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Pesquisa inédita mostra o índice vulnerabilidade da comunidade LGBTQIA+ em relação à Covid-19

A pandemia não afeta todo mundo do mesmo jeito. Em maio, especialistas do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) alertaram para os graves efeitos da pandemia na população LGBTI+, considerando também questões de raça, gênero, classe, situação de moradia, entre outros.
 
A partir da aplicação de pesquisa online com participação de dez mil pessoas em todos os estados brasileiros, o coletivo #VoteLGBT desenvolveu um índice inédito que consegue medir a vulnerabilidade LGBT à Covid19. 
 
Após análise de dados envolvendo acesso a serviços de saúde, exposição ao coronavírus e informações sobre renda e trabalho, foi possível aos pesquisadores estruturar todas essas camadas de desigualdades e compreender seus desdobramentos em cada um dos representantes da sigla LGBT+. 
 
O resultado demonstra que as transexuais e travestis são as mais vulneráveis aos impactos do isolamento social, seguidas pelas pessoas pretas, pardas e indígenas. O grupo da população bissexual aparece como terceiro mais em risco, e todos esses aparecem na faixa de vulnerabilidade considerada grave. 
 
Um dos resultados alcançados pelo mapeamento foi identificar os contrastes nas diversas fases das vidas LGBT+. “Se na adolescência essas dificuldades de comunicação de identidade são permeadas pela falta de independência financeira, na fase adulta questões de saúde mental são combinadas com ausência de trabalho e renda. Já nas idades mais avançadas, a solidão aparece como um dos maiores desafios”, resume Samuel Silva, demógrafo da UFMG que participou do trabalho.
 
Outros apontamentos e conclusões alcançados pela pesquisa:
 
⦁ Pretos, pardos e indígenas possuem 22% mais chance de indicar a falta de dinheiro como a maior dificuldade da quarentena do que Brancos e Asiáticos 
⦁ 4 em cada 10 pessoas das pessoas LGBT+ e metade das pessoas trans (53%) não conseguem sobreviver sem renda por mais de 1 mês caso percam sua fonte de renda;
⦁ Quase metade (44,3%) das pessoas tiveram tiveram suas atividades totalmente paralisadas durante o isolamento;
⦁ A taxa de desemprego padronizada entre os LGBT+  foi de 21,6%, quase o dobro do registrado pelo IBGE no restante da população;
⦁ 3 em cada 10 dos desempregados estão sem trabalho há 1 ano ou mais;
⦁ 1 em cada 4 (24%) perderam emprego em razão da Covid19;
⦁ Durante a quarentena, 7 em cada 10 pessoas (68,42%) só saem de casa quando inevitável;
⦁ 8 em cada 10 pessoas perceberam uma alteração de humor durante a quarentena; 
⦁ 28% das pessoas já haviam recebido diagnóstico prévio de depressão, número quatro vezes maior do registrado no restante da população, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde.
⦁ 47% foram classificadas com o risco depressão no nível mais severo.
 
Apesar dos alertas, no Brasil não foram adotadas políticas e ações concretas por parte do governo considerando a realidade da população LGBTI+. A urgência de um enfoque específico na renda básica, por exemplo, é clara quando se observa que a taxa de desemprego entre pessoas LGBTI+ chegou a 21,6%, contra 12,2% da média nacional, de acordo com a pesquisa.
VAQUINHA EM APOIO ÀS LGBT+
 
Como ação efetiva pensada para minimizar impactos do isolamento social durante a pandemia, o #VoteLGBT lança uma campanha que visa arrecadar fundos para apoio de entidades que prestam ações de amparo à comunidade LGBT+. 
 
Em parceria com a plataforma Benfeitoria, que está ampliando sua atuação no segmento LGBT, a iniciativa vai apoiar instituições em várias cidades brasileiras, entre elas Casa Satine (Campo Grande, MS), Outra Casa Coletiva (Fortaleza, CE), Casamiga (Manaus, AM), Ultra (Brasília, DF), Liga Brasileira de Lésbicas (Curitiba, PR) e Casa 1 (São Paulo, SP). 
 
A Casa Satine é uma das entidades que será beneficiada com essa ação, as informações completas da campanha estão disponíveis no link https://benfeitoria.com/satine. Para o coordenador geral da Casa, Leonardo Bastos “Os LGBT's diferente das pessoas héteros não contam em sua grande maioria com uma rede mínima de apoio, sendo necessário nosso auxílio nesse momento para que possamos minimizar os efeitos sociais causados pela pandemia e aprofundados pela discriminação”.

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