Completando 102 anos, Cordão da Bola Preta arrasta multidão no Rio

Cortejo teve início com a execução do hino popular Cidade Maravilhosa

 

Por Léo Rodrigues

Ao completar 102 anos de história, o Cordão do Bola Preta arrasta mais uma vez uma multidão pelo centro da cidade do Rio de Janeiro. Para acompanhar o mais antigo bloco da cidade, os foliões levantaram cedo. Muitos trajavam fantasias preparadas com exclusividade para homenagear o bloco. A concentração começou 8 horas, na Avenida Antônio Carlos.

“Mais um carnaval do Bola Preta sempre com aquele lema: tradição, paz, amor e folia. Pedimos a todos respeito ao seu semelhante. Carnaval é festa”, declarou o presidente do bloco, Pedro Ernesto, ao autorizar o movimento do trio elétrico.

Como tradicionalmente ocorre, o cortejo teve início com a execução de Cidade Maravilhosa, samba que é conhecido como um hino popular do Rio de Janeiro. Na sequência, veio o hino do bloco, a Marcha do Cordão da Bola Preta, composta Nelson Barbosa e Vicente Paiva. “Quem não chora não mama, segura meu bem a chupeta. Lugar quente é na cama ou então no Bola Preta”, diz o refrão.

“Todo ano estou aqui linda e maravilhosa. É o bloco mais tradicional do Rio. Se não tiver Cordão da Bola Preta, acabou o carnaval”, decretou a auxiliar de creche Marta Veloso.

Em cima do carro de som, distribuem acenos a cantora Maria Rita, madrinha do bloco; o carnavalesco Neguinho da Beija-Flor, padrinho; a atriz Leandra Leal, porta-estandarte há mais 10 anos; e a cantora Emanuelle Araújo, que assumirá o microfone para uma participação especial. A atriz Paola Oliveira é rainha do bloco pelo segundo ano consecutivo.

Leandra Leal destacou o discurso de respeito às mulheres encampado pelo bloco. “Estamos em um momento lindo para ser mulher. Não só aqui no Cordão da Bola Preta, mas na avenida também. E é isso, vamos curtir carnaval. O carnaval tem uma força feminina, está na tradição. Então, acho que tem que se fantasiar e celebrar, tem que se permitir”, disse.

Fundação

O Cordão da Bola Preta foi fundado em 1918 e é o último representante remanescente dos antigos cordões carnavalescos que existiam no Rio de Janeiro no início do século 20. Atravessou décadas se dedicando a preservar as músicas de carnaval como marchinhas, samba-enredos, entre outros. Na década de 1990, quando a capital fluminense viveu um esfriamento do carnaval de rua, o Cordão do Bola Preta era um dos únicos que desfilava no centro da cidade.

A confeiteira Flávia Vieira conta que há 10 anos participa do desfile e disse que nem a ameaça de chuva lhe tira dali. “É um ambiente familiar. As pessoas que vêm são maduras. Não tem briga, é super tranquilo. Me sinto super a vontade. E tem que vir de preto e branco. O negócio é causar e com muito glitter“. (Da Agência Brasil)

Fotos: Tomaz Silva/Agência Brasil