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Penitenciária Estadual de Dourados tem pelo menos 2.700 presos e acumula denúncias de corrupção

Agente ajudava traficante a receber celulares no maior presídio de MS

Por Da Redação
Imagem: Divulgação
Caso foi descoberto sexta após filho de presidiário ser flagrado com aparelhos e revelar esquema na PED
 
Maior presídio de Mato Grosso do Sul com 2.700 presos, a PED (Penitenciária Estadual de Dourados) vem acumulando denúncias de corrupção contra servidores. A mais recente envolve ligação entre o agente penitenciário Claudinei Viana e o traficante internacional de drogas Carlos Von Scharte, 60, condenado a 25 anos de prisão. Além da facilitação para entrada de celulares destinados ao bandido, o caso levanta suspeita de regalias, já que o traficante estava trabalhando fora dos muros e ocupava cela em setor destinado a políticos e presos com ensino superior, a famosa “Capela”.
O escândalo de corrupção na PED começou a ser descoberto na tarde de sexta-feira (29), quando policiais da Força Nacional de Segurança Pública abordaram na rodovia perto do presídio o Voyage preto conduzido por Rafael de Melo Von Scharte, 30.
No carro, os policiais encontraram cigarro, isqueiro, pacotes de fumo para cigarro de palha e dois telefones celulares, enrolados com plástico filme. Rafael contou que entregaria os celulares e os outros produtos ao agente penitenciário Claudinei, que por sua vez repassaria ao pai de Rafael, Carlos Von Scharte.
Agente ligou
Os policiais acompanharam Rafael até o local onde faria a entrega, ao lado do presídio, mas não havia ninguém no ponto de encontro. Entretanto, enquanto Rafael estava sob custódia dos policiais, o celular dele começou a tocar e no visor apareceu o nome do agente penitenciário. Questionado sobre a pessoa na ligação, Rafael disse que se tratava do agente penitenciário para quem ele entregaria os celulares.
Sexta-feira é o dia da semana em que familiares podem levar produtos aos presos, como remédio, fruta, dinheiro, entregues na guarita da subportaria em pacotes com o nome do interno. Por regra, os pertences são revistados para coibir produtos ilícitos. O uso de celular pelos presos é proibido por lei, mas na sexta-feira, dois aparelhos entrariam pela porta da frente da PED com “ajudinha” do servidor.
O boletim de ocorrência foi registrado na 2ª Delegacia de Polícia Civil de Dourados, mas o trecho em que é citado o nome do agente foi suprimido por ordem da autoridade policial “a fim de preservar a investigação”.
Entretanto, a reportagem apurou que se trata de Claudinei Viana, o “Queixinho”, agente penitenciário que trabalha no expediente de segunda a sexta-feira, responsável pela custódia dos presos que trabalham fora dos muros, em serviços de limpeza e manutenção.
O traficante
Comerciante, residente no Parque dos Jequitibás, em Dourados, Carlos Von Scharte foi preso pela Polícia Federal no dia 27 de junho de 2017 por tráfico internacional de drogas. ele foi acusado de fazer parte de quadrilha responsável por meia tonelada de maconha e quase 500 quilos de cocaína apreendidos na fronteira.
No dia seguinte foi levado para a PED e ficou no raio III, onde ficam os presos “comuns” e da chamada “oposição” ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Já os presos ligados à facção ficam no raio II. Menos de dois meses após a prisão, Carlos começou a trabalhar como eletricista no setor de manutenção predial e foi para o raio I, o chamado “raio dos trabalhadores”.
Em abril do ano passado, o então diretor da PED Manoel Machado da Silva pediu autorização do juiz da Vara de Execuções Penais para Carlos Von Scharte trabalhar no pátio externo do presídio, para fazer serviços de manutenção e limpeza. O traficante estava em uma lista com outros quatro presos. O juiz Eguiliell Ricardo da Silva deu a autorização.
Em janeiro de 2020, o traficante foi transferido do raio I para a “Capela”, espaço destinado aos presos com curso superior. Carlos Von Scharte tem apenas o ensino fundamental. Também é nesse local que ficam presos políticos. Os vereadores de Dourados presos no final de 2018 foram levados para a Capela. Na sexta-feira passada, após os celulares serem apreendidos, Carlos foi transferido para a cela disciplinar.
Manoel Machado da Silva foi dispensado do cargo de diretor no dia 20 de maio do ano passado e substituído pelo adjunto, Antonio José dos Santos, que permanece no cargo até hoje. Machado “caiu” após o escândalo de uso ilegal da mão de obra dos presos para fazer serviços particulares a diretores da unidade. O caso está em investigação no Ministério Público.
Agepen
Em nota enviada pela assessoria de imprensa, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) informou que Carlos Von Scharte possuía autorização judicial para trabalho extramuro. “Ele já foi retirado do serviço e está isolado preventivamente em cela disciplinar. Vai responder processo disciplinar interno”, afirma a agência.
A Agepen informou que também suspendeu preventivamente todo o trabalho de limpeza externa para maiores apurações. “O servidor que cuidava dos reeducandos que realizam a limpeza externa foi deslocado para outra função e a Agepen também encaminhou o caso para ser investigado pela Corregedoria”, afirma a nota.

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