Diário MS
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Efeitos da má gestão

Marcos Cintra (*)

Mesmo com o desempenho ruim da atividade produtiva nos últimos quatro anos, o governo vem mantendo o desemprego em nível reduzido por conta de desonerações e estímulos setoriais. Visando segurar mais um pouco os baixos índices de desocupação no mercado de trabalho, o governo Dilma cria mais um pacote “quebra galho” de olho nas eleições deste ano. Medidas tributárias, regulatórias e de crédito vão tentar manter o nível de emprego neste semestre, mas ações impopulares serão inevitáveis em 2015.

Cumpre dizer que, os baixos indicadores de desemprego nos últimos meses foram possíveis não só por causa das ações paliativas do governo, mas também porque muitas pessoas deixaram de procurar emprego. As vagas geradas têm sido decrescentes e, por isso, muitos trabalhadores desistiram de demandar trabalho.

O fato é que a debilidade no mercado de trabalho vem se manifestando. Na última semana o IBGE divulgou que as vagas de emprego na indústria caíram 0,2% em abril na comparação com março. Em relação ao mês de abril de 2013 a redução foi de 2,2%. Em 2014 a expectativa é de fechamento negativo na oferta de postos de trabalho, comparativamente ao ano passado.

A má gestão da política econômica, a excessiva intervenção estatal na economia e a falta de avanços nas reformas estruturais conduziram ao atual quadro de baixo crescimento e pressão sobre o mercado de trabalho. O governo deixou de fazer o que precisava e fez o que não devia. Hoje a situação da economia só não é pior por conta de frequentes remendos pontuais, cujos efeitos estão cada vez mais limitados.

Sob o pretexto de acelerar o crescimento, o atual governo, logo que assumiu, passou a intervir de maneira excessiva e atabalhoada na economia. Além disso, não se empenhou em fazer reformas fundamentais como a tributária e a trabalhista e deixou de lado os regimes de metas de inflação e de superávit primário. Os efeitos foram o desempenho medíocre do PIB e a constante pressão inflacionária.

Os sistemas de metas de inflação e de superávit primário não bastam para gerar crescimento econômico, mas proporcionam credibilidade e previsibilidade para os agentes domésticos e estrangeiros. Ao enfraquecê-los, o governo gerou desconfiança e aumentou o risco na economia. O cenário ficou ainda mais comprometido por conta do exacerbado intervencionismo estatal, que elevou os gastos públicos e o nível de endividamento em troca de efeitos tímidos na atividade produtiva. Em relação às reformas estruturais, o governo se omitiu e o país acabou andando para trás.

A gestão Dilma fracassou. Este ano o crescimento deve ficar pouco acima de 1%, menos da metade da expansão do PIB mundial, e a inflação, na casa de 6,5%, só não avança mais porque o governo segura artificialmente os preços dos combustíveis. Agora a pressão começa a ficar cada vez mais forte sobre o mercado de trabalho e novas medidas vão tentar manter empregos até o final do ano.

A incompetência da atual gestão vai impor um custo social muito alto a partir de 2015.

(*) Doutor em Economia.