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Velejador teve a punição estendida de seis para 12 meses

Velejador não recorre de pena por doping e fala em piores dias da vida

Por Lincoln Chaves
Agência Brasil
Imagem: Divulgação
Suspenso até 14 de agosto por testar positivo para a susbstaância tamoxifeno, proibida pelo Código Mundial Antidoping, o velejador paulista Jorge Zarif decidiu não recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS, sigla em inglês) e se pronunciou pela primeira vez desde que a punição por doping foi estendida de seis para 12 meses. Ele se manifestou na noite de quarta-feira (17) ao publicar uma mensagem em sua conta no Instagram, em tom de desabafo.
"Sem dúvida nenhuma, foram e estão sendo os 12 piores meses que passei na vida. Período de muita incerteza e angústia, esperando respostas que não vinham", declarou. "Tive noites mal dormidas e os cabelos brancos começaram a aparecer antes de 30 anos. A possibilidade de perder os Jogos e manchar uma carreira até então ilibada martelaram muito minha cabeça desde setembro do ano passado, data da primeira notificação", revelou.
De fato, se a Olimpíada de Tóquio (Japão) não tivesse sido adiada para 2021, por conta da pandemia do novo coronavírus (covid-19), o velejador estaria fora do evento. Apesar de avaliar a pena como "muito dura", Zarif entende que o prejuízo maior não foi esportivo. "Foi muito mais psicológico e financeiro", resumiu. "Estou tendo tempo para cuidar de lesões e várias outras áreas que estariam descobertas com o compromisso olímpico de 2020", completou.
Zarif foi flagrado em exame realizado em 15 de agosto do ano passado, durante evento-teste na baía de Enoshima (Japão), onde serão as disputas olímpicas da vela nos Jogos de Tóquio. Em janeiro deste ano, o atleta reconheceu o uso da substância, colocou-se em suspensão preventiva pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) e apresentou laudos médicos e documentos. Na ocasião, o velejador explicou que utilizou o tamoxifeno durante 20 dias, sob orientação médica, devido à uma ginecomastia bilateral (aumento do tecido mamário em homens) que lhe causava dores e limitava seus  movimentos.
Em março passado, após julgamento em primeira instância, o Tribunal de Justiça Desportiva Antidopagem (TJD-AD) deu ao velejador uma punição retroativa de seis meses, ou seja, ele já estaria liberado para competir. Mas, a disseminação da covid-19 na Europa forçou o adiamento ou cancelamento de eventos e manteve o velejador longe das disputas.
Campeão mundial da classe Finn em 2013, Zarif garantiu a vaga olímpica do Brasil na categoria ao chegar à medal race (corrida da medalha) do último Campeonato Europeu, disputado em Atenas (Grécia), em maio do ano passado. Ele representou o país nos Jogos de Londres (Reino Unido) em 2012, ficando em 20º lugar, e na Rio 2016 terminou na quarta posição.

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