos, com problemas leves, na maioria das vezes.

Problemas que poderiam ser sérios no mundo real não parecem ter o mesmo peso nos seriados. Quando Seu Madruga vai pagar os 14 meses que deve de aluguel? Nunca. Só uma vez ele foi quase despejado, mas Seu Barriga voltou atrás.

Boletos a pagar eram raros em “Friends”. O trabalho misterioso de Chandler e o apartamento herdado da avó de Monica evitavam papos sobre o alto custo de vida em Nova York. Eram muletas no roteiro para que assuntos sérios não tivessem que ser tratados.

“Exista a ideia dessas amizades indestrutíveis, que não são afetadas pelo tempo. A série é como um guia para jovens adultos, com a promessa de que tudo vai mudar, mas dentro da redoma da amizade”, explica Austerlitz.

Também por isso, “Friends” é uma série tão fácil. E com tanto sucesso.

Jeep

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