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Chanceler mexicano diz que pagar por muro ‘é inegociável’

France Presse

Marco Ugarte/AP

O ministro das Relações Exteriores do México, Luis Videgaray, afirmou na noite desta quinta-feira (26) que seu país está disposto a dialogar para ter boas relações com os Estados Unidos, mas pagar pelo muro na fronteira entre os países é “inegociável”.

“Há coisas que são inegociáveis, coisas que não podem ser negociadas. O fato que se apresenta sobre o México pagar pelo muro é algo simplesmente inegociável”, afirmou Videgaray durante entrevista coletiva na embaixada mexicana em Washington.

“Há questões que são (inegociáveis) por dignidade, que não têm a ver com as exportações ou economia, mas com o coração e orgulho dos mexicanos”, afirmou o chanceler. “Assim como oferecemos respeito, os mexicanos devem respeitar a nós mesmos, nossa história e símbolos nacionais”.

Videgaray estava na Casa Branca para preparar a visita do presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, a Washington quando sua equipe recebeu a informação sobre um tuíte do presidente americano, Donald Trump, sugerindo que ele não deveria vir caso o México não se dispusesse a pagar pelo muro.

Até o momento da divulgação do ultimato de Trump, as conversas mantidas entre as equipes mexicana e americana vinham sendo “altamente profissionais e alentadoras”, afirmou Videgaray. Após o ultimato, o presidente mexicano decidiu cancelar sua visita ao país vizinho.

“Reconhecemos nos Estados Unidos uma nação soberana com pleno direito de proteger suas fronteiras conforme o decida o povo e o governo. Nós não concordamos em que o muro seja a melhor maneira de proteger ou gerar uma boa convivência entre vizinhos, mas podem defender suas fronteiras como melhor parecer para eles”, afirmou Videgaray. “Mas daí pretender que seja o povo do México que pague por um muro é passar de uma ação soberana a algo que é profundamente inaceitável”.

Imposto sobre importações

No final da tarde, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, informou que Trump planeja cobrar uma sobretaxa de 20% sobre as importações do México para financiar o muro. Segundo o porta-voz, a cobrança do imposto geraria US$ 10 bilhões ao ano, o que “facilmente pagará pelo muro”.

“Um imposto sobre importações dos Estados Unidos a produtos mexicanos não é maneira de fazer com que o México pague pelo muro, mas sim o consumidor americano, que pagaria mais caros os abacates, máquinas de lavar, televisores”, afirmou o chanceler mexicano.