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Alan Almeida: “Vou aonde a música me levar”

TRAJETÓRIA do músico de 23 anos que veio de Batayporã para Dourados revela uma tendência, cada vez mais comum atualmente, de uma juventude destemida que estuda e batalha para viver da própria arte

 

Luciano Serafim

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ALAN ALMEIDA “Música para mim é o improviso da arte, é a preparação mais sincera de momentos que perduram pela eternidade”.

O músico Alan Almeida, juntamente com o Trio Instrumental Dourajazz, participará nesta quinta-feira (30), às 19h30, de um recital dos alunos de O Quintal – Espaço de Leitura e Aprendizagem, na Rua Ponta Porã nº 2299, em que haverá apresentações das diversas atividades desenvolvidas no local, como musicalização e leituras de histórias. Em bate-papo com o Diário MS, ele recordou a sua trajetória, que resumiu em uma frase: “Música para mim é o improviso da arte, é a preparação mais sincera de momentos que perduram pela eternidade”.

 

Alan nasceu no município de Batayporã, em 27 de novembro de 1993, e seu interesse por música despertou ainda na infância. Ele gostava muito de cantar, por isso começou a participar da Banda Marcial José Chambó Ruiz, onde iniciou os estudos musicais, testando vários instrumentos de percussão e sopro, como bumbo e tuba. “Todas as tardes eu ia para as aulas, passei a ter contato com partituras, a entender como eram feitas as composições. Isso me encantou ainda mais”, recorda.

Apesar de integrar a banda marcial e estar dando os primeiros passos como instrumentista, seu sonho mesmo era ser cantor. Na escola onde estudava havia alguns estudantes que formavam a banda Kaos 67. Alan foi assistir a um dos ensaios e pediu para cantar uma música.

“A banda tinha uma apresentação na semana seguinte, no Baile do Hawai, tradicional na cidade, e os caras me convidaram para cantar. Depois da apresentação, fiz algumas participações em show dessa banda como vocalista”, disse.

Tempos depois, ele montou uma banda chamada Karangas, que obviamente se referia a carro velho. “Essa banda fez mais ensaios do que shows. Foram apenas cinco apresentações, eu como cantor”, lembra, com bom humor.

Nesse período, além do aprendizado com os integrantes das bandas, a internet desempenhou um papel importante em seu aprendizado, pois Alan passou a assistir vídeo-aulas, quando descobriu o contrabaixo e passou a se dedicar ao instrumento.

Foi uma época de amadurecimento, em que Alan passou a encarar a música como uma atividade profissional.

Em seguida, passou tocar com a dupla sertaneja Dennis & Daniel. Também conheceu a banda Konduta Rock, que o convidaram para ser contrabaixista, experiência que durou um ano e meio.

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UNIDOS pela música, Géssica Keylla e Alan Almeida continuam enfrentando desafios para viver de seu trabalho com a arte

ESCOLA DE MÚSICA

Alan afirma que o maior presente que a música lhe proporcionou foi a companhia da esposa, a tecladista e pianista Géssica Keylla.

Eles se conheceram em 2011, e desde então passaram por muita coisa juntos. Uma experiência marcante foi a abertura da Escola Musical Harmonia & Som, a primeira de Batayporã, que desenvolveu projetos de musicalização com crianças, em parceria com a prefeitura, chegando a ter 150 alunos.

“Aprendemos muito juntos, a mexer com questões financeiras e também a dar aulas, desenvolver métodos para o ensino de música”, lembra.

Infelizmente, dois anos depois foram obrigados a fechar a escola, pois sem parceria, tiveram que aumentar a mensalidade e como a cidade é pequena e os recursos das famílias escasso, muito alunos deixaram as aulas.

Alan havia recebido convites de trabalho no Paraná e passou a atuar na Alma Viva Banda Show (Paraíso do Norte) e na Banda Condor (Paranavaí), vindo em seguida para Dourados, com a esposa, no intuito de aprimorar os estudos musicais.

 

DOURADOS

Há 4 anos morando em Dourados, Alan tem participado de diversos atividades, como aulas particulares e em projetos da Prefeitura e de instituições particulares, em aulas que se iniciam com musicalização para crianças a partir de 5 anos, passando por projetos com pessoas com deficiência, idosos e jovens. “Busco levar o estudo real de música, através de métodos conceituados, livros e experiências”, ressalta.

Também trabalha como sideman (músico profissional que é contratado para se apresentar ou gravar com um grupo a qual ele não integra) acompanhando a artista de Ponta Porã Nady Lobato, e é integrante da orquestra UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados).

Indagado sobre quais dificuldades encontra como músico em Dourados, Alan afirmou: “Uma das dificuldades que encontrei no início foi a desunião entre artistas da mesma classe, mas isso vem mudando de forma positiva com o passar dos anos. Música não é competição, tem espaço para todos, acredito que se nos unirmos, com certeza mais projetos serão realizados com mais frequência e a música estará cada vez mais em evidência na cidade. Temos artistas super talentosos, a música vibra nessa cidade e é preciso fortalecer esses movimentos”, afirmou.

 

AULAS

Além disso, Alan ministra aulas de musicalização e violão em O Quintal – Espaço de Leitura e Aprendizagem; Centro Espírita Jesus de Nazaré; Escola Espaço da Música e aulas particulares de violão popular, contrabaixo e harmonia e improvisação para todos instrumentos, ministrados durante a semana mediante agendamento pelo celular (67) 99870-1862.