Coletivo de Brechós se une em campanha contra assédio e violência contra mulher

Com os desfiles e blocos de rua, além dos bailes em clubes, a discussão sobre assédio e abuso contra as mulheres se torna mais intenso durante o Carnaval.

O que antes era visto como normal – como a famosa passada de mão, beijo sem consentimento – hoje não é mais aceitável. Na mídia, nas redes sociais as histórias se repetem todos os anos, mostrando o quanto mulheres são vulneráveis diante da intolerância e do machismo, algo muito presente no Brasil.  

Com o intuito de empoderar mulheres a não aceitarem tais atitudes, o Coletivo de Brechós, composto de mulheres que atuam no segmento de brechó e trabalham com geração de renda, além de outros conceitos como sustentabilidade e a quebra de preconceito contra os usados, que fazem uma grande diferença no planeta, resolveram se unir e lançar uma campanha contra o assédio e violência contra a mulher no Carnaval.

Foi realizado um ensaio fotográfico com integrantes do grupo, e peças dos brechós participantes, trazendo à tona a discussão e deixando claro que todo e qualquer abuso deve ser denunciado. A ideia é a conscientização das meninas, que muitas vezes não sabem que tais comportamentos podem ser enquadrados como assédio e violência, e agora é crime.

Com cartazes como: “Se te digo não, é não!”, ou “Meu nome não PSIU”, as fotos deixam claro que o assédio neste carnaval não será permitido. O intuito é o encorajamento para que mais e mais mulheres se unam contra a violência.

Priscilla de Oliveira, 25, uma das organizadoras do ensaio e integrante do Coletivo de Brechós, disse que se sente revoltada pois em pleno ano de 2020 ainda é comum este tipo de violência. “As meninas só querem se divertir em paz e ainda tem que passar por essa situação. Campanhas como essas são importantes para reafirmar algumas questões, tais como o pouco uso de roupa não dá direito a nada e muito menos é um convite”, afirma ela.

Foi pensando em conscientizar as mulheres, para que elas saibam o que é um assédio quando ele acontecer, que Priscilla juntou as meninas e organizou o ensaio. “Existem casos de pessoas que são assediadas e acabam nem percebendo. Então acho importante falar sobre o assunto principalmente no período do Carnaval, que é uma data tão propícia a acontecer casos de assédio’, explica ela.

Patrícia Araújo da Silva, 41, integrante do Coletivo de Brechós também participou do ensaio e afirma que a roupa não define a moral da mulher. “Cada um se veste ou se fantasia do que quiser, é carnaval, mas isso não dá o direito nem a liberdade para sermos abusadas. Temos que nos unir e denunciar mesmo!”

Kemilly Eduarda Maia Pereira, modelo e integrante do Coletivo de Brechós, diz que campanhas como essa fazem com que meninas que são assediadas tenham coragem de expor o caso. “Elas vão estar conscientes de que é uma violência, e tendo uma referência de que existem outras mulheres que já passaram por isso, terão mais coragem em denunciar”.

Números da Violência

A cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil, mas apenas 7.5% denunciam o agressor. Pelas ruas do país, 98% das mulheres afirmam já terem sido cantadas, de acordo com dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública. No período do Carnaval este número cresce em torno de 20%.

Em 2019 foi o primeiro ano em que a importunação sexual foi classificada como crime, de acordo com a Lei 13718/2018, e ainda não temos um estudo claro de impacto sobre o que mudou, mas diante deste cenário as iniciativas de combate a estes abusos se intensificam. A conscientização dos foliões é um dos objetivos da maioria das campanhas.  

Entre os dias 1º e 05 do mês de março, dias de carnaval do ano passado, o Disque 100 recebeu 1.317 denúncias, que resultaram em 2.562 violações registradas. Os tipos de violações com índices mais altos foram negligência (933), violência psicológica (663) e violência física (477).

Sobre o Coletivo de Brechós de Mato Grosso do Sul

O Coletivo de Brechós é um grupo de mulheres que atuam no segmento de brechós desde 2014. Com conceitos como a sustentabilidade, reuso de peças e a quebra de preconceito contra roupas usadas, que ajudam muito o planeta, elas se unem, fazem eventos, buscam parcerias e trabalham basicamente no empoderamento destas mulheres. Nestes mais de 5 anos de existência já fizeram mais de 180 eventos em Mato Grosso do Sul.

Fotos: Divulgação