Diário MS

Kassab não descarta privatização dos Correios

 

SEM RETORNO | Ministro descartou injeção de recursos na estatal e afirmou que todo esforço deve ser empreendido para evitar venda da companhia, que teve rombo de R$ 2 bilhões nos últimos dois anos

 

Helvio Romero/Estadão

CONTINGENCIAMENTO de despesas prevê o fechamento de 250 agências e demissão de 5 mil funcionários

O governo não tem recursos e não fará injeção financeira nos Correios, disse ontem (28) o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, Gilberto Kassab. Para ele, a solução para a companhia é cortar ainda mais despesas, além daquelas que já foram reduzidas.

 

“Não há saída; é preciso fazer corte de gasto radical”, disse Kassab, depois de participar, no Palácio do Planalto, da cerimônia de Sanção da Lei de Revisão do Marco Regulatório da Radiodifusão, ao lado do presidente Michel Temer. “O governo não tem recursos e não haverá injeção de recursos nos Correios.”

Embora se dizendo contra a privatização, integral ou parcial dos Correios, o ministro não descartou a adoção da medida, caso a companhia não consiga equacionar o rombo, que no ano passado ficou em torno de R$ 2 bilhões, mesma cifra de 2015.

“Todo o esforço deve ser feito para evitar a privatização dos Correios ou de partes dele”, afirmou. “Eu reconheço os cortes de despesas que já foram feitos, mas é preciso cortar mais. Caso contrário, a empresa vai rumar para a privatização.”

 

MÁ GESTÃO

Kassab reconheceu que os reiterados prejuízos dos Correios são reflexo de má gestão. Ele elogiou a gestão do atual presidente dos Correios, Guilherme Campos, e atribuiu os problemas a erros cometidos pelo governo anterior.

“A empresa vive de tarifas e deveria ter seu ponto de equilíbrio”, afirmou o ministro. Ele disse que, no passado, a empresa foi obrigada a pagar mais dividendos do que poderia ao Tesouro.

Questionado sobre quando essa privatização poderia ocorrer, o ministro disse que a empresa “corre contra o relógio”, pois o governo não tem recursos. “A meta é recuperar a empresa”, ponderou.

 

FECHAMENTO

DE AGÊNCIAS

 

O início do processo de fechamento de 250 agências em cidades acima de 50 mil habitantes nas cinco regiões do País tem causado transtornos, como o atraso na entrega de cartas e mercadorias. Segundo a empresa, até o começo de março, cerca de 60 agências em todo o país foram incorporadas a outras unidades.

Em Mato Grosso do Sul, a empresa já encerrou as atividades de algumas agências em Dourados, Campo Grande, Nova Andradina, Ponta Porã, Sidrolândia e Três Lagoas.

A estratégia de fundir agências faz parte de um plano de economia que está sendo implementado pela direção da estatal para reverter a crise enfrentada pela companhia, que acumula quatro anos seguidos de prejuízo.

Outros dois pontos das medidas de contingenciamento de despesas são o plano de demissão voluntária (PDV) oferecido aos funcionários e a revisão da política de universalização dos serviços postais, que obriga a estatal a estar presente em todos os municípios. As inscrições para o PDV terminaram em fevereiro e tiveram cerca de 5 mil adesões, número abaixo da meta de 8,2 mil empregados. A estimativa de economia é de R$ 500 milhões, volume abaixo dos R$ 700 milhões a R$ 1 bilhão inicialmente projetados.