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Produção industrial opera 19% abaixo do pico de junho de 2013, diz IBGE

Estadão Conteúdo

Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Em três anos, fabricação de bens intermediários caiu 13,3% em três anos e bens de consumo semi e não duráveis caíram 10,3%.

Apesar dos avanços registrados nos últimos dois meses de 2016, a indústria brasileira ainda opera 19% abaixo do pico registrado em junho de 2013, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O patamar de produção se assemelha ao de fevereiro de 2009, época da crise financeira internacional.

 

“Há um espaço grande de perdas a serem recuperadas no setor industrial. As perdas são muito acentuadas quando a gente consolida o ano de 2016”, avaliou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

A indústria teve retração de 6,6% em 2016, após já ter recuado nos dois anos anteriores: -3,0% em 2014 e -8,3% em 2015. Houve um movimento de melhora gradual no fim do ano passado, especialmente em dezembro, mas ainda insuficiente para reverter as perdas anteriores, lembrou Macedo.

“A base de comparação tem influência (na queda menor em 2016 ante 2015), mas também tem uma melhora gradual. Há ganho de ritmo, mas não suficiente para tirar a indústria do campo negativo”, avaliou.

Apesar das taxas positivas em novembro e dezembro, a produção industrial recuou 0,7% no quarto trimestre ante o terceiro trimestre de 2016.

“Todas as características que justificaram o comportamento negativo da indústria ao longo do ano permanecem na conjuntura da economia. Há um ambiente melhor da condução da política monetária, com redução da taxa de juros. Mas esses fatores ainda não estão presentes dentro do escopo da produção”, explicou Macedo.

Segundo o pesquisador, a indústria ainda precisa da recuperação da demanda doméstica, através da solução das incertezas no mercado de trabalho, que determina a decisão de consumo das famílias, e na recuperação da atividade, que influencia a determinação de investimentos por parte dos empresários.

“As decisões de consumo e investimentos ficam sempre mais adiadas em função do ambiente de incertezas que acabamos presenciando ao longo de 2016”, lembrou Macedo.

 

ANOS DE PERDAS

Em três anos de perdas, a produção da indústria brasileira acumulou uma retração de 16,9%, segundo o IBGE. A fabricação de bens de capital despencou 39,8%, a retração mais aguda entre as categorias de uso. Já a produção de bens de consumo duráveis diminuiu 36,8% em três anos de quedas.

A fabricação de bens intermediários caiu 13,3% em três anos, enquanto a produção de bens de consumo semi e não duráveis teve redução de 10,3%.

O desempenho da indústria foi afetado pelo adiamento das decisões de consumo das famílias e de investimentos por empresários, segundo Macedo.

“O que há em comum nesses três anos é o predomínio de resultados negativos, todas as categorias econômicas com queda na produção, com destaque para bens de capital e bens duráveis”, ressaltou Macedo.

Índice de difusão

A indústria brasileira aumentou a produção em dezembro de 54,4% dos 805 itens investigados na Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo IBGE. O índice de difusão foi o mais alto desde fevereiro de 2014, quando estava em 57,5%.

Segundo Macedo, a redução nos estoques foi um dos componentes que incentivou a melhora. Em novembro, apenas 42,7% dos produtos tiveram produção maior ante o mesmo período do ano anterior.

A atividade de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-14,1%) teve a maior influência negativa na formação da média da indústria, pressionada pelos itens óleo diesel e álcool etílico. Outras contribuições negativas relevantes para o total nacional foram de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-27,4%), produtos alimentícios (-3,1%), bebidas (-5,8%), outros equipamentos de transporte (-21,8%), produtos de minerais não-metálicos (-4,9%) e impressão e reprodução de gravações (-18,8%).

Entre as 14 atividades com expansão na produção, as principais influências positivas foram veículos automotores, reboques e carrocerias (19,8%) e indústrias extrativas (7,0%). Houve impacto também de máquinas e equipamentos (12,6%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (23,4%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (29,1%).