Chuvas devem normalizar calendário de grãos

Depois do atraso ocorrido no plantio da safra 2019/2020, que gerou consequência no ciclo seguinte, os agricultores de Mato Grosso do Sul podem ficar tranquilos, pois a meteorologia confirma: vai chover. A maior concentração de chuvas no Estado está prevista para outubro, mas em setembro já ocorrerão precipitações significativas, e ambos os meses registrarão maior volume que o mesmo período do ano passado.
“Mato Grosso do Sul contará com chuvas no último decêndio de setembro. Elas recuarão na primeira semana de outubro e retornam na semana seguinte”, confirma o agrometeorologista Celso Oliveira, da Somar Meteorologia.
“O calor foi muito grande na safra passada, mas este ano não temos previsão para tanto calor. Tudo aponta para um início de primavera menos quente e isso nos mostra que o processo de instalação da soja deve ser mais tranquilo, o que normalizará o calendário das safras”, completa o representante da Somar.
A notícia de chuvas em maiores volumes nesta safra é recebida com comemoração pelo presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Rochedo e Corguinho (SRCG), Alessandro Coelho. “O clima desafia o produtor rural o ano inteiro. No ano passado assistimos um plantio prolongado e isso impactou em outras safras, o que influencia em todo o planejamento da propriedade. Tanto a agricultura, quanto a pecuária, são altamente dependentes da regularidade das chuvas para evitar prejuízos e maiores consequências”, diz Alessandro. “Mas o que esperamos é que boa parte dessa água, que Deus manda, beneficie a nossa planície pantaneira ora castigada com as adversidades decorrentes da prolongada estiagem”.
A coordenadora do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), ligado à Semagro, Franciane Rodrigues, é mais modesta e informa que conforme o modelo de previsão climática, as regiões sudoeste e sul de MS terão chuvas ligeiramente acima da média e as demais áreas de normal a ligeiramente abaixo da média, nos meses de setembro e outubro. “Espera-se o enfraquecimento gradual do tempo seco, a formação de áreas de instabilidades associadas a frentes frias e a intensificação dos ventos úmidos de norte que devem contribuir para o potencial de pancadas de chuvas em nosso estado”, pontua.
Segundo ela essa chuva poderá ocorrer de forma concentrada, dando irregularidade de chuvas do mês de setembro. “Vale ressaltar que até dia 16 de setembro não há previsão de chuva em Mato Grosso do Sul e as temperaturas ainda continuarão elevadas devido ao tempo seco. Outubro já espera-se uma maior regularização das chuvas, pois há alta probabilidade das chuvas estarem acima da média em todas as áreas do Estado”, sinaliza Franciane.
A informação de que as médias devem estar acima das registradas em 2019 são confirmadas pela Somar Meteorologia. Segundo Celso Oliveira, o índice pluviométrico para Dourados e Campo Grande, serão maiores durante os meses de plantio da soja.
Índice de chuva
Pelas informações da tabela é possível verificar que há uma expectativa muito positiva para agricultores da região de Dourados e Campo Grande. E o mesmo se aplica para as lavouras de Chapadão do Sul e Maracaju. “É esperado uma diminuição de chuvas na primeira quinzena  de outubro na região de Chapadão do Sul, mas não será significativo. No geral a situação será melhor este ano”, confirma Celso.
Ele também liga alerta para a virada do ano, nos meses de dezembro e janeiro, quando as colheitadeiras devem entrar em campo. “Há expectativas fortes para o volume de chuvas, inclusive no Pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Isso pode gerar um mix de invernada para o pecuarista, no mesmo momento da colheita da soja, com isso o agricultor pode encontrar dificuldades na colheita”, aponta o agrometeorologista.
“Plantar em alguns talhões durante as primeiras chuvas de setembro, pode ser uma boa estratégia. Mas não é interessante plantar em toda a área, para evitar o replantio. Os espaçamentos das chuvas serão longos, isso pode desafiar o produtor”, alerta Celso.
Franciane esclarece a mesma situação deve se aplicar a todo centro-oeste brasileiro, uma vez que as chuvas passarão a ser mais intensas e frequentes, marcando o período de transição entre a estação seca e a estação chuvosa.

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