Diário MS
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O protesto dos caminhoneiros  

Ciro José Toaldo (*)

O Brasil vive uma crise que há muito tempo não víamos! O incrível é que saímos de um pleito eleitoral e, para vencer, a candidata da situação, reeleita, afirmava que não havia crise e tudo estava controlado. Quanta enganação! Aliás, o que não se faz para se vencer uma eleição!

No primeiro artigo deste ano era preconizado que algo iria acontecer! E, foram os valentes e heróicos caminhoneiros que mostraram sua força. Nos últimos dias eles, por meio de protestos, tornaram-se as vozes das ruas (rodovias) e começam a ser ouvidos e respeitados! Infelizmente as vitimas também aparecem – como o caminhoneiro Cléber Adriano Machado Ouriques – de 38 anos, foi atropelado por outro caminhoneiro que não parou no bloqueio. Este fato lastimável ocorreu em 28/02, na BR-392, em São Sepé (RS), 265 quilômetros de Porto Alegre.

Estes protestos estão em onze estados, aonde os caminhoneiros interrompem rodovias importantes e, já resultou em paralisação de atividades industriais e desabastecimento de alimentos em Minas Gerais e Paraná; em outros estados faltam combustíveis.

Os caminhoneiros dizem que o aumento do diesel reduz o frete. Eles que vivem em função do frete, passam a ter remuneração diminuída. Tenho parentes e colegas caminhoneiros, estes são categóricos ao afirmar que ‘estão pagando para trabalhar’.

A Confederação Nacional dos Transportes Autônomos – CNTA – diz que os caminhoneiros querem: diminuição do preço do diesel, subsidio para os autônomos comprar combustível e a renegociação de financiamento de seus caminhões. Também há luta para criação de uma tabela única de frete, pois a forma e valor de cobrança, seja por peso de carga ou quilometragem, são definidos de forma diferente em cada estado.

Diante das manifestações e protestos, o governo chamou, em 25/02, os representantes dos caminhoneiros e foi estabelecido um pacote de medidas que incluem a renegociação das dívidas do setor e o compromisso da Petrobras para não aumentar o preço do diesel nos próximos seis meses, entre outros pontos. Também o governo se comprometeu a sancionar a Lei dos Caminhoneiros e a Justiça determinou, depois do acordo, a proibição de bloqueios nas estradas federais,

No entanto, este acordo não fez com que os protestos parassem e, os caminhoneiros continuam reivindicando, principalmente em relação à diminuição do preço do diesel e os baixos fretes.

Qual o desfecho deste protesto que muitos chamam de ‘greve’? Que rumo o caminhoneiro irá tomar? Na verdade, não se trata dos caminhoneiros, mas do brasileiro cidadão! Março começa com aumento na energia elétrica e com o efeito dominó que promove o aumento dos produtos necessários para nossa sobrevivência! O momento é delicado, requer prudência, pois vivemos uma crise que assola, não apenas a economia, mas também a democracia! Não foi para isto que lutamos e, quem deseja defender o ‘trabalhador’, precisa colocar a mão em sua consciência e defender todos que vivem de seu trabalho.

Discernimento e cautela e, não tenho dúvidas que estes protestos irão trazer melhorias para todos. Amigos caminhoneiros: não desistam de seus sonhos e da luta! Vocês são trabalhadores e cumpridores de seus deveres e, trazer o sustento ao seu lar, não esta fácil, por isso, estes protestos são importantes para a valorização de vossa profissão. Deus possa dar luz às autoridades, para tirar nosso país desta crise profunda.

Pense nisso e até o próximo!

(*) Professor mestre.