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ALÉM DA TELA: Mostra Audiovisual de Dourados – Você viu?

*Albano Pimenta

Depois de praticamente duas semanas (18 a 28 de maio) dedicada ao cinema, Dourados se despediu da Mostra Audiovisual de Dourados, mais conhecida como MAD.

Em sua quinta edição, foram exibidos filmes produzidos por diversos profissionais já reconhecidos dentro do circuito cinematográfico, como também abre espaço para novos realizadores em sua Mostra Competitiva, contemplando produções realizadas em todo o território nacional, mas com categorias que privilegiam a nossa produção local, como a categoria Curta do Mato.

Como todo bom cinéfilo, tenho orgulho de dizer que moro uma cidade que apresenta esse tido de evento e, ao mesmo tempo, satisfeito com a programação apresentada nesta edição, que trouxe filmes nacionais da qualidade, sem se esquecer de valorizar a produção do nosso estado.

Nesta coluna, vou tentar passar as impressões que tive diante de muitos momentos catárticos deste evento que tenho um carinho muito especial e sou até, suspeito em falar.

No dia 18, o evento teve sua abertura oficial com uma grande apresentação da Orquestra UFGD que executou peças de autores responsáveis pelas trilhas mais famosas de Hollywood, como John Willians conhecido por filmes como “Tubarão” e “Superman”; também Hans Zimmer com sua trilha de “Piratas do Caribe” — e devo dizer que houve uma intervenção surpresa do pirata Jack Sparrow muito legal — e meu favorito, Enio Morricone com temas clássicos dos filmes de faroeste.

No dia 20, fui surpreendido com um respeitoso documentário intitulado “O Cavallero, Elyseu” do diretor Iulik Lomba. O filme acompanha alguns momentos de Elyseu Visconti Cavalleiro, cineasta que produziu na década de 70 e tornou-se um dos representantes do movimento cinematográfico conhecido como Cinema Marginal. Confesso que conheço pouco sobre o personagem tratado neste documentário, por isso, me atrelarei ao filme. O filme busca na poética de suas imagens, aliando imagens do arquivo pessoal de Elyseu e registros atuais para resultar em uma construção coesa com a intensidade de seu personagem e a sua obra. Segundo os próprios realizadores, a proposta do filme foi de explorar a própria estética do cinema marginal o que torna o filma ainda mais impactante, se considerar o público acostumado a produções mais convencionais.

Na sequência, o filme “BR 716” de Domingos Oliveira nos mostra, num formato ficcional, uma espécie de autobiografia do próprio diretor. O filme conta a história de Barata Ribeiro, um jovem dos anos 60 que se diz escritor, mas nunca terminou nada que começou escrever, além de ser boêmio, fazendo de sua casa uma concentração de boêmios festeiros, ele é um completo alienado aos acontecimentos políticos da época. Apesar de a proposta estética explorar o preto e branco, ela não está muito preocupada em reproduzir uma imagem da época, e isso reflete até na interpretação e caracterização de alguns atores, que destoam da representação daquele período histórico, mas sou levado a crer que estes detalhes não eram preocupações da direção. O filme é divertido, bem humorado, trás uma perspectiva diferente do período pré-ditadura, mas não é um filme representativo; é apenas divertido.

Outro filme que me chamou a atenção e estava muito ansioso para ver era o documentário “Cinema Novo”, de Erik Rocha. O filme é um resgate que valoriza um dos, se o mais expressivo, movimento cinematográfico nacional, devido o impactou mundial que este teve, e o diretor faz a escolha certa ao optar em contar a trajetória deste movimento com seus próprios filmes, como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” de Glauber Rocha, “Macunaíma” de Cacá Diegues, “Vidas Secas” de Nelson Pereira dos Santos e muitos outros filmes e diretores significativos daquela época.

Além de filmes com expressões nacionais, também teve exibições de filmes curtas-metragens de realizadores locais, premiações, oficinas, show de encerramento, e tudo gratuito, mas o que ainda me deixa intrigado é saber o que é preciso para fazer os douradenses prestigiarem um evento tão relevante que já conquistou expressividade estadual e nacional. Ainda não sei, mas se alguém souber, me mande essa dica para quer possamos fazer uma Mostra futura ainda mais rica.

ALBANO PIMENTA é graduado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Adamantina – UNIFAI e pós-graduado em Semiótica pela Universidade do Oeste Paulista. Trabalha como coordenador na Divisão de Audiovisual da UFGD. Dirigiu em 2015 o curta-metragem “Conexões perdidas”, e em 2017 as intervenções audiovisuais da peça teatral “Tire-me daqui”, ambas produções da Avatz!.