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O oprimido que oprime e a barriga de aluguel

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Inhaí? Gente, para que homens gays possam ter filhos é um processo complicado. Para uma racha basta procurar “um doador” – que não participa de forma intensa, mas para as bicha as coisas são mais difíceis; são poucas as saídas – e quase todas esbarram em questões sensíveis. Tá, mas estamos falando disso por conta do que mesmo?

Digo isso para discutirmos a gravidez anunciada do casal 20 Paulo Gustavo e Thales Bretas – que recentemente postaram uma foto com os dizeres

“Aos meus fãs, amigos e todos aqueles que nos acompanham. Quero compartilhar algo muito importante das nossas vidas, minha e do Thales. Um sonho, que finalmente se realizará: vamos ser papais e ainda por cima, em dose dupla, de gêmeos! Estávamos loucos pra contar, mas tivemos de aguardar 4 meses até sabermos que está tudo bem com os bebes e a barriga de aluguel. Ufa, pareciam 4 anos! Agora sabemos que está tudo bem e as crianças vão nascer nos EUA.”

Vamos lá. É fofo? Haram, dizem que é. Eles serão bons pais? Creio que sim. Só que vamos nos afastar um pouco da fofura desse caso específico para pensarmos em abstrato uma coisa: a mulher é um objeto que pode ser usado para permitir aos homens gays que tenham seus próprios filhos?

Eu não vou dar a resposta e quero deixar expresso que não sei como aconteceu a escolha da barriga de aluguel de Paulo e Thales, mas alguém aí já assistiu “The Handmaid’s Tale”? Bom assista. Vai te fazer refletir sobre mulher, reprodução e homens.

Certo, voltamos. Vem comigo! Estávamos na parte em que eu sugeria que a barriga de aluguel é um tema complicado, digo, muito complicado de lidar.

Há alguns casos que, na minha humilde opinião, são demonstrações de que há um movimento gay contrário aos direitos de outras minorias. Lembro-me de uma notícia de 2014, por exemplo, em que um casal homoafetivo contava que havia, ó, atenção, é um rolo: dois homens, por meio de uma agência israelense, arrumaram barrigas de aluguel na Tailândia – isso tudo com a ajuda de baixo custo de óvulos sul-africanos – e, depois, passado o período da gestação, foram buscar as crianças no país asiático (AliExpress não entregava).

Tá. E cadê “o movimento contrário aos direitos de outras minorias”? Gente, todo mundo pode imaginar que tipo de mulher na Tailândia que será contratada pela empresa do Israel para dar filhos aos brasileiros, né? É uma mulher desesperada, faminta e que tem apenas seu próprio corpo para viver. Aliás, imagine se fosse possível, no Brasil, esse tipo de negócio – advinha quem seria a barriga de aluguel padrão? Sim, isso mesmo. Uma mulher preta e pobre, que vive em condições precárias (ha, vale lembrar que essa pessoa seria intensamente julgada pela sociedade ao mesmo tempo em que os pais biológicos seriam tratados de forma indiferente).

O comércio envolvendo a barriga de aluguel é tão desumano e ridículo que a BBC noticiou em 2015 que “teve grande repercussão o caso de um menino com síndrome de Down que teria sido abandonado na Tailândia por seus país biológicos. Pattaramon Chabua, de 21 anos, que deu à luz ao menino – conhecido como bebê Gammy – diz que o casal só quis levar para casa sua irmã gêmea, que não tinha Down”.

Calma, calma. Eu não estou condenando ninguém e nem querendo generalizar casos isolados. Ok? Não se pode negar o direito dos gays constituírem famílias e terem seus próprios filhos, eu mesmo tenho essa vontade. Contudo, atento! Pensem, reflitam e tirem suas conclusões: é justo, humano, desejável e moral se utilizar de mulheres como se fossem vacas reprodutoras em um pasto? Não deve a pessoa sempre ser um fim em si mesma e jamais um instrumento? Os fins justificam os meios?

Tá, mas eu não quero adotar e quero um filho. Eu não posso morrer sem ter um filho “meu”. Inhaí? Vou ficar sem filho?

Bom, primeiro deve-se ter em mente que toda pessoa precisa ser minimamente madura para aceitar algumas verdades inevitáveis da vida: nem todo mundo poderá ter filhos biológicos e é possível viver bem desta forma. E mais, nem tudo que a gente quer é possível e nem tudo que é possível é certo; as pessoas precisam aceitar certas limitações inevitáveis da vida (a vida é feita das circunstâncias e do possível, não do ideal – como costuma dizer o Ministro do STF Luís Roberto Barroso).

Tá, mas não chora. Há outros métodos para que homens gays tenham filhos biológicos. Vou expor dois: A barriga de aluguel altruística (no Brasil requer grau de parentesco do pai biológico com a mulher, medida que tenta impossibilitar seja a capacidade reprodutiva da mulher comercializada) e a parceria de paternidade (basicamente um homem ou mulher que quer ter filhos encontra outro(a) interessado(a) do sexo oposto e, sem relacionamento amoroso, assumem o objetivo de terem um filho).

Eu acredito que a parceria de paternidade é uma alternativa muito atrativa (quem quiser conhecer mais vai encontrar até aplicativo, o Modamily – por exemplo). É a ideal? Não sei, tudo depende de uma série de fatores. Contudo, é um meio saudável e humano de se gerar uma criança.

Se eu teria um filho por meio de parceria de paternidade? Não sei. Será mesmo que a única coisa que devemos pensar antes de ter um filho é a forma da gestação? Parece-me que não, mas isso é papo para outro dia.

Até a próxima!

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