São Bento 03

João de Deus volta a negar abusos e admite posse das armas, em audiência no Fórum de Abadiânia

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Réu foi ouvido por cerca de 3 horas em duas ações, que correm em segredo de Justiça. Grupo levou faixas e cartazes para a frente do local em apoio a ele.

 

Por Sìlvio Túlio e Lis Lopes (G1)

João de Deus, de 77 anos, voltou a ser interrogado em audiência judicial realizada na tarde desta sexta-feira (12), no Fórum de Abadiânia. A sessão é relacionada a dois processos pelos quais responde na Justiça, sendo um por abusos sexuais durante os atendimentos espirituais que realizava e outro por posse ilegal de armas. Ambos estão em segredo de Justiça.

A audiência terminou por volta das 17h40 e, segundo a defesa de João de Deus, ele voltou a negar “veementemente os abusos sexuais” mencionados na ação, que reúne cinco denunciantes, e admitiu a posse das armas, mas alegou não saber que era crime guardá-la em casa.

No depoimento, foi relatado que o armamento seria de pessoas, como potenciais suicidas, que procuravam João Deus e entregavam as armas após passarem por atendimento espiritual.

A sessão, na qual somente João de Deus será ouvido, começou às 14h25. Ele chegou ao fórum por volta das 14h10 em um carro da escolta prisional, acompanhado por veículos da Polícia Militar. A imprensa não foi autorizada a entrar no local.

João de Deus sempre negou as acusações. Ele está detido desde dezembro do ano passado no Núcleo de Custódia de Aparecida de Goiânia, Região Metropolitana da capital. Ele é réu em nove dos dez processos abertos pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO).

No último dia 2, João de Deus foi interrogado pela primeira vez pela Justiça, também em Abadiânia, com relação aos quatro casos que compõem a primeira denúncia. Na ocasião, ele negou qualquer abuso e disse ter se lembrado de apenas uma das mulheres.

PROCESSOS

João de Deus já foi denunciado dez vezes. Ele é réu em nove casos:

  • Cinco por crimes sexuais: dessas, duas já tiveram audiência realizada e outras duas estão com audiência marcada;
  • Uma por crimes sexuais, corrupção de testemunha e coação: ainda não teve audiência;
  • Uma por crimes sexuais e falsidade ideológica: atualmente está em fase de citação (comunicação ao réu);
  • Duas por posse ilegal de armas de fogo e munição: uma já teve audiência realizada, e o TJ não deu detalhes sobre o outro caso.

APOIADORES

Cerca de 1h antes, às 13h20, um grupo de apoiadores chegou ao fórum segurando cartazes e faixas e vestindo camisetas em apoio a João de Deus e à Casa Dom Inácio de Loyola, onde ele realizava seus atendimentos espirituais. Para eles, o réu é inocente.

“Somos muito gratos ao João de Deus. Somos pessoas curadas pela Casa. Estamos muito tristes com toda essa injustiça que está sendo feita com ele”, disse Joelma Martins dos Santos, que frequenta a Casa Dom Inácio há 11 anos.

A apoiadora se mudou de Minas Gerais com a família para fazer o tratamento espiritual do filho e hoje tem uma pousada em Abadiânia.

“Nunca vi nada de errado. Os meus filhos cresceram na Casa. Se eu tivesse visto qualquer coisa errada, eu jamais apoiaria. O seu João curou meu filho quando ele era criança, tenho uma eterna gratidão. Acho que tem muita coisa por trás [das acusações], mas não posso falar muito porque não tenho como provar. Mas eu acredito nas entidades, na justiça divina e acredito que tudo vai ser esclarecido”, afirmou.

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