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De olho no Fundo Partidário, Soraya tenta derrubar presidente do PSL

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Malagueta – 19/12/2018

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De olho no dinheiro do Fundo Partidário, Soraya tenta derrubar comando do PSL no Estado

A senadora diplomada Soraya Thronicke, que ganhou o status de ser a primeira senadora eleita por Dourados, estreia de forma rasteira na política partidária. Depois de tentar impedir que seu primeiro suplente Rodolfo Oliveira Nogueira fosse diplomado, a mulher, que parece mais perdida que cachorro quando cai do caminhão de mudança, agora se articula para comandar a Executiva Estadual do Partido Social Liberal (PSL) em Mato Grosso do Sul. Das duas uma: ou a dona Soraya anda mal assessorada por um dublê de advogado, empresário falido e político fracassado ou está de olho nos recursos do Fundo Partidário, já que o PSL acaba de ser elevado à condição do novo rico entre os partidos que em 2019 vão embolsar mais de R$ 900 milhões em dinheiro do contribuinte. Somente o PSL receberá em torno de R$ 110 milhões em recursos do fundo e parte desse dinheiro será repassada às Executivas Estaduais, motivo da disputa. Apenas a título de comparação, em 2017 o PSL embolsou míseros R$ 6,2 milhões do Fundo Partidário, valor 17 vezes menor que os R$ 110 milhões que entrarão nos cofres do partido ano que vem. A Malagueta apurou que na tentativa de tirar o comando do PSL de Rodolfo Oliveira, a senadora eleita já teria arregimentado apoio do deputado federal eleito Tio Trutes e do deputado estadual eleito Capitão Contar. Já o deputado federal eleito Luiz Ovando e o deputado estadual eleito Coronel David não abonaram a armação para puxar o tapete do presidente estadual do PSL. Vai vendo!

Golpe Partidário

A senadora eleita deveria entender que puxar o tapete do comando estadual do PSL em Mato Grosso do Sul beira o golpe, mesmo porque enquanto a dona Soraya não era nada foi a atual executiva estadual que lhe ofereceu a legenda que possibilitou que ela, puxada pela onda Bolsonaro, chegasse ao Senado Federal, onde irá receber salários de mais de R$ 39 mil durante 96 meses, o que lhe garantirá uma bagatela de quase R$ 4 milhões somente em salários por um mandato de 8 anos.

Conselho Partidário

A dona Soraya, que se rebelou contra o presidente estadual do PSL desde que o mesmo declarou apoio a Reinaldo Azambuja (PSDB) no segundo turno das eleições, se quiser fazer um mandato producente, precisa abandonar a vocação para o golpismo e, sobretudo, escolher melhor seus assessores ou puxa saco, mesmo porque está mais que provado que os famosos bobos da corte em nada somam nos mandatos eletivos. A dica está dada!

Expondo o Partido

Os barracos perpetrados pela dona Soraya no PSL tiveram início em 29 de agosto deste ano, quando a então candidata ao Senado Federal compareceu a 1ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande para registrar Boletim de Ocorrência contra o presidente do partido, Rodolfo Oliveira Nogueira, que estava registrado na chapa como 1º suplente. No BO, a candidata disse que foi ameaçada de morte pelo suplente e ganhou o noticiário nacional.

Apareceu na Revista

Dias depois, a candidata Soraya apareceu em extensa matéria na revista Piauí, uma das mais importantes do país, na qual informava que estava fazendo campanha eleitoral usando colete à prova de balas e escoltada por dois seguranças por medo do 1º suplente. A estratégia factóide deu certo e parte dos veículos de comunicação de Mato Grosso do Sul embarcaram nessa versão fantasiosa. Resultado: a dona Soraya capitalizou a onda Bolsonaro e acabou eleita de forma surpreendente.

Atacando a Suplência

Não satisfeita com o factóide da ameaça de morte, a dona Soraya denunciou o primeiro suplente Rodolfo Oliveira Nogueira à Justiça Eleitoral, pedindo liminar em tutela antecipada para que ele ficasse inelegível. O modus operandi rasteiro da dona Soraya ficou demonstrado nesse episódio, já que ela distribuiu a ação de investigação judicial eleitoral no dia 6 de outubro, véspera do primeiro turno das eleições municipais. Não deu certo, já que o desembargador Sérgio Fernandes Martins negou a liminar.

