Encontro do Democratas marca início da disputa eleitoral em Dourados

Malagueta – 17/02

Encontro do Democratas marca início da disputa eleitoral em Dourados

O Encontro Regional do Democratas, realizado sábado no auditório da Associação Comercial e Empresarial de Dourados (Aced), marcou o início da corrida pela sucessão da prefeita Délia Razuk (PTB). O tom eleitoral só não foi mais forte porque a maioria das lideranças se fez de morta e não falou, pelo menos no microfone, abertamente sobre a candidatura do deputado estadual José Carlos Barbosinha (DEM). Até mesmo a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina Corrêa da Costa, aliada de primeira-hora de Barbosinha, se conteve ao usar o microfone, talvez em razão do recado dado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, que avisou semana passada que “ministro que se aproveitar do cargo para privilegiar alguma candidatura em 2020 seria imediatamente demitido”. O fato é que Tereza Cristina foi a grande vedete da festa, sendo procurada por prefeitos e vereadores para posar para selfie ou dar alguma declaração favorável em relação à disputa eleitoral que se avizinha. Pelo sim, pelo não, o ministro da Saúde, Luiz Antônio Mandetta, também filiado ao Democratas, preferiu chegar atrasado (e bota atrasado nisso) ao Encontro Regional em Dourados. Mandetta, que tem se especializado em abandonar antigos companheiros pelo caminho, deu as caras no encontro quando a solenidade já havia sido encerrada e os microfones desligados. Dessa forma, não precisou falar sobre a candidatura de Barbosinha, mesmo porque todos sabem que a preferência do ministro é pela candidatura da atual prefeita Délia Razuk, de quem aliás, ele foi um cabo eleitoral ferrenho e teve papel fundamental na derrota do então deputado federal Geraldo Resende (PSDB), mesmo com o Democratas estando na coligação tucana.

Discurso Generalista

Até mesmo o vice-governador Murilo Zauith, presidente da Executiva Estadual do Democratas, foi econômico ao falar da disputa eleitoral em Dourados. O discurso de Murilo – que no final de junho de 2019 liderou ato de pré-lançamento de Barbosinha, durante a posse da Comissão Provisória do DEM em Dourados – foi mais generalista, abordando a força do partido em todo Mato Grosso do Sul.

Discurso Taxativo

Se Tereza Cristina correu da raia; Mandetta se escondeu e Murilo disfarçou, o mesmo não se pode dizer do deputado estadual Zé Teixeira. Conhecido por suas posições firmes e por nunca ficar em cima do muro, o primeiro-secretário da Assembleia Legislativa não se amedrontou e se apossou do microfone para anunciar que Barbosinha era o “candidato dele” na disputa pela Prefeitura de Dourados, emendando que o Democrata “é o nome mais preparado para conduzir os destinos do município”.

Militância Presente

O fato é que o deputado Barbosinha, organizador do Encontro Regional do Democratas, demonstrou força na manhã de sábado ao lotar o auditório da Associação Comercial e Empresarial de Dourados. Com uma equipe já em ritmo de campanha eleitoral, Barbosinha conseguiu impressionar até mesmo o vice-governador Murilo Zauith, que não esperava encontrar tanta gente na Aced. O fato é que Barbosinha sai na frente na disputa pela Prefeitura de Dourados e deverá polarizar com a prefeita Délia Razuk.

Candidatura de Délia

Se até a metade do segundo semestre do ano passado a prefeita Délia estava em dúvidas sobre a candidatura em busca da reeleição, a convicção hoje é que ela precisa se lançar candidata. No núcleo político da prefeita, muitos colocam a candidatura dela como algo irreversível em razão do grupo político ligado à chefe do Executivo.  Délia entrará na disputa com expectativa de ser eleita para um segundo mandato, mas sabendo que se isso não ocorrer terá, pelo menos, garantido a eleição dos vereadores que caminharam com ela até aqui.

Dividindo para Somar

A leitura dentro do staff da prefeita é que a disputa não poderá ficar polarizada entre Délia e Barbosinha, ou seja, todos torcem pelo surgimento de uma terceira candidatura forte para dividir os votos e, dessa forma, ampliar as chances de vitória da atual chefe do Executivo. O entendimento é que as demais pré-candidaturas, todas nanicas, não terão capilaridade suficiente para dividir o eleitorado e, por isso, o ideal seria uma terceira via forte, justamente como aconteceu na eleição passada quando Renato Câmara (MDB) se lançou candidato, recebeu 20 mil votos e impediu a eleição de Geraldo Resende.

Renato Descartado

A candidatura de Renato Câmara à Prefeitura de Dourados nas eleições deste ano está descartada. O deputado estadual preferiu compor acordo para ajudar na candidatura do irmão dele à Prefeitura de Ivinhema, cidade que o próprio Renato governou por dois mandatos. Sem o deputado na disputa, um grupo tenta convencer o médico George Takimoto a se lançar candidato a prefeito de Dourados pelo MDB. Nesse caso, Takimoto faria o mesmo papel que fez no ano 2000, quando saiu candidato, minou a candidatura de Murilo Zauith e ajudou a eleger Laerte Tetila (PT).

