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Cinema de animação cresce no país, mas sofre com falta de capacitação

MERCADO foi alavancado com leis de incentivo, editais, o Fundo Setorial do Audiovisual e o aumento da demanda por conteúdo nacional

 

 

Líria Jade

Agência Brasil

divulgação

“O KAISER” foi O primeiro filme brasileiro de animação da história, exibido em 2017

A animação brasileira completou um século este ano. Há 100 anos, no dia 22 de janeiro de 1917, foi exibido o primeiro filme brasileiro de animação da história: “O Kaiser”. O curta, do cartunista Álvaro Marins, exibido no Cinema Pathé, na Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro, perdeu-se no tempo.

 

Atualmente, o Brasil é reconhecido internacionalmente, com premiações consecutivas no festival de animação mais importante do mundo, Annecy – festival realizado anualmente na cidade de Annecy, na França, criado em 1960 e organizado pela Associação Internacional de Filmes de Animação (Association d’International du Film d’Animation). Por dois anos consecutivos, longas brasileiros venceram o prêmio Cristal do festival.

 

“Uma História de Amor e Fúria”, de Luiz Bolognesi, foi o vencedor em 2013 e “O Menino e o Mundo”,de Alê Abreu, recebeu o prêmio Cristal de Melhor Filme pelo júri e pelo público, em 2014. Outro filme, da única mulher brasileira premiada no festival, é o curta “Guida” (2015), de Urbes. Soma-se a isso o fato de o longa “O Menino e o Mundo” ter recebido indicação ao Oscar, em 2016.

 

Segundo Cândida Luz Liberato, integrante da ABCA, contribuem para o desenvolvimento do mercado as inúmeras iniciativas governamentais, por meio de programas de fomento ao setor audiovisual. Leis de incentivo, editais, o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e o aumento da demanda de distribuidoras e canais de televisão por conteúdo nacional (filmes, séries e animações), consequência da Lei 12.485/11 (a Lei da TV Paga), corroboram nesse sentido.

 

Cândida Liberato explica, no entanto, que a animação brasileira não nasceu da criação de grandes estúdios, e sim da vontade de pioneiros e entusiastas. Para ela, apesar dos incentivos públicos existentes, um dos desafios do setor é o diálogo com o Poder Público. “É preciso o estabelecimento de padrões específicos de regras de fomento para o setor de animação, porque atualmente as regras são as mesmas usadas para outras técnicas de conteúdo audiovisual”, disse.

 

Ela ressalta que, apesar de as animações terem um potencial de exportação e retorno financeiro maior em comparação a outras técnicas de audiovisual, a demanda de tempo e recursos financeiros para a produção também é superior. Uma das principais demandas do setor é capacitação.

 

Segundo a integrante da ABCA, poucos profissionais são capacitados para fazerem roteiros e produção de animação com qualidade técnica. “Atualmente, temos poucos cursos de capacitação na técnica de animação. Esses cursos têm que ter uma carga horária alta e respeitar as especificidades do setor. É bem diferente de um roteiro e produção de um longa-metragem ou de um documentário, por exemplo”, explica. Outro problema apontado é o fato de os cursos da área se concentrarem no eixo Rio-São Paulo e a produção seguir essa tendência.

 

FORTALECIMENTO DO SETOR E EXPORTAÇÃO DE TALENTOS

 

Apesar das demandas, a força do setor de animação nacional é cada dia maior, conforme avalia a Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA). Uma prova foi a compra da animação “Lino”, de Rafael Ribas, pelos estúdios Fox. O filme, dublado por Selton Mello, Paolla Oliveira e Dira Paes, tem estreia prevista para 7 de setembro em mais de 400 salas do Brasil.

 

Outro destaque da animação é o estúdio brasiliense Anim’all, que tem feito sucesso nas redes sociais desde que começou a animar tirinhas do quadrinista Caio Gomez. Com relação à exportação de talentos, um dos nomes mais lembrados é o de Matias Liebrecht. O paulistano trabalhou com o londrino Tim Burton em “Frankenweenie”, filme da Disney de 2012. O brasileiro também atuou no longa “Isle of dogs”, do americano Wes Anderson. Com previsão de lançamento em 2018, o filme terá as vozes de Edward Norton, Bill Murray, Tilda Swinton e Scarlett Johansson, dentre outros nomes estrelados.