CTCD vê interesse mercantilista do HE ao barrar o tratamento de radioterapia

Coluna  Malagueta – 18/09/2019 – Jornalista Marcos Santos –

CTCD vê interesse mercantilista do HE ao barrar o tratamento de radioterapia

O Centro de Tratamento ao Câncer de Dourados (CTCD), que funciona no Hospital da Cassems, reagiu à possibilidade de deixar os pacientes com câncer sem os serviços de radioterapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em razão da ação de despejo proposta pelo Hospital Evangélico e acatada pelo juiz José Domingues Filho, titular da 6ª Vara Cível de Dourados. O magistrado entendeu que acordo firmado nos atos número 0805016-27.2016.8.12.0002 já havia fixado prazo de 2 anos para que a Cassems/CTCD removesse o aparelho de radioterapia do prédio do Hospital Evangélico. Ontem, um dos sócios do CTCD, Roberto de Arruda Almeida, enviou o seguinte texto à Malagueta: “Há 20 anos o Centro de Tratamento ao Câncer de Dourados construiu a casamata em comum acordo com o Hospital Evangélico. A comunidade e os empresários construíram o prédio que abrigou o Hospital do Câncer na área anexa do Hospital Evangélico, trazendo benefícios de humanização à quem precisava do tratamento oncológico, que não existia na região. Fomos pioneiros. Esta parceria funcionou muito bem por mais ou menos 15 anos, até que houve trocas na diretoria administrativa do Hospital Evangélico o e CTCD passou a não receber regularmente o que era devido pelo serviços pelos serviços prestados. Judicialmente o CTCD ganhou a causa, mas o estrago financeiro foi muito grande pois continuamos atendendo os pacientes e para isso foi necessário empréstimos bancários”.

Entrega do Prédio

Sobre a entrega do prédio ao HE, Roberto de Arruda Almeida explicou: “Nos comprometemos a entregar o prédio em dois anos, tempo que julgávamos suficiente para a construção da casamata para receber um novo aparelho de radioterapia. O investimento é muito grande, de R$ 4 milhões a R$ 5 milhões, mas para que esse investimento fosse feito esperávamos que a habilitação da Oncologia da Cassems junto ao Ministério da Saúde ocorresse em pouco tempo, o que não se concretizou, travando assim nossa programação de melhoria no atendimento aos pacientes”.

Projeto Encaminhado

Em relação à habilitação da radioterapia em outro local, Roberto de Arruda Almeida ressaltou: “Temos a planta já aprovada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que foi revista e novamente aprovada, além do orçamento do novo aparelho. Acontece que não tivermos condições de cumprir o que foi acordado, ou seja, a saída do prédio do Hospital Evangélico, e solicitamos prolongamento do prazo, o que nos foi negado porque, pelo que escutei, não querem assunto com CTCD”.

Parceria Desprezada

Roberto de Arruda Almeida lamenta a postura do Hospital Evangélico: “Isto me deixa confuso porque não nos aceita sendo que fomos parceiros por mais de 15 anos e a parceria só foi interrompida por falta de pagamento pelo próprio Hospital Evangélico, provocando uma imensa confusão no tratamento para os pacientes com câncer de Dourados e região. Mais estranho ainda é uma entidade sexagenária e filantrópica mais uma vez estar deixando a comunidade que lhe ofereceu  um presente e sempre apoiou nos momentos difíceis”.

Filantropia Sonegada

Para Roberto de Arruda Almeida, é estranho uma entidade filantrópica deixar a míngua quem sempre lhe deu a mão quando foi preciso. “Que memória fraca! A filantropia procura ajudar os mais fracos e necessitados economicamente. O Hospital Evangélico cedeu o espaço para que o CTCD, com verba própria e a população juntamente com os empresários construíssem, por meio de doações, o Hospital de Câncer de Dourados, e agora mais uma vez pretendem impedir o tratamento dos mais necessitados, barrando o funcionamento da radioterapia”.

Interesses Financeiros

O sócio do Centro de Tratamento do Câncer de Dourados finaliza sugerindo que a direção do Hospital Evangélico está mais interessada em dinheiro que em salvar vidas. “Posso estar errado, mas isto me parece abertura de espaço para criação de oncoclínicas com tendência para atendimento particular. Sem problemas, mas como ficam os mais necessitados, que têm o tratamento financiado pelo SUS? Quem vai atende-los?”, indaga Roberto de Arruda Almeida. Com a resposta a diretoria do Hospital Evangélico de Dourados. E viva a filantropia!

