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“O meu sangue ainda ferve por você”

SIDNEY MAGAL canta em Dourados e prepara para agosto  show de 50 anos de carreira com show ao lado de Ney Matogrosso e Alexandre Pires

Divulgação/Aced

SIDNEY MAGAL cantou sexta-feira à noite em Dourados durante festa promovida pela Aced (veja reportagem na página 5 desta edição); na música ‘Sandra Rosa Madalena’, o astro convidou ao palco o aluno Matheus Cramoliche Almeida, 12, do Ceia, que dançou junto com seu ídolo

“Nunca me deslumbrei porque achava que o sucesso ia acabar logo”. Cinquenta anos depois de começar a cantar e 40 desde o estouro de seu primeiro disco, lançado em 1977, Sidney Magal, 64 anos, superou as próprias expectativas. O intérprete de “Sandra Rosa Madalena”, “O Meu Sangue Ferve por Você”, “Amante Latino” e “Me Chama que Eu Vou”  cantou estes e outros hits no Salão de Eventos da Unigran, sexta-feira passada (14), na festa da Aced (Associação Comercial e Empresarial de Dourados em comemoração ao Dia do Comerciante.

 

Nos bastidores, revelou que prepara para o dia 17 de agosto uma grande festa para celebrar sua trajetória de cinco décadas com a gravação do CD e DVD “Bailamos”, no Espaço das Américas, em São Paulo. Além dos hits, o cantor prepara algumas surpresas para a apresentação.

Divulgação/Aced

SIDNEY MAGAL cantou sexta-feira à noite em Dourados durante festa promovida pela Aced (veja reportagem na página 5 desta edição); na música ‘Sandra Rosa Madalena’, o astro convidou ao palco o aluno Matheus Cramoliche Almeida, 12, do Ceia, que dançou junto com seu ídolo

“Vou cantar duas músicas inéditas, feitas especialmente para mim, uma delas se chama ‘Um Brinde à Vida’, que é tudo o que eu sempre fiz”, considera.

 

A música em questão será interpretada com o rapper paulista Rincon Sapiência. Mais duas participações já foram confirmadas, enquanto outras duas permanecem em segredo. “Meu filho bolou uma estratégia para aguçar a curiosidade do público por meio das redes sociais. Toda semana a gente coloca a silhueta de um convidado no Facebook e as pessoas tentam adivinhar quem é. Até agora já revelamos o Alexandre Pires e o Ney Matogrosso. Só posso dizer que as próximas pessoas são uma mulher e um homem que admiro muito”, disfarça.

 

Com Alexandre Pires, o anfitrião da noite interpreta “O Meu Sangue Ferve por Você”, êxito presente em seu álbum de estreia, e com Ney Matogrosso canta “Bandido Corazón”, feita por Rita Lee para o antigo vocalista do grupo Secos & Molhados e lançada por ele em 1976. “Nunca cantei com nenhum dos meus convidados, vai ser a primeira vez. O interessante é que pensei neles, peguei o telefone e eles aceitaram na hora, isso é muito gratificante. Muita gente sempre sonhou em ver a mim e ao Ney juntos, porque temos essa questão visual, de andar nessa fronteira entre a mulher e o homem. Sempre me enfeitei de brincos, cores berrantes, calça de couro, sem falar na dança. Com o Alexandre, vamos dar vazão a nosso lado romântico”, compara.

 

FACETAS

 

Cantor, dançarino, ator e dublador. De acordo com uma lenda espalhada no início da carreira e já desmentida diversas vezes, ele teria origem cigana. Para quem acha que sabe tudo de Magal, um dos objetivos do músico no novo espetáculo é não soar óbvio.

 

“Fui influenciado por muita coisa, sabia tudo do repertório de Jovem Guarda, Roberto Carlos, Erasmo, Eduardo Araújo. Venho de uma família muito musical, o Vinicius de Moraes é primo da minha mãe, que era cantora na rádio Nacional até que meu pai a proibiu. Lá em casa, a gente ouvia muito Dorival Caymmi, Dolores Duran, Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Dalva de Oliveira, e essas foram minhas primeiras referências, porque não havia roqueiros ainda para gostar. Depois eu cantei na Áustria, na Suíça, na Itália, tive contato com música folclórica. Comecei a cantar na noite, em boate. Não sei se por ser filho único e geminiano, mas eu nunca olhei para frente, sempre aproveitei cada momento. Quando cantei em churrascaria, foi para ser o melhor cantor e arrasar”, diz.

 

Além de homenagens a Reginaldo Rossi e Wando, o espetáculo de Magal vai contar com balé, violinos, piano de cauda e outros atrativos de sofisticação. “Vou mostrar minha capacidade vocal, de passar por diferentes gêneros e a cada um deles dar uma interpretação. Canto lambada e em italiano. Vou cantar uma música do Zé Rodrix que amo, chamada “Roupa Prateada”, e todos aqueles sucessos que me deixaram famoso como o rei das empregadas domésticas e dos garis”, conta.

 

LIVRO E FILME

Quinze anos após recusar o convite, Sidney Magal resolveu se postar ao lado de Roberto Menescal. Assim como o músico da bossa nova, Magal entregou sua vida para que a escritora Bruna Ramos (autora de “O Barquinho Vai…” e “Essa Tal de Bossa Nova”), escrevesse sua biografia. “Quando a Bruna me convidou pela primeira vez, achava que não tinha uma história muito interessante para contar, porque a minha vida é muito tranquila, nunca fui uma pessoa de escândalos ou reações intempestivas. Mas aí encontrei um diário antigo e, com as festividades dos 50 anos de carreira, achei que caberia o livro”, explica.

 

Além do diário, pequenos relatos e crônicas em primeira pessoa narradas pelo próprio homenageado serviram de base para a publicação. “É possível que a biografia esteja pronta a tempo de ser vendida no dia da gravação do DVD, ainda não temos certeza, esperamos que sim”, torce o músico.

 

O próprio título da biografia, “Sidney Magal: Muito Mais que um Amante Latino”, revela o viés de reavaliação da obra. “O que o artista mais quer é ser sucesso de público. Havia uma questão de classe contra mim, era discriminação mesmo, pelo gosto que as pessoas menos abastadas economicamente tinham com a minha música. A crítica dizia que eu era fogo de palha, que seria cantor de uma música só. Esse tipo de iniciativa é um reconhecimento, mostra que as pessoas ainda têm interesse”, afirma.