Candidatura Surpresa

Algo que até o final do ano passado era descartado pode acontecer nas eleições municipais deste ano: a candidatura a prefeito do atual presidente da Câmara de Vereadores, Alan Gudes. De malas prontas para deixar o Democratas na janela de transferência partidária, em março, Alan Guedes deve se acomodar no Progressistas (PP) e tem discutido com lideranças da legenda a eventual candidatura a prefeito. Detalhe: o presidente do PP em Dourados é o advogado Eudélio Mendonça, pai de Alan Guedes. Vai vendo!

Candidatura Tucana

O certo mesmo é que toda essa engenharia vai por água abaixo caso o deputado estadual Marçal Filho (PSDB) receba aval da Executiva Estadual para entrar na disputa pela Prefeitura de Dourados. Líder absoluto em todas as pesquisas, Marçal poderia construir uma aliança vitoriosa, mas para isso teria que convencer a base do governo do Estado que, neste momento, aposta suas fichas na candidatura de Barbosinha. É esperar para ver!

Saúde Investigada

O promotor Etéocles Brito Mendonça Dias Júnior, titular da 10ª Promotoria de Justiça de Dourados, mandou instaurar Inquérito Civil 06.2020.00000169-5 para investigar mais uma pedra no sapato da secretária municipal de Saúde, Berenice Machado de Souza. Como o assunto é sigiloso, a Malagueta não conseguirá, pelo menos por hora, informar os leitores sobre a investigação, mas certamente a titular da Secretaria Municipal de Saúde sabe porque está sendo investigada.

Promotoria na Unei

A promotora Fabrícia Barbosa Lima, titular da 9ª Promotoria de Justiça da Comarca de Dourados, justamente a responsável pela fiscalização da violação dos direitos das crianças e dos adolescentes, mandou instaurar Procedimento Administrativo número 09.2020.00000752-3 para acompanhar os programas de internação desenvolvidos pelas Unidades Educacionais de Internação de Dourados (Unei Laranja Doce e Unei Esperança). Agora vai!

Investigação em Jateí

Já o promotor Rodrigo Cintra Franco, titular da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Fátima do Sul, mandou instaurar Procedimento Preparatório número 06.2020.00000131-8 para investigar os serviços de transporte escolar aos alunos da zona rural do município de Jateí. A denúncia é que os ônibus são tão velhos que uma tragédia com as crianças passou a ser eminente. Detalhe: enquanto os alunos são transportados em carroças, o prefeitão Eraldo Jorge Leite (PSDB) embolsa salário mensal de R$ 23.424,91.

Investigação em Fátima

O promotor Rodrigo Cintra Franco, titular da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Fátima do Sul, também mandou converter o Procedimento Preparatório número 06.2019.00000917-6 em Inquérito Civil para investigar falta de dentistas na Unidade de Saúde do Jardim dos Ipês/COHAB. A prefeita Ilda Machado bem que poderia fazer a mesma mágica da campanha passada e tirar uma graninha do sutiã para contratar dentistas para o Posto de Saúde.

Malagueta Voltando

Depois de um período ausente, tempo necessário para decantar algumas ameaças e organizar o escritório jurídico, a coluna Malagueta está de volta com o mesmo propósito de outrora: denunciar os incautos, sobretudo aqueles que confundem o público com o privado. As denúncias podem ser enviadas pelo e-mail: marcaomalagueta@gmail.com. Todas as denúncias serão investigadas e as que tiverem procedência serão publicadas, sempre preservando a fonte.

 

Ardidas

 

  • Em outubro de 2005, o então deputado Jair Bolsonaro ocupou a tribuna da Câmara para protestar contra a condenação e prisão do policial militar Adriano de Nóbrega pela morte de um lavador de carros que, na véspera do crime, havia denunciado a atuação de um grupo de milicianos. Na semana passada, o ex-capitão do Bope do Rio de Janeiro, que estava foragido há mais de um ano, foi encontrado morto, com sinais suspeitos de execução, na Bahia. Em seu pronunciamento de 2005, Bolsonaro qualificou Adriano como um “brilhante oficial” e disse que tinha ido pela primeira vez a um tribunal do júri só para acompanhar o julgamento dele. Segundo o então parlamentar, Adriano era inocente e o flanelinha assassinado, um traficante de drogas. O responsável pelo crime, de acordo com o então deputado, era outro policial militar. Passados 15 anos do pronunciamento e uma semana do assassinato de Adriano, Bolsonaro voltou, no sábado (15), a se manifestar sobre o ex-PM. Em evento no Rio, afirmou que o ex-capitão era um “herói” quando foi defendido por ele em seu discurso e homenageado, no mesmo ano, pelo então deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) com a medalha Tiradentes, a maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio. A medalha foi entregue ao policial na cadeia, onde aguardava seu julgamento por homicídio. “Não tem nenhuma sentença transitada em julgado condenando capitão Adriano por nada, sem querer defendê-lo. Naquele ano ele era um herói da Polícia Militar”, afirmou. O presidente contou, ainda, que partiu dele a decisão de que Flávio deveria homenagear o PM naquele ano.