 …

Vítimas da Gamp/Acqua

A coluna denunciou ontem que um grupo de cerca de 60 trabalhadores contratados pela Gamp, organização social que administrava o Hospital Regional de Cirurgias de Dourados por meio de um contrato milionário firmado com o governo do Estado, estaria sofrendo calote da Secretaria Estadual da Saúde, que firmou Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) para o pagamento de encargos sociais atrasados, como recolhimentos ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e contribuições previdenciárias, mas nada fez.

Relato das Vítimas

Ontem, a coluna começou a receber os relatos das vítimas da Gamp/Acqua e vai publicar cada dia um depoimento até que os trabalhadores recebam seus direitos: “Boa noite senhor Marcos, não foi somente médica grávida que a Acqua dispensou não, se bem que os médicos ainda são bem remunerados e têm como se virarem. No setor de enfermagem foram dispensadas 4 gestantes que trabalhavam para a Gamp e não foram aceitas pela Acqua quando ela assumiu o comando do Hospital Regional de Cirurgias de Dourados”.

Grávidas Abandonadas

Continua o relato: “essas 4 gestantes da classe da enfermagem foram dispensadas pela Acqua e estão até hoje esperando o acerto das rescisões. O mais preocupante é que duas delas são chefes de família, sustentavam suas casas com o salário que ganhavam e agora estão sem acerto trabalhista, sem auxilio maternidade e sem qualquer apoio do sindicato da nossa categoria. Fizemos nosso trabalho, atendemos a população de Dourados e região e acabamos abandonados pela Secretaria Estadual de Saúde e pela Acqua”.

Achatamento Salarial

A profissional da área de enfermagem faz ainda uma grave denúncia contra a Acqua: “os profissionais que ficaram no Hospital Regional de Cirurgias sob o comando da empresa Acqua estão sofrendo com a redução salarial, porque diminuíram nossa insalubridade também e fizeram a gente assinar um contrato estabelecendo que quem pedir demissão antes do dia 7 de dezembro terá que pagar uma multa absurda. Trabalhamos mais de um ano para o Gamp, muitos tinham férias vencidas e o governo está fazendo isso com a gente, mesmo com a maior parte dos salários ficando em torno de R$ 1.200,00”.

Evangélico X CTCD

A pergunta que não quer calar: até onde o Hospital Evangélico Dr. e Sra. Goldsby King de Dourados, que desfruta das benesses de entidade filantrópica, vai levar a briga com o Centro de Tratamento ao Câncer de Dourados (CTCD) e que pode impedir o acesso de pacientes com câncer aos serviços de radioterapia? Outra questão: será que a nova direção do Hospital Evangélico decidiu apagar da história da unidade o slogan “Porque a Vida não Pode Parar”, numa referência que o HE sempre esteve ao lado da vida em detrimento de questões mercantilistas?

 …

Leia também…

1- Vítimas da Gamp, ex-funcionários levam calote até da secretaria estadual de Saúde.

2- Briga entre Evangélico e CTCD deixará pacientes com câncer sem radioterapia.

Ardidas

 

  • Em nota divulgada ontem em grupos de WhatsApp, o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende respondeu as denúncias feitas pela Malagueta: “Tendo em vista comentários sobre o não pagamento de valores a ex-funcionários da O.S. (Organização Social) Gamp, que até junho deste ano era gestora do Hospital Regional de Cirurgias da Grande Dourados, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) presta os seguintes esclarecimentos. 1 – Em junho deste ano, a Organização Social (O.S) Gamp, que até então era a gestora do Hospital Regional de Cirurgias da Grande Dourados, informou à Secretaria de Estado de Saúde (SES), sobre a impossibilidade de dar continuidade à execução do contrato, devido a inúmeros bloqueios de diversas de suas contas bancárias. Uma delas do projeto de Dourados, mantida no Banco Santander, no montante de R$ 868.779,73, bloqueada para promover a liquidação de um contrato do projeto de Canoas-RS. 2 – Na oportunidade, a Secretaria de Estado de Saúde fez a contratação emergencial do Instituto Acqua mantendo integralmente as cláusulas do contrato firmado com a Gamp, sendo que a grande maioria dos ex-funcionários foi reaproveitada. 3 – Pela legislação em vigor, a princípio, não é responsabilidade do Estado o pagamento de salários e de verbas rescisórias dos colaboradores da O.S. Gamp. No entanto, na ocasião, demonstrando boa vontade, o governo do Estado se antecipou e solicitou a participação do Ministério Público do Trabalho na formatação de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), para dar legalidade à proposta de pagamento dos ex-colaboradores.

