Diário MS
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150 anos da morte do tenente Antonio João Ribeiro

José Tibiriçá Martins Ferreira (*)

No dia 11 de junho do corrente mês, estive na 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada onde foi proferida uma palestra pelo Capitão da Reserva Krugerson de Mattos sobre a participação do Tenente Antonio João Ribeiro na Guerra da Tríplice Aliança. Nascido em Poconé-MT no dia 24 de novembro de 1823, filho de Manoel Ribeiro de Brito e Rita de Campos Maciel, ingressou no Exército como soldado voluntário em 1841, promovido a cabo e sargento, atingiu o oficialato em 1860 e foi nomeado comandante da Colônia Militar dos Dourados, da Província do Mato Grosso. No dia 29 de dezembro de 1864, defendendo nossa fronteira na companhia de mais 14 militares foi morto pelas forças paraguaias.

Na ocasião foi apresentado para centenas de militares da ativa e da reserva  um vídeo produzido pela Fundação Barbosa Rodrigues, narrando a história da guarnição que era comandada pelo Tenente Antonio João Ribeiro. A seguir o historiador, Capitão Mattos fez uma exposição sucinta dos fatos e da importância da presença do exército na época e na atualidade, sempre vigilante e apoiando a população da fronteira.

O local onde aconteceu a epopéia é atualmente denominado PH CMD = Parque Histórico da Colônia Militar de Dourados, onde há um Museu não só de artefatos do tempo do Antonio João, como também artefatos e instrumentos da II Guerra Mundial, como canhões e carros de combate à sua  entrada e algumas fotos da nossa família da década de 20. A Colônia Militar dos Dourados está a cerca de 8 km antes da cidade de Antônio João, do lado direito numa distância de 9 km a 200 metros do Rio Dourados.

Antônio João morreu se recusou a entregar-se à tropa inimiga. A frase célebre do herói está hoje perpetuada em um monumento erguido no sítio histórico: “Sei que morro, mas o meu sangue e o dos meus companheiros servirá de protesto solene contra a invasão do solo da minha Pátria”.

A palestra proferida aos militares do 4ª Brigada na presença do General de Brigada Rui Yutaka Matsuda e seus comandados, foi o pontapé inicial para a comemoração dos festejos do sesquicentenário da morte do Tenente Antonio João. Na oportunidade entreguei uma cópia do livro Antonio João ao General Matsuda, escrito pelo General Valentim Benício da Silva, publicado pela Biblioteca do Exército, cujo autor narra os pormenores do levantamento por ele realizado para se chegar até os restos mortais do Tenente Antonio João. Por coincidência o achado estava debaixo do local onde residia minha bisavó Carlota Almirón Lopes Gomes, proprietária da Fazenda da Resignação, viúva do Major João Luiz Gomes, último diretor da Colônia Militar dos Dourados.

Sua filha Sylvia Gomes em 1957 doou parte de suas terras ao Exército, ou seja, 30 hectares, localizadas à beira do Rio Dourados para construção do museu. Ali nasceu também minha mãe Jahyr Martins Ferreira, falecida há um ano com mais de 95 anos. Resta a filha da doadora, Lorença Gomes Martins que completará 91 anos no próximo dia 15 de outubro, reside em Dourados. Todo o ano tem participado das festividades no dia 24 de novembro como representante da família Gomes e como militar reservista da arma de artilharia como meu bisavô, Major João Luiz Gomes. No ano passado tive o privilégio de efetuar o plantio de pés de ipê no evento, juntamente com outras autoridades militares e civis.

Lembro-me dá época em que participei da Coordenação do Projeto Rondon da Região Sul em Campo Grande, década de 70, quando o apoio do Exército às operações especiais e regionais no Brasil foi muito importante. Seu lema era: Integrar para não entregar e hoje estamos temerosos do que pode acontecer com o nosso País.

(*) Advogado, produtor rural, segundo tenente reservista e secretário geral do PSD em Dourados.