  • Na entrevista deste sábado, Bolsonaro também disse que conheceu Adriano em 2005, mas nunca teve contato com ele. Fez questão de frisar que quem matou o ex-policial foi PM da Bahia, “do PT” – o estado é governado pelo petista Rui Costa – e que não tem qualquer relação com a milícia do Rio. Ele não quis responder se tinha pedido para Flávio abrigar a mulher e a mãe do ex-capitão. “Os brasileiros honestos querem os nomes dos mandantes das mortes do prefeito Celso Daniel, da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, do ex-capitão Adriano da Nóbrega, bem como os nomes dos mandantes da tentativa de homicídio de Jair Bolsonaro”, publicou nas redes sociais. De acordo com as investigações mais recentes, Adriano se tornou o chefe do chamado Escritório do Crime, grupo envolvido em diversos delitos, como homicídios, milícia, máquinas caça-níqueis, entre outros. Na prática, segundo a denúncia do Ministério Público, o grupo atuava como um escritório de matadores profissionais. No pronunciamento de 2005, Bolsonaro disse que era preciso saber quem ganharia com a condenação de Adriano e sugeriu que a responsabilidade pela punição era da ONG de direitos humanos Anistia Internacional, do casal Garotinho [Rosinha era governadora à época] e de “um dos coronéis mais antigos da PM” que “disse o que quis e o que não quis contra o tenente (Adriano), acusando-o de tudo que foi possível”.

  • O nome dele reapareceu nas investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre a chamada “rachadinha” no gabinete de Flávio na Alerj. Por essa prática, disseminada em vários legislativos, o parlamentar ou um subordinado se apropria de parte dos salários dos funcionários do gabinete. O MP do Rio identificou contas de Adriano usadas para transferir dinheiro a Fabrício Queiroz, então assessor de Flávio e suspeito de comandar o esquema de devolução de salários. Fabrício Queiroz e Adriano de Nóbrega atuaram juntos no 18º Batalhão da PM.  Com a ajuda de Queiroz, o gabinete de Flávio empregou a mulher do ex-capitão, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, de 2007 até novembro de 2018, e a mãe dele, Raimunda Veras Magalhães, de abril de 2016 a novembro de 2018. Flávio minimizou a homenagem feita a Adriano: “Homenageei centenas e centenas de policiais militares e vou continuar defendendo, não adianta querer me vincular com a milícia, não tem absolutamente nada com milícia. Condecorei o Adriano há mais de 15 anos”. Flávio afirmou que pediu, esta semana, para que o corpo do seu homenageado não fosse cremado porque tem indícios de tortura. “Pelo que soube, ele foi torturado. Para falar o quê? Com certeza nada contra nós. Porque não tem o que falar contra nós. Não tem envolvimento nenhum com milícia”.

  • O presidente da CPI mista das Fake News, senador Ângelo Coronel (PSD-BA), pretende colocar em votação todos os 80 requerimentos de convocação e convite nesta semana. Entre os possíveis convocados estão o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSC), filho e responsável pelas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro, e os ex-presidentes Lula e Dilma. Coronel também deve submeter ao plenário do colegiado a reconvocação de Hans River do Nascimento, ex-funcionário da empresa Yacows, acusada de disparar mensagens em massa durante as eleições de 2018. Após seu depoimento à CPI, na semana passada, Hans foi denunciado pela relatora da CPI, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), à Procuradoria-Geral da República por falso testemunho. Diante de deputados e senadores, ele sugeriu que a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, se insinuou sexualmente para ele em troca de informações que embasassem sua reportagem. A versão dele foi desmontada pela própria Folha, que divulgou as trocas de mensagem que manteve com o funcionário. A declaração também foi repudiada por entidades e autoridades, mas explorada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e outros bolsonaristas. Em eventual novo depoimento, Hans poderá sair preso da CPI, adverte o senador. “Se confirmar que mentiu, pode ser preso. Qualquer testemunha sob juramento poderá ser preso se mentir”, afirmou o senador ao Congresso em Foco. A mesma observação vale para o filho do presidente, alvo da oposição, e aos depoentes. Parlamentares ligados a Bolsonaro, por sua vez, querem levar à CPI os ex-presidentes Lula e Dilma, o ex-ministro Antonio Palocci e o empresário Marcelo Odebrecht.