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Ex-facção síria da Al-Qaeda reivindica atentado que fez 74 mortos em Damasco

Por France Presse

Danos após os ataques suicidas em Damasco  (Foto: Omar Sanadiki/Reuters)Danos após os ataques suicidas em Damasco  (Foto: Omar Sanadiki/Reuters)

Danos após os ataques suicidas em Damasco (Foto: Omar Sanadiki/Reuters)

A Frente Fateh al-Sham, ex-facção da rede Al-Qaeda na Síria, reivindicou neste domingo (12) a autoria do duplo atentado que fez 74 mortos no centro histórico de Damasco.

“Um duplo atentado foi realizado por dois heróis do Islã (…) no coração da capital Damasco, fazendo dezenas de mortos e feridos”, indicou o grupo extremista sunita em um comunicado.

Quarenta e três vítimas do atentado eram peregrinos iraquianos xiitas que estavam na capital síria para visitar os mausoléus na Cidade Velha, bairro histórico de Damasco, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Também morreram 11 civis sírios e 20 combatentes do regime de Bashar al-Assad.

Principal reduto do regime, a capital síria foi atingida por vários atentados desde o início da guerra em 2011, embora tenha sido poupada dos combates que devastaram outras cidades e regiões do país.

O grupo extremista afirmou que o ataque foi “uma mensagem para o Irã e suas milícias”, referindo-se em particular ao apoio iraniano e do Hezbollah libanês ao regime de Damasco na guerra que assola a Síria há seis anos.

O ministério sírio das Relações Exteriores havia condenado o “atentado terrorista covarde que é uma resposta às vitórias do exército árabe sírio contra a Daesh e Al-Nosra”, referindo-se ao grupo Estado Islâmico (EI) e à ex-facção da Al-Qaeda na Síria.

Considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos e a Rússia, o antigo ramo da Al-Qaeda viu as facções rebeldes na Síria se unirem contra o grupo extremista e foi deixado de fora das negociações para um acordo sobre o conflito realizadas em Astana no final de janeiro entre grupos rebeldes e o regime.

No entanto, durante vários anos, esse grupo foi aliado dos rebeldes contra o regime de Bashar al-Assad, especialmente na província de Idleb, sua última grande fortaleza no país devastado pela guerra desde março de 2011.

A Frente Fateh al-Sham reivindicou em 25 de fevereiro um ataque contra os serviços de inteligência do regime em Homs. Cometido por dois homens-bomba, o atentado deixou dezenas de mortos e matou uma pessoa próxima ao presidente Assad, o chefe da inteligência militar de Homs.

Após este atentado, o chefe da ex-facção síria da Al-Qaeda advertiu, em um vídeo, que os atentados eram uma mensagem aos líderes da oposição para que “desaparecessem”, prometendo “uma série novos ataques”.

O grupo, inicialmente conhecido como Frente al-Nusra, passou a se chamar Fateh al-Sham e anunciou em julho de 2016 que se desligava da Al-Qaeda. De acordo com especialistas, essa manobra serviria para aliviar a pressão exercida pelos Estados Unidos e pela Rússia contra suas forças. Em janeiro, aliou-se a outros grupos radicais islâmicos para formar Tahrir al-Sham.