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As mesmas transformações que nos trazem tantos benefícios, parecem estar também adoecendo pessoas

Tecnologia emocional: o melhor remédio para o bem-estar atual

Por Silvia Queiroz
Estamos vivendo uma revolução tecnológica incrível e irreversível. Os aparatos tecnológicos já mudaram a nossa forma de viver e de nos relacionarmos. E isso, sem sombra de dúvidas, é bom. A ciência e as inovações trazem progressos expressivos para a humanidade.
 
 
Se pararmos para pensar em como nossa vida se modificou não precisamos ir muito longe para identificar uma grande mudança. Basta levar a mão até nosso celular (que cada vez mais se tornou essencial e, por vezes, se confunde com um membro da família ou com um braço de alguém) e clicar em uma das mídias digitais que, Voilá... Falamos por vídeo conferência com um parente distante, mandamos uma mensagem para a o Japão ou apenas ouvimos uma boa música.
 
Esse aparelho ao nosso alcance, assim como outros tantos dispositivos, estreitou vínculos, encurtou caminhos (literalmente, bastando para isso usarmos o Waze, por exemplo) e permitiu acesso a “mundos” antes não acessíveis.
 
Mas, como toda moeda tem dois lados, precisamos fazer algumas reflexões sobre o impacto dessas mudanças em nossas vidas e, principalmente, em nossas emoções. Digo isto, porque essas mesmas transformações que nos trazem tantos benefícios, parecem estar também adoecendo pessoas. Tudo está acontecendo rápido demais e nossa adaptação não está seguindo o mesmo ritmo acelerado.
 
Com tantos progressos e inovações tecnológicas à disposição, nós nunca adoecemos tanto emocionalmente! Quem nunca ouviu falar de um colega de trabalho com algum transtorno emocional? Ou quem nunca se espantou ao perceber a quantidade enorme amigos que tomam alguma medicação psiquiátrica?
 
Você conhece as estatísticas brasileiras somente para casos de depressão e ansiedade? Somos quase 10% da população (e isso sem contar outros tantos que estão fora das estatísticas) sofrendo com transtornos de humor. Há estimativas que apontam para um número alarmante: cerca de 25% dos brasileiros empregados sofrem com transtornos de ansiedade.
 
Isso me faz pensar que algo de muito estranho está acontecendo. E eu não estou dizendo que a culpa é da tecnologia, de forma alguma. Minha reflexão é apenas sobre o como temos sido humanos diante de tamanha transformação tecnológica.
 
Será que estamos cuidando de nossas emoções? Estamos aprendendo a utilizar nossa “tecnologia” emocional? Para onde estamos nos levando?
 
Bem, nossa vida emocional existe e ponto (querendo acreditar nisso ou não)! Como o próprio nome diz, emoção é algo que nos move, é algo real dentro de nós e vai nos “mover” mesmo que não demos a menor atenção para ela. E esse aparato psicológico que regula nossas emoções é uma tecnologia de ponta, de primeiríssima qualidade. Mas, tantas vezes, subutilizada. É triste ver pessoas sofrendo enfermidades da alma ou simplesmente não sabendo lidar com os sentimentos, quando na verdade, uma vida emocional equilibrada (assim como toda tecnologia bem utilizada) pode trazer inúmeros benefícios e crescimentos pessoais.
 
Se quisermos sair das tristes estatísticas que colocam o Brasil em primeiro lugar no ranking dos oprimidos emocionalmente, precisamos mudar a forma como estamos olhando para nossas emoções e vivendo nossas vidas desgarrados do entendimento delas. É totalmente possível ser alguém mais “evoluído” (um ser humano do tipo hightech) emocionalmente. Mas, isso só vai acontecer quando usarmos a tecnologia externa a nosso favor, quando utilizarmos toda inovação para alimentar positivamente nosso “HD interno”.
 
E, para tanto, precisamos voltar um pouquinho para nossa essência e nos aproximarmos de nossos amores. Precisamos usar a tecnologia para organizar nossas vidas e não para sermos reféns dela. Precisamos, mesmo, tentar substituir a mão ocupada por um dispositivo (qualquer que seja este) por uma boa xícara de café ou uma taça de vinho, desfrutadas na companhia de pessoas queridas e, se possível, admirando uma linda lua cheia. 
 
*Autora é psicóloga clínica, especialista em Gestão Estratégica de Pessoas

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