Derrota no Tribunal

No dia 13 de novembro o desembargador do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Mato Grosso do Sul (TRE/MS), Sérgio Fernandes Martins, que já havia negado a liminar, extinguiu o processo na qual a dona Soraya pedia a cassação do primeiro suplente para tentar emplacar o segundo suplente Danny Fabrício Cabral Gomes, sócio da senadora eleita no escritório Cabral Gomes e Thronicke Associados. A estratégia agora é tomar o comando do PSL no Estado. Será que agora vai?

Sigilo Cifra Negra

A Malagueta quebrou o sigilo do processo penal da Operação Cifra Negra e publica hoje mais alguns detalhes das investigações que ainda estão em segredo de Justiça. “Rodrigo Ribas Terra, ex-servidor da Câmara de Vereadores de Dourados, confirmou que Denis da Maia proprietário da Quality, repassava para o vereador Idenor Machado a soma de R$ 20.000,00 (vinte mil) reais/mês” a título de propina para renovação dos contratos.

Propina Disputada

Rodrigo Ribas narrou ainda, ao Ministério Público Estadual, que vereador Cirilo Ramão passou a exigir e receber parte da propina, sendo a pessoa responsável em buscar o dinheiro na sede da Quality após suposto roubo de R$ 20.000,00 que Alexsandro de Oliveira Souza, então Diretor de Administração Geral da Câmara Municipal de Dourados, teria ido buscar em Campo Grande. Vê se pode! Tinha ladrão roubando ladrão. É mole?

Quadrilha Estruturada

As investigações do MPE e da Controladoria-Geral da União (CGU) revelaram a existência de um grupo estruturado de forma ordenada para obtenção de vantagem econômica decorrente da adjudicação dos objetos das licitações em mais de 30 prefeituras e Câmaras de Vereadores de Mato Grosso do Sul. Esse grupo corrompeu servidores públicos, inclusive membros do Poder Legislativo para facilitar a manutenção do esquema.

Municípios Envolvidos

As empresas envolvidas com o esquema de corrupção, sobretudo a Quality Sistemas e KMD, faziam depósitos em conta corrente de pessoas ligadas a órgãos públicos que as contratavam. Os investigadores encontraram comprovantes de depósitos nas contas de servidores (inclusive vereadores e assessores de prefeitos) dos municípios de Rochedo (prefeitura e Câmara), Aquidauana (prefeitura e Câmara), Miranda (prefeitura), Corguinho (prefeitura), Bodoquena (Câmara), Figueirão (prefeitura), Bandeirantes (prefeitura), Jaraguari (Câmara), Dois Irmãos do Buriti (Câmara), Rio Verde de Mato Grosso (prefeitura e Câmara), Água Clara (prefeitura), Ponta Porã (prefeitura e Câmara), Camapuã (prefeitura), Chapadão do Sul (prefeitura e Câmara), Miranda (Câmara), Pedro Gomes (Câmara), Douradina (prefeitura), Rio Negro (prefeitura). Na edição de amanhã, a coluna informa os nomes de outras prefeituras e Câmaras de Vereadores envolvidas com a quadrilha.

Propina Descarada

Veja a que ponto chegava o descaramento dos agentes políticos envolvidos com o esquema: as investigações revelam que a Quality fez seis depósitos em dinheiro na conta de Watusi Carvalho Derzi, no período de janeiro a maio de 2013, totalizando R$ 10.000,00 (dez mil reais). “Em consulta aos sistemas corporativos, verificou-se que a beneficiária do depósito é esposa do então vereador Caio Augusto Cesar de Souza Moraes, de Ponta Porã”, enfatiza a denúncia do Ministério Público Estadual.

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Ardidas

  • A Polícia Federal realizou hoje pela manhã buscas e apreensões no apartamento do ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD), em São Paulo. Os mandados foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e estão relacionados a inquérito que apura se Kassab cometeu os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e caixa dois, conforme delações da JBS. Também são feitas buscas na residência de Renato Kassab, irmão do ministro. Futuro chefe da Casa Civil do governador eleito João Doria (PSDB), Kassab é acusado por delatores de receber mesada de R$ 350 mil por mês, entre 2010 e 2016, como contrapartida por atender a interesses da JBS.  Também são cumpridos mandados em São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto, no estado de São Paulo, e em Natal, no Rio Grande do Norte. As suspeitas envolvem o pagamento ilícito de R$ 58 milhões, conforme os investigadores. O inquérito também apura se o ministro, fundador do PSD, recebeu dinheiro para garantir o apoio político de seu partido ao PT nas eleições de 2014. Nesse caso, segundo os delatores, os pagamentos foram feitos por meio de doações oficiais.

