São Bento 02

Demitido por Délia, coronel-patinhas ensaia governo paralelo em Dourados

compartilhe:

Demitido por Délia, coronel-patinhas ensaia governo paralelo em Dourados

O coronel da reserva do Exército Brasileiro, Paulo César Nogueira Junior, que ganhou o codinome na Prefeitura de Dourados de “coronel Patinhas”, por insistir em tratar o dinheiro do município como se fosse dele, não conseguiu se desapegar do cargo de secretário municipal de Fazenda e ontem chegou a participar de uma reunião, no gabinete do comandante da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, general Lourenço William da Silva Ribeiro Pinho, onde foram discutidos, pasmem, a assinatura de contratos entre a Prefeitura de Dourados e a Fundação Getúlio Vargas. Detalhe: a prefeita Délia Razuk, que é quem tem a prerrogativa de firmar ou não contratos com quem quer que seja, não participou da reunião com os técnicos da FGV. A Malagueta apurou que Paulo César Nogueira Junior aproveitou o tempo em que esteve no comando da Secretaria Municipal de Fazenda para iniciar uma série de negociações com a Fundação Getúlio Vargas para contratação, sem licitação, de serviços como a elaboração do Plano Diretor do Município; Modernização da Estrutura de Arrecadação Municipal e, também, de revisão do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR) dos servidores municipais. Todas as tratativas com a FGV estavam correndo à revelia da prefeita Délia Razuk, que somente após ter demitido Paulo César Nogueira Junior ficou sabendo que apenas com a contratação da elaboração do Plano Diretor a Prefeitura de Dourados iria gastar R$ 1,2 milhão. O então secretário havia desprezado, inclusive, um trabalho de campo que vem sendo realizado há quase 3 anos por técnicos da própria prefeitura na elaboração do Plano Diretor, que estaria, inclusive, mais de 90% concluído e deverá ser levado em breve à Câmara de Vereadores. Vai vendo!

Prefeitando na Caserna

O que não se entende nesse momento é porque a reunião com os tais técnicos da Fundação Getúlio Vargas ocorreu no gabinete do comandante da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, general Lourenço William da Silva Ribeiro Pinho, inclusive com a participação de integrante do Ministério Público Estadual (MPE). Como era para discutir questões de competência exclusiva do Poder Executivo, o tal encontro não deveria ter sido agendado para o gabinete da prefeita Délia Razuk?

Caserna Prefeitável

Outra questão que não quer calar: qual o motivo real da presença do coronel da reserva do Exército Brasileiro, Paulo César Nogueira Junior, na reunião com os técnicos da Fundação Getúlio Vargas, se o mesmo foi demitido, junto com toda sua equipe, pela prefeita Délia Razuk? A coluna apurou que a prefeita foi convidada a participar da reunião pelo próprio general Lourenço William da Silva Ribeiro Pinho e não compareceu porque não havia feito qualquer tratativa com a FGV.

Fundação Investigada

Também causa estranheza o fato do ex-secretário ter iniciado conversas para contratar uma entidade que está com sua credibilidade maculada pela acusação de corrupção. O Ministério Público do Rio de Janeiro instaurou inquérito civil para investigar a Fundação Getúlio Vargas em atos de improbidade na assinatura de um termo de cooperação técnica entre a instituição de pesquisa e ensino e o Estado do Rio de Janeiro, a partir da gestão do ex-governador Sérgio Cabral, condenado e preso no âmbito da Operação Lava-Jato no Rio. A FGV prestava serviços para o governo carioca desde 2007, e embolsou milhões de reais em contratos sem licitação.

Contratos Viciados

A entidade que o coronel do Exército, Paulo César Nogueira Junior, queria levar para dentro da Prefeitura de Dourados é suspeita de ter firmado termo de cooperação com o governo do Rio de Janeiro para viabilizar a celebração de contratos com dispensa e/ou inexigibilidade de licitação para a prestação de assessoria técnica, onde parte dos recursos recebidos era devolvido aos agentes públicos em forma de propina. Vai vendo!

Remember Oliva

Paulo César Nogueira Junior chegou à Prefeitura de Dourados pelas mãos do secretário municipal de Governo, Celso Antônio Schuch dos Santos, juiz aposentado que conta vantagem de mandar no Ministério Público Estadual e no Poder Judiciário de Dourados, onde atuou como magistrado. A postura atabalhoada do ex-juiz rendeu a ele o apelido de “Nero” entre os servidores mais próximos da prefeita Délia Razuk, numa alusão ao imperador romano Nero Cláudio César Augusto Germânico, que ficou marcado pelo espírito incendiário.

