Novo escândalo na Agepen, agora com detento baleado na PED 

 

A lei mesmo

Diante disso tudo que a coluna inteira está relatando hoje, é preciso saber como os órgãos competentes vão se comportar. Ao que parece, um ponto super importante a ser esclarecido: porque os comandantes da Agepen não relataram o caso ao secretário estadual de Segurança Pública. É muito estranho!

 

Corpo de delito

O exame de corpo de delito tem como objetivo de detectar lesões causadas por ato ilegal ou criminoso. O artigo 158 do Código de Processo Penal dispõe: “Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado”. Portanto, próprio texto legal traz esse meio como “indispensável”, não existindo margem para seu suprimento.

 

Historinha

Pra variar um pouco, eis que surge mais uma história mal contada envolvendo a PED (Penitenciária Estadual de Dourados) e a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário). Desta vez, o caso se refere a um detento que foi baleado na madrugada de quarta-feira passada e que só veio a público dois dias depois.

Historinha, ainda

Conforme apurado pela coluna, que também ouviu alguns passarinhos bem informados e teve acesso à íntegra do Boletim de Ocorrência registrado na Polícia Civil, a confusão é grande. Isto quer dizer que está aí mais uma bela história que precisa ser realmente solucionada e contada a verdade para a sociedade sul-matogrossense.

Mais historinha

Conforme mostra reportagem publicada na página 5 desta edição, o caso começou por volta das 2h30 (madrugada de quarta-feira). Houve tentativa de fuga na PED e um preso foi baleado. O BO foi elaborado às 10h42.

Sem historinha

Só que ninguém ficou sabendo de nada. Além dos envolvidos, claro. Mas é certo que existe um detento baleado (e é preciso saber de quem partiu o tiro, né, se foi da arma de um policial militar ou mesmo de um agente penitenciário). E se foi de um agente, com arma de quem e como é que esta arma estava no presídio. Alguém precisa responder.

UPA

A verdade é que na mesma madrugada o preso, que é de Anápolis (GO), bem pertinho de Brasília, foi levado até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Dourados. No local foi medicado e durante o procedimento foi constatado que havia uma bala alojada na perna. Esta informação é da própria Agepen.

UPA, ainda

Ao ‘Campo Grande News’, na sexta-feira, a Agepen informou que o médico que atendeu o preso avaliou que não seria necessária cirurgia de urgência para retirada da bala. Depois de medicado, ele foi levado de volta para o presídio e, pelo menos até ontem, ainda aguardava cirurgia para remoção do projétil.

BO

O interessante é que no histórico do Boletim de Ocorrência não existe qualquer menção a essa situação. E, pior, nem mesmo o nome do preso baleado aparece entre os envolvidos. Coisa esquisita. Será que o detento J.P.P.F., que tem 26 anos, virou fantasma naquela madrugada e só apareceu na sexta, quando o caso se tornou público para a mídia estadual?

BO na UPA

Bom, já que o rapaz foi atendido na madrugada na UPA, certamente lá existe um prontuário detalhando o procedimento que foi realizado. Mas, por que não foi relatado no BO da Polícia Civil o que aconteceu com o preso baleado? Coisa esquisita!

Sem BO

Ao radialista Osvaldo Duarte, da Grande FM, o delegado do 2* Distrito Policial, Marcelo Batistela, confirmou o registro do Boletim de Ocorrência e ressaltou que não havia declaração de qualquer preso ferido por arma de fogo. Dessa forma, não houve solicitação por parte do delegado de um exame de corpo de delito. Só que agora é sabido que existe um detento baleado e, portanto, novas medidas precisam ser adotadas.

Visita

No meio disso tudo, na quinta-feira, o presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, e o diretor de operações, Acir Rodrigues, saíram de Campo Grande e foram parar na PED. Mesmo assim, não se tem conhecimento de que algum ato ou providência tenha sido realizado. Resumo da ópera: o detento baleado continuou ‘fantasminha’ e isolado.

Sem visita

Ave amarela piou que a família do detento está tentando entrar em contato com o dito cujo, mas não havia conseguido saber dele até a tarde de ontem. Diz que os familiares foram informados da bala por outros detentos. Vixi!

Surpresa

O desencontro desse caso ainda fica mais evidente porque o secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira, só teria ficado sabendo do caso do detento baleado, na sexta-feira, ouvindo a rádio Grande FM.

Surpresa, ainda

Diz que ele estava ouvindo o programa ‘Patrulha da Cidade’ e foi surpreendido com a notícia. Foi aí que ele teria determinado que o preso fosse levado a um hospital imediatamente. Uai, se foi assim, por que os mandantes da Agepen não contaram pra ele sobre o tiro?

A lei

Advogado que entende do assunto esclareceu à coluna que casos como esse ocorrido na PED e diante de tanta confusão, devem ser apurada a prática dos atos ilícitos de prevaricação, falsidade ideológica e obstrução a justiça, além das violações aos direitos humanos e ao princípio da dignidade da pessoa humana.