São Bento 02

Júnior Rodrigues rifa os 3 vereadores afastados para tentar salvar o próprio mandato

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Coluna Malagueta – 19/06/2019 – Jornalista Marcos Santos –

Júnior Rodrigues rifa Idenor, Pepa e Cirilo para tentar salvar o próprio mandato

O vereador Júnior Rodrigues (PR), que enfrenta processo de cassação de mandato por quebra de decoro parlamentar por suposto envolvimento em esquema de favorecimento de empresa na Fundação de Serviços de Saúde de Dourados (Funsaud), está rifando antigos aliados para tentar salvar o próprio pescoço. A história, apurada desde o início da semana pela Malagueta, é cabeluda: apostando que o presidente da Câmara de Vereadores, Alan Guedes (DEM), vai atender a recomendação do promotor de Justiça, Ricardo Rotunno, da 16ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Dourados, de anular as sessões que livraram Pedro Pepa (DEM), Idenor Machado (PSDB) e Cirilo Ramão (MDB) da cassação, o serelepe Júnior Rodrigues procurou os suplentes dos três amigos para barganhar o voto. A matemática do Mister Lavanderia é simples: caso Alan Guedes acate a recomendação do Ministério Público haverá nova votação e, nesse caso, ele votaria pela cassação dos mandados dos amigos Pepa, Idenor e Cirilo desde que os suplentes Toninho Cruz (PSB), Marcelo Mourão (PRB) e Marinisa Mizogushi (PSB) votem contra o relatório da Comissão Processante que deverá indicar a perda de mandato dele. Com essa jogada, Júnior Rodrigues conseguiria os votos necessários para escapar da cassação e, ainda, ajudaria os suplentes a ficar em definitivo com os mandatos dos vereadores que estão afastados das funções por ordem do juiz José Domingues Filho, da 6ª Vara Cível de Dourados, em razão da Operação Cifra Negra, que desvendou um esquema de manipulação de licitações no setor de Tecnologia da Informação na Câmara Municipal de Dourados.

Matemática Lavada

O Mister Lavanderia está mesmo em condições de barganhar com os suplentes. Como, em hipotética possibilidade de uma nova votação dos relatórios das Comissões Processantes, bastaria mais um voto para cassar os mandatos de Pedro Pepa, Idenor Machado e Cirilo Ramão, a proposta dele deve estar tirando o sono de Toninho Cruz, Marcelo Mourão e Marinisa Mizogushi. Ainda que os suplentes ganhem o direito de voto numa suposta nova votação dos relatórios, a margem de apenas um voto não seria confortável.

Matemática Política

Na votação do relatório da Comissão Processante de Idenor Machado os seguintes vereadores foram favoráveis a perda do mandato dos investigados: Cido Medeiros (DEM), Madson Valente (DEM), Lia Nogueira (PR), Marcelo Mourão (PRB), Daniela Hall (PSD), Sérgio Nogueira (PSDB), Alan Guedes (DEM), Elias Ishy (PT), Silas Zanata (Cidadania), Olavo Sul (Patriota) e Romualdo Ramim (PDT). De acordo com o Regimento Interno da Câmara, os suplentes Toninho e Marinisa foram impedidos de votar por ter interesse direto na cassação. Em uma nova votação e com o voto de Júnior Rodrigues, o vereador Idenor não escaparia da degola.

Matemática Errada

Nas três votações, o vereador Júnior Rodrigues acompanhou os colegas Juarez de Oliveira (MDB), Carlito do Gás (Patriota), Jânio Miguel (PR), Bebeto (PR) e Maurício Lemes (PSB) nos votos contrários à perda dos mandatos. Agora, com a promessa de mudar o voto caso os três suplentes votem contra a perda do mandato dele, Júnior Rodrigues deixaria seu grupo desfalcado e, na hipótese de novas votações, a cassação de Pedro Pepa, Cirilo Ramão e Idenor Machado seria confirmada. Quem viver verá!

Situação Complicada

O fato é que Júnior Rodrigues já trabalha com a possibilidade de um relatório negativo na Comissão Processante que investiga a quebra de decoro parlamentar. Nem poderia ser diferente, já que o vereador está envolvido até o pescoço no escândalo da lavanderia que atende a Fundação de Serviços de Saúde. A irmã de John Paulo Bogarin Gomes, proprietário da Global Serv Prestadora de Serviços, por exemplo, é assessora parlamentar no gabinete de Júnior Rodrigues.