  • Continua a nota assinada pelo secretário Geraldo Resende: “4 – Passados dois meses da assinatura do TAC, a O.S. Gamp demorou para fornecer à SES dados confiáveis dos compromissos não honrados com os seus ex-colaboradores e não deu baixa nas carteiras de trabalho dos mesmos; com isso, vem prejudicando o cumprimento do referido acordo, pois a SES terá que fazer pagamentos individualizados a 60 ex-colaboradores da Gamp. Trata-se, portanto, de um atraso causado por questões técnicas e burocráticas, pois o poder público não pode fazer pagamentos que posteriormente possam ser questionados técnica e juridicamente. 5 – A Secretaria de Estado de Saúde irá fazer os pagamentos dos ex-colaboradores da Gamp e posteriormente se fará ressarcir do montante por meio de ação contra o Banco Santander, visando desbloquear o valor de R$ 868.779,73. 5 – A Secretaria de Estado de Saúde irá cumprir os termos do TAC e lamenta os transtornos que vêm sendo causados aos ex-colaboradores da Gamp, reafirmando, porém, serem os mesmos alheios a sua vontade e à determinação do Governo do Estado.

  • A bancada do PSL vai ficar menor no Senado. É que a senadora Juíza Selma (MT) decidiu trocar o partido do presidente Jair Bolsonaro pelo Podemos. A decisão foi tomada depois que a parlamentar foi pressionada por Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) a retirar a assinatura da CPI da Lava Toga. Ao explicar a mudança aos eleitores, a senadora explicou que preferia ficar em uma sigla que lhe desse liberdade para atuar no combate à corrupção e concluiu: “o PSL é só um partido”. “Sai do PSL por causa do desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro. Não foi apenas pelo fato de ele querer que eu retirasse a assinatura. Foi pela forma indelicada e desrespeitosa com que ele me tratou. Então, gostaria de deixar para vocês uma mensagem, no sentido de que o PSL é só um partido. Temos outros partidos que podem seguir a mesma linha”, afirma a senadora em um vídeo publicado nessa terça-feira (17) em suas redes sociais. Ela ainda explicou que não costuma usar a internet para fazer declarações como esta, mas achou melhor explicar a seus eleitores o motivo da saída do PSL, que será oficializada nesta quarta-feira (18) com a filiação ao Podemos. “Mudar de partido não é traição. Não é trair Jair Bolsonaro. No governo temos o DEM que ocupa vários ministérios, por exemplo. Não é o fato de sair do PSL que me distancia das pautas e das metas do presidente”, garantiu a senadora.

  • Conhecida como ‘Moro de saias’ pela atuação na Justiça do Mato Grosso, a Juíza Selma ainda garantiu que não vai abandonar a luta contra a corrupção. O líder do Podemos no Senado, Álvaro Dias (PR), garante até que esta tem sido a principal pauta do partido, que já desponta como a segunda maior bancada do Senado e está negociando com outros senadores para tirar o título de maior bancada do MDB. Por conta disso, a Juíza Selma disse ter “afinidade extrema” com a nova sigla. “É um número grande de senadores que estão aqui com boa intenção e a mesma intenção que eu de fazer um Brasil melhor. É um partido organizado que me dá a liberdade de exprimir essas coisas. E, eu estando em um partido que não me dá esta liberdade, eu não tenho como agir e cumprir todas as metas que preciso cumprir com vocês”, afirmou a Juíza Selma. Agora blindada pela posição independente do Podemos, que não quer se colocar nem na oposição nem na situação, a senadora ainda aproveitou para revelar os pontos em que discorda do governo Bolsonaro. “Eu tenho uma formação. E, em relação a um ponto de vista que ele tem, minha formação não me deixa concordar. Isso é normal. Não significa que estou indo para a oposição a Jair Bolsonaro”, afirmou a senadora, lembrando que “nem na família a gente consegue ter todos os membros concordando com todas as ideias”. Ela revelou, então, ser contra alguns pontos da reforma da Previdência, a transferência do Coaf do Ministério da Justiça para o Ministério da Economia e depois para o Banco Central, e com a possível criação da nova CPMF. Mas garantiu que concorda com “tudo o mais que o presidente está fazendo”.
Jeep

WHATSAPP DIÁRIO

Logo whatsapp Diario MS