Banner São Bento

Depois de wi-fi, Cuba anuncia que vai oferecer cobertura 3G

compartilhe:

Governo cubano iniciou política de “informatização” em 2015, quando passou a oferecer acesso à internet em praças públicas

 

No início de dezembro, Cuba, um dos países mais desconectados do mundo, deu um novo passo em direção à sua abertura online com a ativação do serviço de dados móveis com tecnologia 3G. A mudança era muito esperada pelos cubanos, apesar dos preços altos em comparação aos salários estatais.

 

Desde a manhã do dia 6, a empresa pública de comunicações, a Etecsa, começou a enviar mensagens de texto para avisar sobre o início do novo serviço para os clientes que participaram dos três testes gratuitos feitos durante este ano. A maioria dos mais de 5,3 milhões de usuários cubanos de linhas móveis poderá se conectar pelo celular de forma escalonada.

 

Eles precisarão pagar a tarifa de consumo de 10 centavos de CUC (o equivalente a US$ 1) por megabyte ou adquirir um dos quatro pacotes de dados, que vão de 600 megabytes por 7 CUC até o de 4 gigabytes, por 40 CUC.

 

“É ótimo para quem tem família fora do país. Até agora a velocidade funciona bem: eu já fiz uma chamada em vídeo e não tive problemas”, contou o fotógrafo alemão Daniel Montazem, que vive em Havana há três anos, ao jornal britânico The Guardian. “Para mim é muito benéfico, porque não tenho telefone fixo nem acesso à internet em casa, então é maravilhoso, apesar de um pouco caro”, completou.

 

Com a chegada gradual da internet a Cuba, os memes também passaram a ser parte do cotidiano das pessoas: logo depois do anúncio da Etecsa, muitos deles circularam pelas redes sociais cubanas, indo da alegria com a novidade até piadas jocosas, como um que dizia que, em breve, os moradores da ilha precisarão escolher entre comer, comprar roupas ou ficar online, já que o custo do serviço é alto.

 

Apesar disso, a medida parece ter agradado a maioria da população, que agora não precisará mais se deslocar até um local específico e público para acessar a internet. Em 2015, o governo cubano implementou uma política de “informatização” para corrigir o atraso histórico com relação ao resto do mundo em áreas da tecnologia e das comunicações. Naquele ano, o Estado autorizou a comercialização de internet em qualquer estabelecimento – antes, essa permissão só era estendida a alguns profissionais.

 

A ativação da tecnologia 3G, que hoje cobre 66% do território de Cuba, era o principal desafio para o governo cubano, que prometeu que ofereceria acesso à internet por meio dos smartphones até o final de 2018. A próxima barreira, agora, está no valor dos aparelhos: um celular Samsung pode custar até US$ 1 mil na ilha atualmente – metade do país não tem smartphone e celular.

 

“É um passo no processo de facilitar a conexão às pessoas do país, mas temos que ver quão preparada está a estrutura de telecomunicações para suportar, com a qualidade requerida, esse tipo de serviço”, afirmou Norges Rodríguez, cofundador do projeto comunicativo cubano Yucabyte, em entrevista à agência Efe.

 

Rodríguez recordou a qualidade ruim das conexões nos testes gratuitos, que comprometeram a estabilidade de outros serviços da rede móvel, como o SMS e as caixas de voz. Os problemas foram solucionados apenas no final de novembro, de acordo com a própria Etecsa. “O governo cubano precisa traçar políticas públicas para fechar a brecha digital e considerar o acesso à internet mais um serviço básico, como a eletricidade, a água potável, a educação pública ou o saneamento”, insistiu ele.

 

Rodríguez também chamou a atenção para a “censura que acompanhou o desenvolvimento do acesso à internet em Cuba desde o início”, uma prática que, segundo ele, precisa desaparecer. “Já não há medo das pessoas se conectarem, mas falta sumir o medo que o governo tem que a gente escolha os meios com que queremos nos informar”, completou.

 

A conexão livre, rápida e barata à internet em Cuba é um problema a ser resolvido: a ilha possui 11,1 milhões de habitantes, mas metade deles consegue usar a web atualmente, segundo dados oficiais. Além disso, a banda larga ainda é muito inicial, o que atraiu empresas estrangeiras nos últimos anos. O Google, por exemplo, se manifestou interessado em investir no país em 2016, quando o então presidente dos EUA, Barack Obama, visitou o líder cubano Raúl Castro, em Havana.

Fercical
VIA MAX

WHATSAPP DIÁRIO

Logo whatsapp Diario MS