Relação Societária

A Malagueta apurou que Patrícia Bogarin Gomes, irmã de John Paulo Bogarin Gomes, está lotada no gabinete do vereador desde o início do mandato, em 2017, com salário bruto de R$ 5.078,00. Além disso, relatório da Controladoria-Geral da União aponta que os empregados e sócios da Global Serv com vínculo com Júnior Rodrigues, tanto que a esposa de John Paulo, Rosângela de Oliveira Palhano Gomes, havia sido nomeada por meio da Portaria n° 129, de 24 de janeiro de 2017, como Assessora Parlamentar II, junto ao gabinete do vereador.

Gerente Vinculado

Além disso, Thiago Caetano Alves, gerente da Global Serv Prestadora de Serviços, havia sido nomeado no gabinete de Júnior Rodrigues por meio da Portaria n° 169, de 7 de fevereiro de 2017, como Assessor Parlamentar II. Como confusão pouca é bobagem, Gisely Caetano Alves, irmã de Thiago Caetano Alves, foi nomeada em 17 de abril de 2017 no gabinete de Júnior Rodrigues e exonerada um ano depois, quando recebia salário de R$ 2.290,37. Detalhe: ninguém se lembra de ter visto a tal Gisely Caetano Alves na Câmara de Vereadores.

Universidade Investigada

O promotor Ricardo Rotunno, titular da 16ª Promotoria de Justiça da Comarca de Dourados, converteu o Procedimento Preparatório número 06.2017.00000011-1 em Inquérito Civil para investigar irregularidades no processo de seleção de professores realizado pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. As supostas irregularidades teriam sido cometidas no Edital número 38/2016-PRODHS, que agora está sob investigação e já começa a tirar o sono de cabeças pensantes da Uems.

Vigilância do MP

Em outra frente, o promotor de Justiça Luiz Gustavo Camacho Terçariol, titular da 17ª Promotoria de Justiça da Comarca de Dourados, mandou instaurar o Procedimento Administrativo número 09.2019.00002182-5 para acompanhar a instalação e efetivo funcionamento do Centro Especializado em Reabilitação de Dourados (CER II), obra que está concluída há mais de um ano e que ainda não foi colocada à disposição da população.

Investigação em Ivinhema

Já em Ivinhema, o promotor de Justiça Daniel do Nascimento Britto, titular da 1ª Promotoria de Justiça, mandou instaurar o Inquérito Civil número 06.2019.00000909-8, tendo como requeridos Adalberto Fresca e Rodrigo Areco, para investigar ato de improbidade administrativa consistente no uso de máquina motoniveladora de propriedade do Estado de Mato Grosso do Sul e cedida ao Município de Ivinhema, para fins particulares. É a velha mania que muitos têm de confundir o público com o privado e se locupletar de recursos públicos em benefício próprio.

Negócios da PED

Caiu como uma bomba a denúncia feita pela Malagueta informando que antes de ser barrado pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual, o gerente da Global Serv, Thiago Caetano (aquele da lavanderia), estava explorando os serviços de marcenaria no interior do presídio, contudo, sem passar pelo convênio com a Agência Estadual do Sistema Penitenciário (Agepen). A denúncia é tão séria que motivou a viagem do diretor-presidente da Agepen até Dourados apenas para passar essa história a limpo. Vai vendo!

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Ardidas

  • O Senado decidiu derrubar, na noite desta terça-feira (18), o decreto do governo Bolsonaro que facilita a aquisição e o porte de armas para várias categorias profissionais no país. Em uma sessão polarizada, o texto acabou derrotado por 47 votos a 28. A derrubada do decreto, no entanto, ainda não é definitiva, porque a decisão segue para apreciação da Câmara dos Deputados. Desde o início da semana, representantes dos dois lados da discussão previam um resultado apertado. Tanto defensores quanto críticos do decreto afirmaram terem recebido ameaças anônimas para revisarem suas posições. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), estabeleceu que dez senadores de cada lado da discussão se manifestassem na tribuna. A lista acabou aumentando para 24 nomes, 12 em cada pólo do debate. Entre os favoráveis ao decreto estavam governistas como Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e Major Olímpio (PSL-SP), mas também parlamentares menos alinhados ao Executivo, como Telmário Mota (Pros-RR). Do lado oposto, havia em peso nomes de partidos como PT, MDB e Rede. Alguns senadores que concordam com o conteúdo do texto de Bolsonaro afirmaram que votariam contra o texto por considerarem que ele é inconstitucional, já que a questão deve ser regulada por projeto de lei, e não por um decreto. Foi o caso da presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Simone Tebet (MDB-MS), e de Espiridião Amin (PP-SC).

