Diário MS
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Concessão da BR-163: queremos conhecer este projeto

Madson Valente (*)

Com este título propusemos na sessão ordinária do dia 20 de maio promover audiência pública na Câmara Municipal de Dourados para que representantes da empresa que irá explorar a concessão da rodovia BR-163 venham explanar de forma detalhada todo o projeto para sociedade douradense.

Sabemos que a concessão perdurará por 30 anos, então no decorrer destes teremos ações a curto, médio e longo prazo e é exatamente aí que surgem muitas preocupações, indagações e questionamentos, razões justificadas pelo simples fato de não conhecermos o projeto. Diante da grande ansiedade sócia, resolvemos provocar esta audiência, pois defendemos e acreditamos que esta irá colocar fim a muitas dúvidas.

 A empresa vencedora da licitação realizada dia 12/03/2014 é a CCR, que já administra outras rodovias no Brasil e também alguns aeroporto. Sabemos que o contrato prevê que 10% do trecho concedido já esteja duplicado no final de 2015 e que também cumprindo esta cláusula já estará autorizada a cobrar pedágios, no trecho de 847 quilômetros que se estenderá da divisa com o Paraná até a divisa com Mato Grosso, onde a cada 100 km haverá uma praça de cobrança, resultando em 9 praças no total com preço de R$ 4,40 a cada trecho.

Embora tenhamos consciência que esta infraestrutura facilitará o transporte de grãos para as regiões Sul e Sudeste, respectivamente para os portos de Paranaguá e Santos e que fará consequentemente uma via muito mais rápida e segura sabemos que ter respostas sobre os impactos que esta concessão promoverá ao longo do trecho concedido é algo que de fato nos preocupa.

Diante desta angústia queremos respostas para algumas indagações: As rotatórias ao longo deste trecho serão substituídas por viadutos? Em qual prazo?  Vão ocorrer estas mudanças realmente? Serão construídas estradas as margens da rodovia para os maquinários agrícolas? Serão construídas ciclovias as margens da rodovia próxima a perímetro urbano? Haverá contornos viários nos distritos? Quais serão os impactos ambientais com relação a fauna e a flora ao longo da rodovia? O contrato exige este cuidado? Qual a previsão de arrecadação de impostos pelos municípios com esta obra? Percebe-se que são muitas perguntas que devemos fazer, por ser um direito de todos acreditamos que o Diretor Presidente atenderá nosso convite, pois estará desta forma cumprindo com o dever de dar satisfação à sociedade quando esta provoca tal iniciativa.

Esperamos e temos expectativa que aqueles que desenvolveram este projeto tenham tido o discernimento necessário para conciliar desenvolvimento com satisfação de milhares  que dependem deste fluxo para sustentarem suas famílias, pois caso contrário será a maior decepção para aqueles que historicamente dependem deste trânsito de veículos, como exemplos citamos os artesanatos vendidos na Vila São Pedro, Vila Vargas e Vila Sapé, além do comércio de alho e  cereais.

Que a finalidade social que a BR-163 desenvolveu através do fortalecimento do comércio ao longo destes anos não fique comprometida pelos interesses apenas da visão desenvolvimentista, pois isolar estas comunidades do fluxo destes veículos seria um grande exemplo de insensibilidade social, com sérios impactos econômicos na economia local. Dourados está em uma posição geográfica estratégica  e a BR-163 ajuda fomentar nosso desenvolvimento, por isso todos nós devemos dimensionar os impactos que esta concessão poderá nos proporcionar.

Pensemos nisso!!

(*) Vereador, geógrafo, professor e presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Dourados