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Buraco de bala em janela da casa de policial em atentado de abril de 2017

Atentado contra inspetor da PRF tem reviravolta quase 4 anos depois

Por Helio de Freitas
Campo Grande News
Imagem: arquivo
Em audiência da Operação Nepsis, policial diz não existir prova de que mandante foi Fábio Costa, o “Pingo”, e suspeita de agentes
 
Ao contrário do especulado há três anos e meio, a ordem para o ataque pode não ter partido de Fábio Costa, o “Pingo”. Preso atualmente em Foz do Iguaçu (PR) após ser localizado em sua casa em Salto del Guairá, o ex-policial militar é acusado de ser um dos principais chefes do contrabando na fronteira do Paraguai com Mato Grosso do Sul.
 
 
“Pingo” foi apontado até pelo Ministério da Justiça como mandante do ataque a tiros ocorrido às 4h40 de 16 de abril de 2017, um domingo de Páscoa. O inspetor e seus familiares dormiam na casa quando foram acordados por rajada de tiros. Pelo menos 22 disparos de pistolas calibres 9 milímetros e 40 atingiram a casa e o carro da família.
 
A lista dos 26 mais procurados do País, divulgada em janeiro deste ano pelo então ministro da Justiça Sergio Moro, se referia a Fábio Costa como “suspeito de ter participado de ataque à casa de um inspetor da PRF do Mato Grosso do Sul, em 2017, após a apreensão de uma carga de cigarros contrabandeados avaliada em R$ 14 milhões”.
 
Agentes públicos
Entretanto, em audiência por videoconferência, nesta terça-feira (24), o inspetor da PRF afirmou não existir elementos comprovando que Fábio Costa tenha ordenado o ataque. A audiência da Justiça Federal em Ponta Porã fez parte da ação criminal no âmbito da Operação Nepsis, que desmantelou a quadrilha de contrabandistas de cigarro, em setembro de 2018.
 
No depoimento acompanhado pelo MPF (Ministério Público Federal) e pelos advogados de defesa de Fábio Costa e de Fabiano Signori, o “Toro”, Waldir Brasil Junior disse acreditar que o ataque foi praticado por agentes públicos como retaliação pelas seguidas apreensões de cargas de contrabando.
 
Também preso recentemente no Paraguai e assim como “Pingo” recolhido atualmente em Foz do Iguaçu, “Toro” é apontado como um dos gerentes do contrabando e foi acusado de vigiar os policiais rodoviários que aprendiam as cargas de cigarro. 
 
Mesada – “As pessoas que fizeram isso [atentado] estavam interessadas que eu fosse embora daqui”, afirmou o inspetor do PRF, conforme vídeo do depoimento ao qual o Campo Grande News teve acesso.
 
No depoimento, Waldir Brasil Junior relatou ter conversado com o delegado da Polícia Federal Felipe Menezes – responsável pelas investigações da Operação Nepsis – e este teria dito que não havia nada concreto ligando “Pingo” ao atentado.
 
 
“O que eu tenho é que seriam agentes públicos para não perder a rota desse cigarro de Caarapó a Amambai, para não perder a ‘mesada mensal’”, afirmou Brasil. Questionado por um dos advogados de defesa, o policial afirmou acreditar que se tratou de “ação autônoma” de agentes públicos (policiais corruptos) para intimidá-lo.
 
Ouvido na mesma audiência, o delegado Felipe Menezes, da Polícia Federal em Ponta Porã, disse que Waldir Brasil havia comentado como ele informalmente sobre sua suspeita contra agentes públicos e afirmou existir correlação do contrabando de cigarro como atentado. “Mas em momento algum imputei o atentado à organização”, disse o delegado.
 
Defesa – À reportagem, a defesa de Fábio Costa disse que a audiência de ontem traz luz à “acusação infundada” de que ele teria ordenado o ataque. Segundo um dos advogados, a existência dessa suspeita ligando “Pingo” ao ataque a tiros foi fundamental para a decisão do Juízo Federal em Ponta Porã, que acatou o pedido do MPF e autorizou a transferência de Fábio para o sistema penitenciário federal.
 
A transferência ainda está sendo analisada pelo juiz corregedor do sistema prisional federal. Enquanto isso, Fábio Costa continua preso em Foz do Iguaçu. Depois da audiência, a defesa vai entrar com pedido de habeas corpus para barrar a transferência. “Quanto às demais acusações, vamos provar ao longo do processo a inocência dele”, afirmou a defesa.
 
Ocorrido há 43 meses, o ataque à casa do inspetor da PRF ainda é investigado pela delegacia da Polícia Federal em Dourados.
 
O Campo Grande News tentou saber como está o caso. A assessoria da Superintendência da PF informou que a reportagem deveria procurar a delegacia em Dourados, mas o agente responsável pela comunicação local não foi encontrado. 

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