  • O que os senadores aprovaram foi um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) do senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB) que anula o decreto. Este PDL havia sido aprovado na semana passada, na CCJ do Senado, por 15 votos a 9. A sessão em plenário desta terça foi marcada por momentos de tensão. O senador Marcos do Val (Cidadania-ES), relator inicial dos projetos contra o decreto (cujo parecer, a favor da medida de Bolsonaro, foi derrotado na CCJ), anunciou ainda antes da votação que estava acompanhado de um policial da SWAT, polícia especializada dos Estados Unidos. Do Val afirmou que o agente estava acompanhando a votação e à disposição dos parlamentares para “tirar dúvidas de como funciona” a questão do armamento em Dallas, no Texas, onde o policial atua, segundo o senador. Logo em seguida, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) pediu a palavra a Alcolumbre, e interviu no microfone: “Eu nunca vi um lobby tão explícito como esse. Nunca na história desse Senado”, protestou. Na sequência, o senador Otto Alencar (PSD-BA) anunciou que também estava no plenário o novo presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) Dom Walmor Azevedo também estava no Senado, que é contra o decreto. “Os dois policiais podiam se afastar do plenário, e [deveríamos] ficar aqui a mensagem de um padre, de um bispo, de um homem de Deus, que pediu para que não se aprovasse hoje isso no Senado Federal”, afirmou.

  • Novo trecho de conversa atribuída ao ministro da Justiça, Sergio Moro, e ao procurador da República Deltan Dallagnol indica que o ex-juiz descartou investigar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) porque não queria “melindrar alguém cujo apoio é importante”. De acordo o site The Intercept, os dois conversaram por meio de um chat privado no Telegram, em 13 de abril de 2017, um dia depois de o Jornal Nacional ter exibido reportagem a respeito de suspeitas contra o tucano. Moro perguntou a Dallagnol sua opinião sobre as acusações contra o ex-presidente. O procurador respondeu que a força-tarefa da Lava Jato em Brasília não considerou a prescrição do caso e o enviou ao Ministério Público Federal de São Paulo “talvez para (o MPF) passar recado de imparcialidade”. Na época, a operação era questionada por não aprofundar investigações contra políticos do PSDB. Meses antes, Moro havia aparecido sorrindo ao lado do então senador Aécio Neves (PSDB-MG). Segundo o Intercept, FHC foi citado nove vezes em depoimentos da Lava Jato. De acordo com a reportagem, naquele mesmo dia, Dallagnol encaminhou a dúvida do juiz para um chat em grupo chamado Conexão Bsb-CWB, no qual estavam procuradores das duas cidades. Ele foi informado que o caso havia sido enviado para São Paulo sem análise sobre a eventual prescrição.

  • Segundo o Intercept, a acusação considerada “recado de imparcialidade” por Dallagnol já era de conhecimento interno do Ministério Público desde o fim de 2016, com a delação do empresário Emilio Odebrecht, que declarou ter repassado “ajuda de campanha” a FHC para as eleições de 1994 e 1998. “Ajuda de campanha eu sempre dei a todos eles. E a ele também dei. E com certeza teve a ajuda de caixa oficial e não oficial”, afirmou o empresário, fazendo alusão à prática do caixa dois. “(Eu dava e dizia que era para atender mesmo. Então vai fulano de tal lhe procurar, como eu dizia também para Marcelo, e eles então operacionalizavam. Ele me pediu. Todos eles.” Os fatos foram considerados prescritos e a investigação foi arquivada em meados de 2017. Antes de Moro questionar Dallagnol sobre FHC, o procurador Roberson Pozzobon, da Lava Jato, sugeriu que se investigasse o Instituto FHC como forma de rebater questionamentos sobre a eventual parcialidade da operação. Segundo o Intercept, em 17 de novembro de 2015, Pozzobon mandou uma sugestão em um grupo do Telegram chamado FT MPF Curitiba 2: investigar, num mesmo procedimento, pagamentos da Odebrecht aos institutos de Lula e FHC. “Assim ninguém poderia indevidamente criticar nossa atuação como se tivesse vies partidário”, justificou o procurador. “A da LILS [empresa que agencia as palestras de Lula] vocês já sabem os indícios para a investigação, mas vejam essa fratura expostas da Fundação iFHC”, disse ao grupo. Nesse caso, os pagamentos ao iFHC aos quais Pozzobon se referia não estariam prescritos caso fossem propina. De acordo com a reportagem, Pozzobon publicou no grupo a imagem de uma troca de e-mails de 2014 entre a secretária de FHC e dois interlocutores. A secretária pede para que verifiquem com a Braskem, empresa do ramo petroquímico controlada pela Odebrecht, qual a “melhor maneira para (a empresa) fazer a doação (para o iFHC)”.
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