Diário MS

Endividado, Hospital Evangélico pode demitir mais 150 funcionários este mês

João Pires

 

João Pires

Com crise financeira, diversos setores do Hospital Evangélico foram fechados, incluindo a área de hemodiálise

Sem recursos financeiros, o HE (Hospital Evangélico) de Dourados pode demitir, ainda no mês de janeiro, mais 150 profissionais de enfermagem, caso não ocorra investimentos do município e do Estado. Segundo o Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de MS), o último levantamento apontou um reduzido quadro de funcionários, de 250 profissionais, porém, este número já está defasado, pois somente na semana passada houve a evasão de mais 15 funcionários.

 

De acordo com o presidente do Sindicato dos Enfermeiros, Lázaro Antonio Santana, por determinação do MP (Ministério Público), nos próximos dias será reduzido o quadro de leitos de internações e, consequentemente, o número de funcionários também deve diminuir ainda mais. “Apesar de não terem nos comunicado oficialmente, entendemos que com a redução de leitos automaticamente ocorram as demissões, tendo em vista que todos os trabalhos do hospital estão sendo conduzidos pelo Ministério Público”, afirmou Lázaro, ao Diário MS.

Segundo apurou a reportagem, pouco menos de 30 pacientes são internados diariamente no Hospital Evangélico e caso ocorram às demissões previstas a unidade hospitalar deve contar com somente com 85 profissionais de enfermagem. De acordo com o Sindicato, com as contas bloqueadas pelo MP diversos setores de atendimentos do tradicional hospital de Dourados já fecharam por não ter onde internar pacientes, incluindo o setor de hemodiálise. “A situação é caótica, sem funcionários, inclusive com falta de material básico para trabalhar, fica praticamente impossível o HE sobreviver muito tempo”, lamentou Lázaro.

Com relação aos salários atrasados, segundo o sindicalista a folha de pagamento do mês passado ocorreu após a última manifestação dos enfermeiros, em dezembro, porém, este mês, até ontem, ainda não havia sido paga a folha e não havia previsão para que ocorresse. “O Hospital Evangélico está operando no vermelho e se não conseguirem recursos da prefeitura ou do Estado para aumentar a demanda de atendimentos, infelizmente vai fechar as portas”, alertou.

 

AUDITORIA

O caos financeiro do Hospital Evangélico de Dourados vem se arrastando há anos, tanto que em abril de 2016, o MPE (Ministério Público Estadual) pediu investigação do Ministério da Saúde sobre a aplicação de verba pública destinada ao hospital, que é administrado pela Associação Beneficente Douradense.

A unidade particular também é credenciada para atendimento de alta complexidade nas áreas de oncologia, nefrologia e cardiologia a pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) de 34 municípios da região sul e fronteira com o Paraguai.

O Diário MS entrou em contato com a assessoria de imprensa do hospital, porém, esta afirmou que as informações só poderiam ser fornecidas após contato com a diretoria do hospital. Até o fechamento da matéria, a reportagem não obteve resposta.