Cunha acusa Funaro de usar informações de sua proposta de delação

Foto: Divulgação

Condenado a 15 anos e quatro meses de prisão na Operação Lava Jato, o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) irá à Justiça com o objetivo de tentar anular a delação premiada de seu ex-parceiro em esquemas de corrupção Lúcio Funaro, apontado como operador do PMDB em atividades criminosas. A aliados, Cunha disse que os termos de sua proposta de colaboração judicial, rejeitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), foram “enxertados” no acordo fechado por Funaro com investigadores. As informações são da coluna Painel, da Folha de S.Paulo.

“Cunha distribuía propina a Temer, com 110% de certeza”, diz Funaro

Temer, Cunha e Henrique Alves receberam R$ 250 milhões em propina na Caixa, diz Funaro

“Cunha garantiu a esses interlocutores que pode provar que Funaro narrou fatos aos quais não tinha acesso suficiente para conhecer em detalhes. A narrativa que Cunha quer pôr em xeque é peça-chave da nova denúncia contra Michel Temer”, diz trecho da coluna. Segundo o texto assinado pela repórter Daniela Lima, Cunha já começou a reunir o material a ser usado na contestação à delação de Funaro. A defesa do delator avisou que não comentaria a informação e que só se manifestará em juízo.

Tanto Cunha quanto Funaro compunham o grupo chamado pelo agora ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot de “quadrilhão do PMDB”, que atuava em estatais e demais órgãos de governo a partir do poder concentrado na Câmara. Também faziam parte do grupo criminoso os ex-ministros Geddel Vieira Lima, acusado de esconder malas de dinheiro com mais de R$ 51 milhões (maior apreensão da história), e Henrique Eduardo Alves, entre outros. Ambos estão presos.

A acusação de formação de quadrilha envolvendo próceres do PMDB foi uma das últimas “flechas” de Janot à frente do Ministério Público Federal (MPF), posto que deixou em 17 de setembro último. Na denúncia, agora sob responsabilidade do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Michel Temer é visto como o chefe da organização criminosa. A peça acusatória, que chegou à Câmara na última quinta-feira (21) após o STF rejeitar pedido de Temer para suspender sua tramitação, também enquadra o presidente em obstrução de Justiça. Segundo a PGR, o esquema de desvios do PMDB rendeu centenas de milhões de reais aos membros da quadrilha.

Temer diz que Funaro, delator do “quadrilhão do PMDB”, desinforma autoridades do MPF
Funaro diz que Cunha e Temer “confabularam” e pagaram por votos a favor do impeachment de Dilma