Comilança de fim de ano pode lesar a saúde das crianças, alerta pediatra

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Os quilinhos adquiridos pelas crianças no final de ano não vão embora em janeiro e podem gerar outros problemas. Foto: Reprodução

Pediatra da USP dá 10 dicas para equilibrar os malefícios das festas de final de ano para as crianças

Quando o assunto são as festas de final de ano, vêm à mente a palavra fartura. E não é para menos: muitas famílias costumam festejar Natal e Ano Novo com muita comida e bebida. No entanto, tanta permissividade pode prejudicar a saúde das crianças.

 

Os exageros alimentares nesta época do ano podem gerar mal-estar estomacal, intoxicações alimentares e um rápido ganho de peso nos pequenos que, muitas vezes, é difícil de ser compensado nos meses seguintes, facilitando o surgimento do sobrepeso e até mesmo a obesidade, alerta a pediatra Vanessa Guimarães, também especializada em cardiopediatria pela Faculdade de Medicina da USP.

“Essas duas condições (sobrepeso e obesidade estão ligadas a alterações no metabolismo da criança que a predispõe a doenças como o diabetes, a hipertensão e o colesterol alto, todos eles fatores de risco importantes para a doença cardiovascular, quando elas se tornam adultas”.

Para fugir desse risco, a médica dá recomendações simples e fáceis de serem adotadas no dia-a-dia das crianças nessa fase de comemorações, como a de oferecer lanchinhos saudáveis e coloridos, antes de elas irem para as festas. “Com menos fome, a tendência é que a criança coma menos guloseimas e se dedique mais às brincadeiras com os amiguinhos e familiares”, recomenda a médica.

 

HÁBITOS SAUDÁVEIS

 

Segundo Vanessa, não é preciso privá-las do prazer da boa mesa e de estar junto dos amiguinhos e da família, contatos importantes para a socialização na fase de crescimento. A questão é que, assim como os pais, a agenda dos pequenos costuma ser agitada em dezembro, com confraternizações na escola, no ballet, na natação, além das reuniões de família, em que, não raro, a mesa está repleta de doces, salgadinhos, refrigerantes e comidas gordurosas e açucaradas.

O resultado da exposição da criança a essa alimentação de forma continuada vai além do ganho de peso e do risco de intoxicação alimentar. “É mais difícil para a criança voltar, depois, para os hábitos saudáveis nos quais os pais vinham se esforçando para educá-la”, esclarece a médica.

“Se os pais não souberem equilibrar essa agenda como ‘exceção’ e não como a ‘regra’ do dia a dia da criança, o trabalho deles será redobrado depois”, diz a médica.

 

UM MÊS

 

As férias escolares, logo na sequência do final do ano, diz a médica, também não facilitam a vida dos pais no que se refere a manter a rotina das crianças de forma saudável. Segundo a médica, um mês fora da rotina saudável já é suficiente para causar estragos.

Isso porque a criança se guia muito mais pelo prazer do que pela razão de um benefício futuro ou não imediato. “Se para o adulto, que compreende pelo menos intelectualmente esse retorno,  já é difícil voltar à alimentação saudável e aos exercícios, depois de um mês de festas, imagine para a criança”.

O resultado dessa resistência é que muitas vezes os quilinhos extras adquiridos no final de ano não vão embora em janeiro, ao contrário, ficam para abrir as portas para outros problemas.

 

SOBREPESO INFANTIL

 

A atenção vale, sobretudo, para a manutenção da saúde dos pequenos, já que, segundo a médica, é crescente o aumento de pressão arterial, glicemia e colesterol nas crianças e adolescentes brasileiros com sobrepeso ou obesidade.

Vanessa alerta para o risco do coração dessas crianças quando forem adultas. Segundo ela, mantida a condição do sobrepeso e/ou da obesidade, a probabilidade de elas terem problemas cardiovasculares ainda antes dos 40 anos é bastante significativa.

“Há estudos que encontraram alterações nas artérias de jovens, já a partir dos 15 anos, indicativas de aterosclerose progressiva, desequilíbrio que está na base das doenças cardiovasculares”.

10 dicas para equilibrar malefícios da comilança

 

  • Evitar alimentos industrializados;

 

  • Alimentar a criança de três horas em três horas;

 

  • Dar lanchinhos saudáveis, como frutas e sucos naturais, no intervalo entre as refeições principais;

 

  • Antes de a criança ir para a festa, oferecer um lanchinho saudável, de maneira que ela não sinta tanta fome quando estiver na comemoração;

 

  • Nas confraternizações, estimular a criança a consumir alimentos assados, ao invés de fritos;

 

  • Estimular a ingestão de água ao longo do dia, para evitar a desidratação;

 

  • Manter a prática de atividades física regular, para as crianças que já têm essa prática;

 

  • Para as que ainda são sedentárias, é um ótimo momento para iniciar alguma atividade física regular;

 

  • Incentivar brincadeiras que mexem com o corpo, como correr e andar de bicicleta, longe dos eletroeletrônicos (TV, computador, tablet e celular);

 

  • Fora dos dias de festividades, procurar colocar a criança cedo na cama, para um bom sono.
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