Diário MS
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DEBATE CULTURAL : Thiago Morais – Bastidores de um clássico

Thiago Morais*

 

Vinicius Konchinski/UOL

 

É engraçado pensar o quanto era divertido ter a sola do pé casca grossa e um dos dedões sem o “tampão”. Eram cicatrizes das batalhas diárias do futebol na rua de terra valendo uma tubaína.

Como era divertido tudo aquilo, não é mesmo? As traves dos gols eram feitas de chinelo ou uma pedra encontrada jogada no canto da rua, a pedra mais importante da rua, guardada com o maior zelo na beira do estádio de terra para poder ser usada no dia seguinte, aquela pedra meio quadrada e com o tamanho ideal seria a melhor pedra/trave do mundo por muito tempo.

A bola que normalmente era oval que com o passar do tempo os gomos começavam a sair e dava uma dó danada de arrancar, porque sabíamos que aquilo era um sinal que a bola estava se degradando.

A partida era enorme! Meia hora depois do almoço por que a sua mãe dizia que só podia correr depois que a comida abaixasse até o momento em que escurecia e que não se podia mais ver a bola.

A dor dos ferimentos só era notada na hora que você chegasse em casa e sua mãe iria passar água oxigenada no seu pé ( se não iria apodrecer seu dedo ). Hoje lembrado como algo cômico, o ato da sua mãe pegar a água oxigenada era desesperador e já vinha no seu pensamento – “Não seria melhor meu dedo apodrecer?”. Tudo! Tudo! Tudo! menos essa dor .
Éramos extremamente habilidosos. Driblávamos os adversários, os matos, os pedregulhos, os gritos do seu pai chamando você pelo nome completo ( MEDO! ).
Nessa época éramos ricos, tínhamos a melhor pedra/trave, um estádio de terra, tubaína gelada e bons amigos. Hoje tenho boas histórias e nenhum dedão estourado. Ser adulto tem nos deixado cada dia mais pobres.

 

* THIAGO MORAIS é formado em Produção em Mídias pela Anhanguera. Chefe do setor de Audiovisual da Câmara Municipal de Dourados.