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Mãe de santo Juliana e o marido estão entre os investigados pelo golpe

Padrão de vida de funcionária envolvida em golpe milionário causa suspeita

Por Helio de Freitas
Campo Grande News
Imagem: Reprodução
 
Coordenadora financeira pediu ajuda a mães de santo para não ser descoberta pelos patrões
 
 
De vítima a suspeita. Essa é a situação atual da coordenadora financeira da empresa de máquinas agrícolas de Dourados, alvo de golpe milionário envolvendo mães de santo de São Paulo.
 
O SIG (Setor de Investigações Gerais), da Polícia Civil, não divulga detalhes da apuração, mas a reportagem levantou que os policiais já identificaram por parte da funcionária padrão de vida incompatível com o salário oficial.
 
Há duas semanas, a mulher de 34 anos procurou a polícia e denunciou ter sido vítima de extorsão por parte de duas mães de santo, de São Paulo.
 
Ela relatou que durante 30 dias, como “penitência espiritual”, fez transferências diárias de dinheiro da empresa para 11 contas bancárias indicadas pela “Mãe Jade”, ainda não identificada pela polícia, e por Juliana Sambugaro, a “Mãe Ju”.
 
No final dos 30 dias, o montante desviado somou R$ 50,8 milhões, valor que espantou até mesmo os policiais envolvidos na investigação e até agora intriga a população de Dourados.
 
Identificada pelas iniciais ECP, a mulher alegou ter se submetido à extorsão diante das ameaças feitas pelas mães de santo, de que se não cumprisse a penitência poderia ser vítima de “espíritos malignos” até cometer suicídio.
 
O 'Campo Grande News' apurou que de início a polícia chegou a cogitar a possibilidade de que ela tivesse feito o desvio por problemas psicológicos. Há pelo menos dois anos ela fazia consultas online, primeiro com Mãe Ju e depois com a Mãe Jade.
 
Entretanto, assim que passaram a investigar o caso, os policiais perceberam que a coordenadora financeira da empresa mantinha padrão de vida incompatível com o salário mensal, de R$ 4.500, em média. Ela trabalha na empresa há pelo menos dez anos e ocupava função de confiança dos patrões. Após denunciar o caso à polícia, ECP foi afastada da empresa.
 
CADEADOS
 
A reportagem apurou que não há por enquanto suspeita de que parte da bolada de R$ 50,8 milhões tenha sido desviada em benefício próprio da funcionária.
 
Entretanto, a investigação está concluindo que ela desviava dinheiro da empresa há algum tempo e procurou as mães de santo para manter a história escondida através de “cadeados”, que seriam instalados pelas gurus espirituais.
 
Foi nesse momento que as golpistas teriam aproveitado a situação para ganhar dinheiro fácil. Com a coordenadora financeira da empresa nas mãos, não foi difícil convencê-la a fazer as transferências milionárias.
 
A funcionária deveria prestar depoimento na semana passada, mas através de advogado ela apresentou atestado médico alegando estar sem condições de falar sobre o caso devido ao abalo psicológico causado após denunciar a extorsão. O celular dela foi apreendido, para ser periciado.
 
Na semana passada, em entrevista à TV Record, de São Paulo, Juliana Sambugaro, 39, negou ter planejado o golpe. “Mãe Ju” conversou com a produção do programa “Balanço Geral” e confirmou ter recebido parte do dinheiro, mas alega que foi pagamento pelo serviço prestado e diz ter comprovante registrado em cartório.
 
Na conversa por telefone com a equipe da Record, Juliana Sambugaro alegou que fez apenas parte do atendimento à funcionária da empresa e jogou a responsabilidade pelo golpe milionário na outra mãe de santo.
 
Juliana afirmou à TV que a douradense a teria procurado após a morte da mãe e também para aliviar a culpa por desviar dinheiro da empresa. O marido de Juliana, Fulvio Stefano Nicolich, que nas redes sociais se identifica como “Cigano Maromba”, também é investigado.
 
A pedido da polícia, a Justiça decretou o bloqueio das 11 contas bancárias para as quais o dinheiro foi transferido, mas até agora não há resposta dos bancos sobre o montante já sequestrado.

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