Diário MS
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Paciente queimado volta para agradecer equipe

dsc_0012Divulgação/ Reprodução

Após 53 dias internado no setor de queimados, localizado no segundo andar da ABCG-Santa Cansa, Hecson Martins, 37 anos, voltou na manhã desta quarta-feira (30), ao hospital com um bolo na mão para agradecer e prestar uma singela homenagem a equipe, que em quase dois meses, tornou sua segunda família.

 

O acidente aconteceu no dia 6 de fevereiro deste ano. Hecson era dono de uma revendedora de botijão de gás. Ao chegar no serviço, pensou em ferver água para esquentar um café. Ao ascender o isqueiro só lembra da explosão e do fogo vindo em sua direção. O paciente teve 50% do corpo queimado. Face, orelhas, braços, mão, costas, tórax e abdômen ficaram danificados com queimaduras de primeiro e segundo grau.

 

“Engraçado que sempre orientei meus clientes para tomar cuidado com vazamentos de gás. Nunca chegar em um local fechado e já ascender fogo, pois corre risco de explosão. E eu fiz isso. Saí e fechei toda a loja. Ao chegar ascendi o fogo direto e olha o que me aconteceu. Fiz tudo ao contrário do que eu passava para eles”, relembra.

 

Emocionado, Hecson lembra que a dor era uma parceira constante no seu dia a dia no hospital. “Sofria duas vezes. Era a dor física das queimaduras e a dor emocional ao ver que minha família estava sofrendo com meu acidente”. O paciente aproveitou a oportunidade para agradecer o atendimento que recebeu na Santa Casa. “O atendimento que recebi aqui foi fundamental para me recuperar não só fisicamente, mas também emocionalmente. Queimadura abala muito a pessoa e os profissionais deste setor são extremamente carinhosos e amorosos”, complementa.

 

Ao entregar o presente para a equipe, Hecson afirma. “O bolo não paga o tratamento que eu tive, mas é uma forma de homenagear a quem cuidou de mim para que hoje estivesse aqui. Vou levar essa equipe para o resto da minha vida”, fala emocionado.

 

Durante conversa, o paciente relembra momentos que passou com alguns profissionais e faz questão de nos contar. “Logo que dei entrada no hospital, a enfermeira Cida me disse que a minha vida havia mudado, mas que aqui todos respeitavam minha dor. A fisioterapeuta Fátima dava um sorriso que melhorava meu dia. A enfermeira Adriana fazia minha barba com toda atenção. São pequenos detalhes que só quem passou por isso sabe o quanto fazem a diferença”.

 

Questionado sobre o que tirou de aprendizado com o acidente, o paciente afirma que aprendeu a valorizar cada dia mais a vida e sua família. “Na correria do dia a dia não damos valor nas pequenas coisas. Muitas vezes nos preocupamos com coisas materiais e esquecemos de agradecer a Deus, família e amigos. Quando acontece alguma tragédia olhamos para trás e vemos que muitas coisas não valeram a pena”.

 

Hecsoné casado e tem duas filhas. Há quase um ano do acidente, ele ainda não voltou ao trabalho e continua a fisioterapia para recuperar totalmente os movimentos que foram prejudicados com a queimadura. Hoje, sua profissão é o esporte. “Quero voltar a trabalhar, mas pretendo mudar de ramo. Hoje, faço fisioterapia e corro todos os dias. Fazer esporte ajuda muito minha recuperação”.