Diário MS
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Brecar a escalada da violência

Dirceu Cardoso Gonçalves (*)

Quando ocorreram as primeiras manifestações de rua, no ano passado, as autoridades, inclusive a presidente Dilma Rousseff, defenderam o direito democrático do povo se manifestar e protestar pacificamente pelos seus direitos. Mas, hoje, o que temos pelas ruas, praças e avenidas é desordem, e  está muito longe do pacífico, do ordeiro e até do democrático. A turba é insuflado a transformar suas bandeiras em instrumento de guerra, bloqueando vias públicas, sitiando repartições e pressionando servidores e autoridades. Quando isso ocorre, não há nada mais a fazer do que colocar em ação a polícia, como último recurso para o restabelecimento da ordem. Aí a polícia, invariavelmente, é acusada de cometer excessos.

Toda essa desobediência civil é promovida por grupos que estrapolam os limites democráticos da reivindicação e partem para a pressão violenta sobre autoridades e o próprio povo, calcada no fogo, na barricada, no vandalismo e na periclitação da segurança. São ações com preparo prévio, como o acúmulo de pneus, madeiras e outros objetos para serem queimados em locais estratégicos, que poderiam ser previamente impedidas. Aliás, o que tem faltado ou negligenciado é o trabalho prévio de inteligência para evitar que as reivindicações – muitas delas justas – sejam transformadas em instrumento de instabilidade política e social.

É dever das autoridades identificar e conhecer as reivindicações da sociedade e procurar atendê-las na medida do possível e com toda transparência, informando claramente aos interessados o que pode e o que não pode se fazer. Essa simples atitude – incluindo a utilização do espaço publicitário governamental e até da cadeia de rádio e tv – , além de dar uma satisfação à intranquila sociedade, pode evitar que a massa incauta caia nas mãos dos produtores do caos e seja levada a tumultuar a vida de toda a coletividade, que nada tem a ver com suas reivindicações e nada pode fazer em favor delas. É obrigação é do governo e das autoridades ser transparente em seus atos e, para sua segurança, identificar de onde vem o dinheiro para a montagem dos protestos, o que fazem seus organizadores, do que vivem, para quem trabalham e quais os objetivos. Eles e seus mentores e/ou financiadores precisam ser exemplarmente responsabilizados pelos  prejuízos e sofrimento que causam à população.

As manifestações começaram contra o aumento do preço nas passagens de ônibus, avançaram em oposição à realização da Copa do Mundo, têm ganho motivações das mais diversas e, preocupantemente, vêm crescendo em violência. Deixaram de ser puras reivindicações e precisam receber a mais justa e séria análise e encaminhamento, antes que seja tarde e não haja mais o que fazer…

(*) Tenente da Polícia Militar do Estado de SP.