  • De acordo com a Polícia Federal, parte dos recursos foi repassada para campanha do governador Robinson Faria (PSD) e de seu filho, o deputado Fábio Faria (PSD). A suspeita é que os valores eram recebidos por empresas por meio da simulação de serviços que não foram efetivamente prestados e para os quais foram emitidas notas fiscais falsas. O empresário Wesley Batista e o ex-executivo Ricardo Saud alegam que fizeram repasses ao ex-prefeito paulistano por meio de contratos com as empresas Yape Transportes e Yape Consultoria, que, segundo os delatores, são ligadas a Kassab. De acordo com Wesley, durante seis anos foram pagos mais de R$ 20 milhões. Kassab, que está em Brasília, disse ao G1 que não cometeu qualquer ilegalidade. “Ao longo de todos esses anos de vida pública não há nada que me comprometa no campo da imoralidade. Estou tranquilo porque sempre respeitei os princípios da ética. Estou à disposição do Ministério Público e do Poder Judiciário. Não há nada que macule minha imagem”, afirmou o ministro. O Congresso em Foco não conseguiu localizar a defesa do governador Robinson Faria e do deputado Fábio Faria.

  • O deputado eleito Julian Lemos (PSL-PB), integrante da equipe de transição, provocou o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSL), filho de Jair Bolsonaro, em entrevista a uma rádio da Paraíba. Os dois haviam discutido pelas redes sociais há duas semanas, quando Carlos disse que Julian “não é e nunca foi coordenador de Jair Bolsonaro no Nordeste” e tentava se promover às custas do presidente eleito. “Veja só, se coloque no meu lugar, eu sou amigo do presidente, sou amigo do pai do menino. E o menino ficou chateadinho pela minha projeção ao lado do pai. O que é que eu tenho a ver com isso? Eu não trabalhei para o filho dele. Se tem uma pessoa que não deve nada ao filho de Bolsonaro, sou eu”, disse o deputado eleito em entrevista à rádio Arapuan, de João Pessoa. Julian prosseguiu: “Na minha casa, o que meu pai falava era respeitado. Se o pai dele diz diversas vezes que eu sou o coordenador dele no Nordeste, o que é que o príncipe pode dizer a mais do que o rei?”. No início do mês, Carlos disparou contra o deputado eleito. “Julian Lemos, a pessoa que tem se colocado como coordenador de Bolsonaro no Nordeste não é e nunca foi! Detalhes creio que todos sabem!”, escreveu o vereador no Twitter. Julian publicou uma gravação feita durante o período eleitoral em que o presidente eleito pede votos para ele e o apresenta como o “coordenador do Nordeste”, status usado por Julian nos seus perfis em redes sociais.

  • Carlos Bolsonaro não concorda com a influência exercida pelo deputado eleito dentro da bancada e na formação do governo. Ele também se desentendeu recentemente com o futuro ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Em seguida, anunciou que estava se afastando do comando das redes sociais do pai. No último dia 7, o presidente eleito escreveu nas redes sociais uma mensagem de agradecimento a Carlos em homenagem aos seus 36 anos. E fez referência indireta aos desentendimentos do filho com seus aliados. “Se enganam aqueles que pensam que vão nos separar. Nossos laços vão muito além de algo em comum”, disse Bolsonaro. “Meu Pitbull, obrigado sempre por estar por perto, jamais querendo aparecer ou ter ganhos pessoais”, acrescentou. Há duas semanas uma briga interna na bancada do PSL vazou do WhatsApp para a imprensa. As discussões mostraram uma disputa entre a deputada eleita Joice Hasselmann (SP), de um lado; e os deputados Eduardo Bolsonaro (SP), outro filho do presidente, e Major Olímpio (SP), senador eleito. Joice e Eduardo divulgaram depois uma foto afirmando que estava tudo bem entre eles. Em reunião com a bancada, Bolsonaro pediu fim ao “estrelismo”, que os parlamentares evitassem discutir pelas redes sociais e trabalhassem pela unidade do novo governo.
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