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Corrupção na Câmara de Vereadores leva três vereadores para a cadeia

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Observado por policiais, o vereador Cirilo Ramão entra no veículo que o levou da Câmara até o prédio do MPE. Foto: Divulgação/TV MORENA

Operação que prendeu vereadores, 1 ex-vereador e 1 servidor, além de empresários de Campo Grande foi batizada de Cifra Negra

Marcos Santos

Especial para o Diário MS

A operação desencadeada na tarde de ontem pelo Ministério Público Estadual, através do promotor Ricardo Rotunno, da 16ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, em conjunto com agentes doo 2º Distrito Policial de Dourados, foi batizada de Cifra Negra, em alusão ao dinheiro sujo que os acusados recebiam por fraudes em licitação. Foram cumpridos 10 mandados de prisão preventiva e um mandado de busca e apreensão expedidos pelo juiz Luiz Alberto de Moura Filho, da 1ª Vara Criminal de Dourados, o mesmo que decretou a prisão dos acusados na Operação Pregão, que desmantelou o esquema semelhante na Prefeitura de Dourados.

 

 

O delegado Francis Flávio Tadano Araújo Freire, do 2º Distrito Policial de Dourados, cumpriu os mandados de prisão preventiva dos vereadores Idenor Machado (PSDB), Cirilo Ramão (MDB) e Pedro Pepa (DEM), além do ex-vereador Dirceu Longhi e de dois servidores municipais, sendo um deles Amilton Salinas.

O Ministério Público Estadual explica que a Operação Cifra Negra é desmembramento das operações Telhado de Vidro e Argonautas, que investiga crimes do colarinho branco praticados através de fraudes em licitações. Em nota, o MPE afirma que existem fortes indícios que o esquema de corrupção vinha ocorrendo há pelo menos oito anos.

De acordo com o Ministério Público Estadual, as licitações realizadas pelo grupo reuniam empresas licitantes com “cartas marcadas”, as quais atuavam em conluio entre elas para vencer o certame. A concorrência, de acordo com o MPE, existia apenas no papel com intuito de simulação para fraudar a lei de licitações.

Com a fraude nas licitações, os valores dos contratos acabavam sendo exorbitantes, prejudicando os cofres públicos municipais. “Para garantir que o esquema se perpetuasse, as empresas repassavam valores mensais, ou seja, propinas, a servidores públicos, dentre eles os membros da Mesa Diretora da Câmara nas duas gestões anteriores”, enfatiza o MPE.

A reportagem apurou que os presos são investigados num suposto de esquema de corrupção envolvendo, entre outras empresas, o setor de Tecnologia da Informação (TI) da Câmara de Vereadores de Dourados. A estratégia do grupo, além de fraudar licitações, era aditivar e prorrogar contratos em troca de propina. Os três vereadores foram presos porque teriam iniciado o esquema na gestão passada e continuavam operando nesta gestão, já que dois deles (Pepa e Cirilo) seguiam na Mesa Diretora.

 

SESSÃO CANCELADA

A movimentação na Câmara de Dourados começou bem no meio da tarde, com a chegada dos policiais e promotores. O expediente termina oficialmente às 13 horas, mas ainda havia pessoal no local já que estava prevista uma sessão solene para o período noturno, quando aconteceria a entrega anual de honrarias.

Em comunicado, a Câmara de Dourados informou no final da tarde que a sessão solene foi adiada. Segundo a presidente Daniela Hall (PSD), o adiamento é devido a “motivos de força maior”. Disse ainda que “em momento oportuno, o evento será remarcado para nova data, ainda sem previsão”. E completou que “os homenageados, escolhidos conforme trabalhos prestados por eles a comunidade douradense, serão informados da situação”.

 

COLETIVA

Em um segundo comunicado divulgado ontem à tarde, a presidente Daniela Hall marcou para hoje, a partir das 8 horas, uma entrevista coletiva no plenarinho da Câmara. É quando ele deverá prestar esclarecimentos referentes aos mandados de busca e apreensão expedidos pelo Ministério Público Estadual.

 

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