Diário MS
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Por favor… Ajude!

Rosildo Barcellos (*)

A vida de articulista não tem instante e nem hora. Constatei isso quando no alvorecer deste dia, realizava minha caminhada, e deparei com uma mãe desesperada, dizendo: Moço me ajuda – não sei mais o que fazer! Recém anestesiado do susto, indaguei o cerne de tamanha aflição e obtive como resposta … estou correndo da sombra do crack… Instado a auxiliar, procurei acalmá-la para que nas primeiras horas da manhã pudesse levá-la a orientação adequada e devida.

Entretanto nesse ínterim pensei quantas outras mães estão vagando pelas madrugadas em buscas de seus filhos que foram adotados pelas drogas e pela ilusão de um mundo diferente e resolvi fazer o que uma articulista deve fazer sempre. Usar suas ferramentas forjada no beneplácito das palavras para alertar o “antes”. A prevenção e o esclarecimento dos fatos tendem a ser a melhor opção, ou seja, o crack é uma droga que dá sinais muito claros nos indivíduos. Ele some de casa desde manhã, dorme muitas horas seguidas. Posteriormente precisará furtar algo de casa. Então essa alteração de conduta requer intervenção imediata. Não espere o problema agigantar-se. Algumas famílias têm medo de se expor, principalmente de classe média, ou negam a doença. É uma droga, no entanto, tem sua particularidade posto que não deixa um traço característico, como a maconha, que podemos observar as sementinhas pela casa ou aqueles papéis de seda. No caso do crack, não. A pessoa ‘queima’ o crack  até o último. Usa normalmente em ambientes fora de casa e retorna já intoxicado e os pais desconhecem as formas de avaliar o que está acontecendo. Muitas vezes com odor etílico, que mistura para acalmar a agitação.

Esse artigo, na verdade é mais uma conversa com os pais. Os progenitores precisam saber da realidade da vida e preparar seus filhos para enfrentá-la e apenas o conhecimento de causa e a experiência poderão trazer soluções duradouras e consistentes. Precisam saber, por exemplo, que o crack, apesar de ser considerado uma forma impura da cocaína, traz em seu bojo um poder infinitamente maior de gerar dependência, pois a fumaça chega ao cérebro com velocidade e potência extremas. Ao prazer intenso e efêmero, segue-se a urgência da repetição. Além de se tornarem alvo de doenças pulmonares e circulatórias que podem se tornar irreversíveis, os usuários se expõem à violência e a situações de perigo.

Outra questão importante de se lembrar é que o usuário aquece a lata de refrigerante para inalar o produto. Ou seja, além do vapor da droga, ele aspira o alumínio, que se desprende com facilidade da lata aquecida. O metal se espalha pela corrente sanguínea e provoca danos ao cérebro, aos pulmões, rins e ossos. É a forma de uso, nem tanto a composição, que torna a pedra mais potente. O baixo custo da pedra, revela-se ilusório. Invocado para o precipício da fissura, para o dependente faz-se mister fumar repetidamente. E então, por conseguinte, desfaz-se de todos os bens próprios inclusive da sua dignidade, além de induzir o furto a familiares e amigos e, por fim, começa a evoluir criminalmente.

Outrossim, mesmo que difícil e com poucos exemplos que sirvam de comprovação, é possível que um usuário de crack se recupere do vício. Essa questão mata e destrói famílias, mas pode ser vencida com a ajuda de muita força de vontade e principalmente de um apoio religioso. Sim acreditar em Deus. A partir desse ponto a vem a conscientização  da sociedade civil e das autoridades que também reflete de maneira precípua para que se possa chegar num combate efetivo do uso do entorpecente. Com fulcro em um tripé que demanda a informação, a repressão, e  a educação, entrelaçado pela mais importante de todas as regras de prevenção: a atenção dos pais, independente da classe social que for, verificando o que tem acontecido com seu filho no dia-a-dia, participando da vida da família sob todos os aspectos.

(*) Articulista.