Demissão Anunciada

A queda do pupilo de Celso Antônio Schuch dos Santos começou a ser desenhada quando ele passou a dificultar a realização de licitações necessárias, urgentes e emergentes, sobretudo na área da saúde, e foi concluída quando o coronel da reserva se negou a obedecer uma ordem direta da prefeita Délia Razuk para suspender os cortes nos gastos com serviço de limpeza da cidade. A prefeita ponderou que esses cortes poderiam favorecer o surgimento de epidemia de dengue e o coronel-patinhas disse que ela não sabia o que estava falando.

Assessores na Boleia

Junto com Paulo César Nogueira Junior, a prefeita exonerou todo time que ele havia levado para a Secretaria Municipal de Fazenda: Carlos Augusto Nantes Harb, Juliander Braga do Nascimento, Oswaldo Arnez, Paulo Andrade Silva, Rafael Rodrigues Poloni, Ramao Soilo Felix dos Santos, Rayter Abib Salomão e Vitor da Silva Natividade. Juntos, eles consumiam R$ 38.326,07 mensais em salários.

Tucana Prefeitável

A deputada federal Rose Modesto (PSDB) está de malas prontas para se filiar ao Democratas e, com isso, disputar a Prefeitura de Campo Grande numa eleição polarizada com Marquinhos Trad (PSD). Como o PSDB se comprometeu a não lançar nenhum nome para não atrapalhar os planos do prefeito Facebook, agora terá que expulsar Rose Modesto da legenda para que ela se viabilize por outra legenda. A expulsão, na verdade, não passa de manobra tucana para não quebrar o acordo com os Trad, já que Rose Modesto receberá todo apoio da máquina na campanha.

Tucano Prefeitável

É muito provável que o deputado estadual Marçal Filho (PSDB) trilhe o mesmo caminho da deputada federal Rose Modesto. Como já percebeu que não terá espaço para disputar a Prefeitura de Dourados pelo PSDB, em razão de acordos firmados pela cúpula tucana com o Democratas, o deputado deverá mudar de partido até o final de setembro. Diz a lenda que as conversas estão bem adiantadas com o ex-governador André Puccinelli e com o deputado estadual Renato Câmara, que recuaria na candidatura em Dourados para apoiar Marçal Filho. Espia só!

Vigilância do MP

A Corregedoria do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio do Corregedor-Geral, Marcos Antonio Martins Sottoriva, e do Corregedor-Geral Substituto, Antonio Siufi Neto, está realizando desde ontem correição nas Promotorias de Justiça da região de Dourados. Ontem os promotores estiveram nas comarcas de Angélica, Nova Andradina e Batayporã. Hoje estão nas comarcas de Anaurilândia, Glória de Dourados e Fátima do Sul.

 

Ardidas

  • O presidente da Sanesul, Walter Carneiro Junior, confirmou à Malagueta que a liminar concedida juiz José Domingues Filho, da 6ª Vara Cível de Dourados, impedindo a assinatura do contrato que permitiria à empresa continuar a prestar serviço no município, vai afetar investimentos em saneamento básico na cidade. Ele garante que a negociação, aprovada pela Câmara Municipal, vinha sendo discutida ao longo de oito meses e não conta com ilegalidades. O Ministério Público Estadual aponta falta de licitação e violações à lei federal 11.445/2007, que fixa as diretrizes nacionais de saneamento básico. O presidente da Sanesul ressalta que as tratativas com a Prefeitura de Dourados começaram em janeiro, envolvendo análises legais, técnicas e ambientais e a sociedade civil. Dentre os compromissos firmados para o novo período de concessão, explicou o presidente da Sanesul, está o compromisso de investimentos na ordem de R$ 160 milhões. “A prefeitura encaminhou à Câmara lei autorizativa, que foi aprovada por unanimidade e liberava a renovação com um plano de investimentos para os próximos 30 anos”, apontou Carneiro, frisando que, entre as metas, está a universalização do esgotamento sanitário da cidade. Para o presidente da Sanesul, o que há no momento são “divergências de interpretação da lei por conta dos critérios técnicos”, que passa pelo investimento e o fluxo de caixa gerado. “Tem de haver o equilíbrio financeiro-econômico para sustentar a concessão em pé”, pontuou. Walter Carneiro afirmou que a incerteza jurídica põe em xeque mais de R$ 100 milhões em investimentos já previstos em contratos assinados e em execução.

