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Consignado com garantia do FGTS ainda é promessa

Estadão Conteúdo

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JURO BAIXO E BUROCRACIA tornam essa linha pouco atrativa para os bancos

A nova regulamentação que permite o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) como garantia adicional para o empréstimo consignado — aquele descontado diretamente da folha salarial — é mais uma ferramenta para que o trabalhador troque uma dívida cara por outra mais barata. Porém, especialistas questionam as consequências da iniciativa no longo prazo e divergem sobre a sua atratividade para os bancos, que ainda estudam as novas regras divulgadas pela Caixa Econômica Federal.

Pela medida, que libera os bancos para firmar convênios com empresas, o trabalhador poderá utilizar como garantia do empréstimo 10% do saldo de seu FGTS. Em caso de demissão, a instituição financeira poderá reter 100% da multa rescisória. A taxa máxima de juros é de 3,5% ao mês, e o prazo para pagamento, de 48 meses.

No entanto, um dos principais obstáculos que as instituições financeiras podem enfrentar é o alto custo operacional. A análise do perfil do trabalhador, do salário recebido, da empresa e do FGTS faz com que a operação seja mais trabalhosa e cara. Aliada ao juro baixo, essa burocracia tornaria essa linha pouco atrativa para os bancos, que ainda estudam como viabilizar as novas regras.

Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Caixa, que juntos detêm cerca de 80% do total em crédito consignado, ainda não começaram a operar a nova modalidade. Em nota, o Bradesco afirmou que “oferecerá a linha tão logo o sistema operacional entre as partes envolvidas esteja apto”. O Santander afirmou que oferecerá a linha, mas que ainda não há detalhes sobre as condições, que dependem das regras estabelecidas pela empresa no convênio com o banco. Itaú, Caixa e Banco do Brasil afirmaram que estão avaliando as novas regras e os ajustes operacionais.