Diário MS
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Pra não dizer que não falei das flores e das folhas…

Silvio Luiz de Souza Coutinho e Alisson Maxwell Ferreira de Andrade (*)

O Arcadismo, também conhecido como Neoclassicismo, surgiu no continente europeu no século XVIII, durante uma época de ascensão da burguesia e de seus valores sociais, políticos e religiosos. Essa escola literária caracterizava-se pela valorização da vida bucólica e dos elementos da natureza e pela consequente crítica ao modo de vida urbano, defendendo que a felicidade verdadeira só poderia ser encontrada ao experimentar o ar puro do campo, com suas nuances e aromas. E não é que, talvez, escritores que viveram em pleno século XVIII podem ter previsto algo que estudiosos têm defendido em pleno século XXI?

Segundo um estudo publicado pelo Jornal Internacional de Pesquisa Ambiental e Saúde Pública, pessoas que moram em espaços com amplas áreas verdes tendem a apresentar menos nível de ansiedade, estresse e depressão.

Tal descoberta vem ao encontro da “Teoria da restauração da atenção”, segundo a qual, após horas de concentração de atenção, ou mesmo de exposição ao estresse da vida cotidiana, pode-se experimentar fadiga, carecendo o cérebro humano, de um momento para descansar e retomar a atenção.

O contraste entre o ambiente urbano e a natureza propiciaria esse descanso, auxiliando assim, na redução dos efeitos nocivos da vida na cidade, de modo que  diferente do que se pensa, a conservação do ambiente natural tem, sim, valor econômico, particularmente nos espaços urbanos.

Por meio dessa pesquisa, conclui-se que um trabalhador que viva em um espaço com maiores áreas verdes vai ser menos ansioso e estressado e possivelmente sofrer menos de depressão. Com a mente sadia, esse colaborador certamente vai ser mais saudável, feliz – e isso vai interferir na forma como ele trabalha, sendo então mais produtivo (se vai ser mais produtivo, os donos do capital vão amar…).

É certo que tratar essa questão pelo viés do beneficio econômico pode parecer frieza, mas, infelizmente, no contexto em que vivemos, o meio ambiente só será preservado quando a sua conservação gerar benefícios financeiros maiores do que os alcançados com sua devastação.

Isso nos faz lembrar o livro O que o dinheiro não compra, do escritor Michael J. Sandel, que trata justamente da valoração de coisas que não deveriam ser vistas como uma mercadoria. Este é o caso da preservação ambiental: enquanto o ser humano não for conscientizado da necessidade de conservação, talvez só mesmo mostrando a ele que pode obter lucro sem precisar derrubar e destruir tudo que está a sua volta. Triste? Sim! Verdadeiro, porém!

(*) Acadêmico de Administração da UFMS; Professor do curso de Administração da UFMS de Três Lagoas.