Diário MS
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“Camarão do Pantanal é termômetro de qualidade dos rios pantaneiros”

PESQUISA | Afirmação é de professora da Uems, responsável por descoberta da espécie Macrobrachium pantanalense

 

Divulgação

CAMARÃO DO PANTANAL: Por ser transparente é possível ver os ovos dentro da fêmea

Pequeno, transparente, de água doce e morador dos rios pantaneiros de Mato Grosso do Sul. Este é o Camarão do Pantanal, registrado cientificamente como Macrobrachium Pantanalense, espécie descoberta em 2013 pela pesquisadora Lilian Hayd, da Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul). O crustáceo tem a função de indicar a qualidade da água em que está inserido, pois a espécie só consegue sobreviver em rios sem poluição.

 

Segundo a professora da UEMS, o Camarão do Pantanal é usado como bioindicador de qualidade ambiental, porque ele só fica em águas que tenham boas condições de uso. E um bom sinal é que ele já foi identificado no Pantanal da Nhecolândia, de Aquidauana, do Rio Miranda e do Rio Negro.

“Ele é utilizado na ecotoxicologia (estudo que visa verificar a toxicidade do ambiente), porque quando queremos saber, por exemplo, até quando um organismo tolera se um ambiente estiver poluído, o camarão é um bom indicador da qualidade de um ambiente. Se formos a uma lagoa ou bahia no Pantanal e não tiver camarão, ao mensurar os parâmetros físicos químicos, geralmente, percebemos que eles estão comprometidos. Se tem camarão o ambiente é bom, tem uma certa qualidade ambiental nos parâmetros físico-químicos da água”, explica Lilian.

 

DESCOBERTA

O grupo Carcipanta, que trabalha com crustáceos do Cerrado e Pantanal, coordenado pela professora Lilian Hayd, está desenvolvendo diversos estudos e já conseguiu comprovar que o Macrobrachium pantanalense é sim uma nova espécie por meio de análises da sua morfologia, bioquímica e genética.

“Isto porque ele havia sido confundido com o Camarão da Amazônia, contudo o Macrobrachium Amazonicum, apesar de ser transparente também, é diferente e mede até 16 centímetros, enquanto o nosso, Macrobrachium Pantanalense, chega até, no máximo, seis centímetros”, explica a professora.

De acordo com a pesquisadora, o camarão é pequeno e por isso não serve para consumo, mas serve como isca viva, para a aquicultura ornamental (criação em aquários) e alimentação de peixes na piscicultura.

“Por ser pequeno, nós indicamos para aquicultura ornamental, porque ele é um grande atrativo no aquário, pois é transparente, então consegue-se observar os órgãos internos e ao mesmo tempo ele não tem problema de predação em relação a alguns tipos de peixes.  Para isca, os pescadores não gostam do camarão porque ele é um pouco mole, mas para criação em aquários, com certeza é um bom atrativo”, esclarece.

O crustáceo tem como característica ser totalmente transparente, possibilitando ver todas as estruturas dele. O que muda em alguns casos, explica a docente, é quando o Camarão faz diferentes tipos de alimentação, deixando o tubo digestório de cores diferentes, contudo isto não interfere na coloração do corpo, somente no tubo digestório.