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Hospital da Vida entra em colapso e direção alerta MP para superlotação

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Documento assinado pelo médico Fabrício A. G. Barros e Clélia O. Zimmer Bogorni, supervisora de Assistência à Saúde, enviado ao Ministério Público Estadual, informa o Ministério Público Estadual e outras autoridades que na noite de domingo a única unidade hospitalar de portas abertas da Grande Dourados não tinha como atender novos pacientes

Marcos Santos

Especial para o Diário MS

 

O Hospital da Vida de Dourados, única unidade hospitalar de portas abertas para atender pacientes de urgência e emergência dos 35 municípios da Grande Dourados, entrou em colapso na noite de anteontem. Por volta das 19h30, documento assinado pelo médico Fabrício A. G. Barros e Clélia O. Zimmer Bogorni, supervisora de Assistência à Saúde, enviado ao Ministério Público Estadual (MPE), à Secretaria Municipal de Saúde, ao Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), ao Corpo de Bombeiros, à Central de Regulação de Vagas e ao Conselho Municipal de Saúde, informava que não adiantaria levar pacientes para o Hospital da Vida porque o mesmo estava superlotado, sem condições de receber qualquer novo doente.

Datado de 10 de fevereiro, às 19h30, o documento atesta o caos na saúde pública em Dourados e a falência do único hospital de portas abertas para atender pacientes do Sistema Único de Saúde. Apesar do caos denunciado pela direção do Hospital da Vida, durante todo o dia de ontem a Secretaria de Estado da Saúde não emitiu qualquer nota a respeito do problema, transferindo toda responsabilidade para a Secretaria Municipal de Saúde.

O documento emitido pelo Hospital da Vida é emblemático: “Venho por intermédio deste informar que o Hospital da Vida neste momento não dispõe de nenhum leito, maca ou colchão livre. Estamos com superlotação acima da capacidade máxima, sendo 18 pacientes na área verdade, 8 pacientes na área vermelha e com área amarela desativada para reforma. As Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) estão lotadas, as clínicas de internação com quartos e corredores superlotados”.

A decisão de comunicar a superlotação foi tomada após orientação dos médicos Fabrício A. G. Barros (plantonista área vermelha), Gabriel José S. Mordies (classificação de risco) e Majid Mohamad Ghadie (diretor técnico do Hospital da Vida). O comunicado informa, ainda, que somente será possível receber pacientes em caso de urgência e emergência se as macas das ambulâncias ficarem retidas para serem usadas como leitos.

NOTA DE REPÚDIO

O Diário MS recebeu a informação que por meio do Ofício número 11/2019, a Direção Médica do Hospital da Vida de Dourados comunicou o secretário municipal de Saúde, Vagner da Silva Costa, que os médicos que trabalham na unidade decidiram divulgar uma Nota de Repúdio em razão da falta de condições de trabalho e da escassez de materiais, medicamentos e infraestrutura mínima para atender os pacientes.

No ofício, os médicos informaram que a decisão de publicar a Nota de Repúdio considerou as dificuldades econômicas pelas quais passam o Hospital da Vida e que essas dificuldades atingem não apenas toda logística de funcionamento da unidade, mas também o corpo clínico.

Os profissionais que participaram da assembleia-geral extraordinária também consideraram que apesar de convidado para debater os problemas no Hospital da Vida, o secretário municipal de Saúde, Vagner da Silva Costa, foi o único ausente, ao contrário do diretor-presidente da Fundação de Serviços de Saúde (Funsaud), Daniel Fernandes Rosa, e do delegado regional do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul, Jocely de Moraes Júnior, que compareceram à Assembleia-Geral e debateram os problemas que atingem o único hospital de portas abertas em toda região da Grande Dourados.

Ainda de acordo com os médicos que participaram do encontro, a elaboração da Nota de Repúdio ao o secretário municipal de Saúde, Vagner da Silva Costa, também considerou o fato de o titular da pasta ser o principal gestor da saúde pública em Dourados. A Assembleia-Geral dos Médicos do Hospital da Vida considerou, ainda, um desrespeito e falta de consideração o secretário municipal de Saúde, Vagner da Silva Costa, com o Corpo Clínico, que é quem está na linha de frente dos atendimentos aos pacientes, apesar das dificuldades com que trabalha.

CALOTE NAS UTIs 

Em meio a essa grave crise hospitalar, a Intensicare, empresa que aluga os 20 leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para o Hospital da Vida de Dourados também ameaça interromper suas atividades no município, já que a Fundação de Serviços de Saúde não está conseguindo cumprir o acordo para pagamento de uma dívida de mais de R$ 9 milhões com a empresa, que é líder em  gerenciamento de Unidades de Terapia Intensiva no Brasil, com 10 anos de atuação e UTIs instaladas em diversas cidades de 4 Estados e do Distrito Federal.

A Intensicare atende hospitais privados e públicos com serviços médicos de qualidade reconhecida, com resultados consistentes e satisfação dos usuários. O contrato com a empresa foi firmado ainda na gestão do ex-prefeito e agora vice-governador e secretário de Estado de Infraestrutura, Murilo Zauith. Na época foi anunciado pelo então secretário municipal de Saúde, Sebastião Nogueira, que os 20 leitos de UTI foram instalados no Hospital da Vida graças a uma parceria com o governo de Mato Grosso do Sul, que assumiu o compromisso de repassar R$ 510 mil mensais para cobrir os custos do contrato com a Intensicare.

Pelo contrato, toda equipe que trabalha na UTI, incluindo médicos e demais profissionais, são pagos pela empresa terceirizada, que também arca com as despesas com medicamentos e insumos utilizados no atendimento aos pacientes. Como não está recebendo e com uma dívida de mais de R$ 9 milhões, a Intensicare estuda desativar as UTIs e deixar de operar em Dourados, já que não é obrigada a prestar um serviço de alta complexidade sem receber por isso. Caso isso ocorra, a segunda maior cidade do Estado, referência para 35 municípios da região, ficará sem UTI em hospital de portas abertas, como é o caso do Hospital da Vida. Com isso, todos os casos precisarão ser levados para Campo Grande.

Foto: Divulgação

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