 

  • Levantamento dos gastos de deputados estaduais de Mato Grosso do Sul com atividade parlamentar noticiado pela imprensa da capital mostra que entre os de Dourados, Marçal Filho (PSDB) é quem menos gasta com recursos públicos. Dos 24 parlamentares da Assembleia Legislativa, ele é o segundo que mais economizou. Conforme o site O Jacaré, houve elevação de 19% das despesas da Casa de Leis. Contudo, a publicação detalha que os três deputados mais econômicos são Capitão Contar (PSL), que gastou R$ 123,5 mil da cota parlamentar de janeiro a julho, e Marçal Filho (PSDB), que utilizou R$ 128,6 mil no mesmo período. Dos parlamentares estaduais que são de Dourados, nenhum outro foi mais econômico do que Marçal. Prevista em lei, a cota para atividade dos deputados estaduais prevê que eles possam utilizar até R$ 36,3 mil por mês. Contudo, tanto Contar quanto Marçal Filho têm recorrido a valores menores dos que podem solicitar. Na média calculada pelos sete meses analisados pela imprensa campo-grandense, Contar usou R$ 20,5 mil por mês e Marçal R$ 21,4 mil.

 

  • Em manifestação enviada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a procuradora Geral da República, Raquel Dodge, defende a decisão da Justiça Eleitoral do Mato Grosso e pede a execução imediata da pena de perda de mandato contra a senadora Juíza Selma (PSL-MT), assim como a realização de novas eleições para a vaga. A senadora foi condenada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), junto com seus suplentes, por abuso de poder econômico e prática de caixa 2 de campanha ao Senado em 2018. De acordo com o desembargador Pedro Sakamoto, relator do processo no TRE do Mato Grosso, Juíza Selma realizou “enorme quantidade de gastos tipicamente eleitorais no período de pré-campanha” e “ainda efetuou uma série de gastos eleitorais em período eleitoral, os quais não transitaram em conta corrente da campanha”. O processo indica que a senadora gastou mais de R$ 855 milhões antes do período legal de campanha e pouco mais de R$ 376 milhões sem registro contábil na prestação de contas de campanha. Na manifestação enviada ao TSE, a PGR destaca que o limite de gastos para o cargo de senador nas eleições de 2018 em Mato Grosso era de R$ 3 milhões e somente a captação ilícita de recursos pela chapa encabeçada por Juíza Selma alcançou o percentual de 50% do teto de gastos para a disputa. Parte do recurso foi viabilizado por um empréstimo, antes do período de campanha, firmado entre a parlamentar e seu suplente Gilberto Possamai (PSL), que não foi informado à Justiça Eleitoral. A senadora foi eleita com a plataforma de combate à corrupção e se comparando com o atual ministro da Justiça, Sergio Moro. Durante o processo, sua defesa argumentou que a jurisprudência aponta no sentido de que não se caracteriza o abuso de poder econômico o uso de recursos próprios na campanha antes do período eleitoral, como foi o caso. Em nota divulgada em abril, quando a Justiça Eleitoral do Mato Grosso confirmou a cassação do mandato, a senadora comentou que estava tranquila com seus atos e que vai provar sua boa-fé.

 

  • Diante das dificuldades de encampar a CPI da Lava Toga, o grupo de senadores que defende a investigação do Judiciário decidiu convocar os brasileiros que apoiam esta pauta para um protesto na Praça dos Três Poderes. A ideia é que a população, que já vem pedindo nas redes sociais que o Supremo Tribunal Federal seja investigado, aumente a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que tem o poder de ler ou não esse pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). A ideia de organizar um protesto na Praça dos Três Poderes a partir das 14h do próximo dia 25 surgiu durante uma reunião dos integrantes do Muda Senado, Muda Brasil – movimento que conta com o apoio de mais de 20 senadores e defende três pautas principais: a CPI da Lava Toga, o impeachment do ministro Dias Toffoli e a reforma do poder Judiciário. A reunião, que aconteceu no gabinete no senador Marcos do Val (Podemos-ES), foi convocada para que os parlamentares discutissem o rumo do pedido de CPI da Lava Toga que seria protocolado nos próximos dias pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), já que a senadora Maria do Carmo (DEM-SE) decidiu tirar a assinatura deste requerimento. Sem a assinatura de Maria do Carmo, os senadores não conseguem protocolar o pedido de CPI porque ficam com 26 assinaturas – uma a menos do que o exigido pelo regimento do Senado para um requerimento como este. A senadora, contudo, não explicou o motivo dessa decisão ao autor do requerimento, o senador Alessandro Vieira. Ela também não atendeu o Congresso em Foco para comentar a situação. Porém, nos bastidores, o comentário é que ela vinha sofrendo pressão para enfraquecer o pedido. Vieira garante, contudo, que outros senadores já se comprometeram a apoiar a CPI e, por isso, promete protocolar o requerimento nos próximos dias. “É só uma questão de tempo para materializar isso”, assegura.
Jeep

WHATSAPP DIÁRIO

Logo whatsapp Diario MS